Uma das maiores redes de supermercados e atacarejo do Brasil voltou ao centro das atenções após receber uma cobrança bilionária da Receita Federal. O caso envolve o Grupo Mateus, empresa com forte presença no Norte e no Nordeste, que também passou recentemente por um amplo processo de reestruturação.
A autuação chega a R$ 1,28 bilhão e mira a Armazém Mateus, controlada do grupo. Além disso, a cobrança trata de tributos federais relacionados aos exercícios de 2022 e 2023.
O novo episódio ocorre poucos meses depois de a companhia fechar 28 lojas e reduzir cerca de 6,6 mil postos de trabalho. Com isso, a empresa passou a lidar, ao mesmo tempo, com uma disputa tributária e com os efeitos da reorganização interna.
Receita Federal cobra R$ 1,28 bilhão do Grupo Mateus
A Receita Federal questiona a forma como a Armazém Mateus tratou créditos presumidos de ICMS na apuração de impostos federais. Na prática, o órgão fiscal contesta a exclusão desses créditos da base de cálculo do IRPJ, o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, e da CSLL, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.
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Do valor total da autuação, R$ 492,9 milhões correspondem ao principal da cobrança. Já os outros R$ 789 milhões se referem a multas e juros.
No entanto, o valor bilionário ainda não representa uma condenação definitiva. Isso porque o processo começa na esfera administrativa, onde a empresa poderá apresentar sua defesa, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Empresa diz ter argumentos para contestar cobrança
Em comunicado ao mercado, o Grupo Mateus informou que fez uma avaliação preliminar junto aos seus assessores jurídicos. Depois dessa análise, a companhia classificou a contingência como de “perda possível”.
Na linguagem do mercado, essa classificação indica que a empresa reconhece risco no processo. Por outro lado, também mostra que a companhia considera haver fundamentos jurídicos para contestar a autuação.
Além disso, o grupo afirmou que acompanha o caso e deve informar novos desdobramentos considerados relevantes. Caso a discussão não termine na esfera administrativa, a disputa ainda poderá chegar à Justiça.
Autuação vem depois de fechamento de lojas e demissões
Antes da cobrança bilionária, o Grupo Mateus já havia iniciado uma mudança importante em sua operação. A companhia encerrou 28 lojas e cortou cerca de 6,6 mil funcionários entre 2025 e o primeiro trimestre de 2026.
A redução atingiu principalmente unidades localizadas em estados do Norte e do Nordeste. Entre eles estão Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia.
Com os cortes, o quadro de colaboradores passou de aproximadamente 47,9 mil para 41,2 mil pessoas. Dessa forma, a empresa reduziu quase 14% da sua força de trabalho em cerca de um ano.
Rede de supermercados mudou o foco no Brasil
A reorganização mostra uma mudança de estratégia do Grupo Mateus. Durante anos, a empresa ganhou destaque pela expansão acelerada, pela abertura de lojas e pelo avanço em novos mercados.
Agora, porém, a prioridade passou a ser outra. A rede decidiu concentrar esforços em eficiência, controle de custos, melhora das margens e fortalecimento das unidades com melhor desempenho.
Por isso, lojas consideradas menos rentáveis foram fechadas. Ao mesmo tempo, a companhia tenta deixar a operação mais enxuta e seletiva antes de avançar com novos projetos.
Mesmo com as demissões e o fechamento de unidades, o Grupo Mateus continua entre os maiores nomes do varejo alimentar brasileiro. Portanto, a mudança não significa saída do mercado, mas uma tentativa de ajustar a operação para buscar mais rentabilidade.
Setor supermercadista enfrenta pressão
A decisão do Grupo Mateus também ocorre em um momento de maior pressão sobre supermercados, atacarejos e hipermercados no Brasil. O setor enfrenta custos logísticos altos, juros elevados, disputa intensa por preços e consumidores mais cautelosos.
Nesse cenário, grandes redes passaram a revisar planos de expansão e a avaliar com mais rigor o desempenho de cada loja. Assim, unidades com baixo retorno podem ser fechadas para reduzir custos e proteger as margens.
Além disso, empresas do varejo alimentar precisam equilibrar crescimento, preço competitivo e rentabilidade. Por esse motivo, a estratégia de expansão acelerada vem dando lugar a um modelo mais seletivo em algumas companhias.
Quais marcas fazem parte da rede de supermercados?
O Grupo Mateus atua em diferentes formatos de varejo, atacarejo, distribuição e serviços internos. Entre as principais marcas da empresa estão:
- Mix Mateus: atacarejo voltado a consumidores finais e comerciantes.
- Mateus Supermercados: formato tradicional de supermercados e hipermercados.
- Camiño Supermercados: lojas de vizinhança, voltadas a compras rápidas e abastecimento do dia a dia.
- Spazio: operação de perfil premium, com produtos importados, cortes nobres e itens de gastronomia.
- Eletro Mateus: divisão focada em eletrodomésticos, eletrônicos e móveis.
- Armazém Mateus: operação de atacado, entrega e distribuição para pequenos e médios lojistas.
- Bumba Meu Pão: indústria própria de panificação que abastece unidades da rede.
- Food Service Mateus: área interna de transformação de alimentos para lojas e restaurantes do grupo.
Fundado por Ilson Mateus Rodrigues, o Grupo Mateus começou no Maranhão e se consolidou como uma das maiores empresas supermercadistas do país. Agora, a nova fase mostra uma virada: menos pressa para abrir lojas e mais atenção à rentabilidade da operação.