A história de Judith Leão Castello Ribeiro, uma das mulheres mais importantes da trajetória política e educacional do Espírito Santo, ganha uma nova homenagem. Nascida na Serra, ela está entre as personalidades retratadas no livro “Mulheres Transformadoras”, lançado pela Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil no Espírito Santo (AJEB-ES).
A coletânea reúne histórias de 62 mulheres que deixaram marcas na política, literatura, educação, ciência, artes e em outras áreas. Ao todo, 64 autoras participam da publicação.
Além de Judith Leão Castello Ribeiro, o livro apresenta nomes como Clarice Lispector, Cecília Meireles, Tarsila do Amaral, Maria Ortiz, Nara Leão, Chiquinha Gonzaga, Frida Kahlo, Virginia Woolf, Rosa Parks e Marie Curie.
O lançamento acontece nesta sexta-feira, 28 de agosto, às 19 horas, na Câmara Municipal de Vitória. Depois, a publicação também chegará à Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em 8 de setembro.
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Judith Leão Castello Ribeiro nasceu na Serra
Judith Leão Castello Ribeiro nasceu na Serra em 31 de agosto de 1898. Ao longo da vida, construiu uma trajetória marcada pelo pioneirismo na educação, na política e na literatura.
Ela estudou o primário na própria Serra. Em seguida, formou-se professora pelo Curso Normal do Colégio do Carmo, em Vitória.
Depois da formação, Judith começou a lecionar no Ginásio São Vicente de Paulo. Posteriormente, em 1930, passou a trabalhar na Escola Normal Pedro II.
Na educação, defendia uma formação que ultrapassasse os conteúdos tradicionais da sala de aula. Por isso, incentivava atividades culturais, jornais feitos pelos estudantes, intercâmbios com outras escolas e ações ligadas às artes.
Dessa forma, Judith ganhou reconhecimento não apenas como professora, mas também como defensora da educação e da formação cultural dos jovens.
Serrana foi a primeira mulher eleita deputada estadual no Espírito Santo
A política também marcou a trajetória de Judith Leão Castello Ribeiro. Em 29 de março de 1947, ela tomou posse como a primeira mulher eleita deputada estadual no Espírito Santo.
Judith conquistou quatro mandatos consecutivos na Assembleia Legislativa. Na eleição de 1962, ficou como suplente e ainda assumiu o cargo em algumas ocasiões.
Pouco depois, deixou a vida política. No entanto, continuou ligada à educação e às atividades sociais.
Sua presença na política capixaba representou um marco para as mulheres em uma época na qual os espaços de poder permaneciam ocupados, em sua maioria, por homens.
Judith foi pioneira quatro vezes
O pioneirismo acompanhou Judith em diferentes momentos de sua trajetória.
Ela se tornou a primeira mulher eleita deputada estadual no Espírito Santo. Além disso, em 1949, tornou-se a primeira presidente da Academia Feminina Espírito-Santense de Letras, instituição que também ajudou a fundar.
Anos mais tarde, em 1979, Judith foi a primeira mulher a receber a Comenda Jerônimo Monteiro no grau de comendadora.
Por fim, em setembro de 1981, entrou para a Academia Espírito-Santense de Letras. Com isso, tornou-se também a primeira mulher a integrar a instituição.
Assim, a serrana rompeu barreiras em diferentes espaços da política, da literatura e da vida cultural capixaba.
Educação e trabalho social também marcaram sua vida
Além da política, Judith manteve forte atuação social. Católica, participou de iniciativas religiosas e filantrópicas no Espírito Santo.
Ela colaborou com ações ligadas ao Hospital Santa Rita de Cássia, à Colônia Pedro Fontes, voltada ao atendimento de pessoas com hanseníase, e ao Preventório Alzira Bley, que acolhia filhos de pacientes.
Judith também integrou o Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo e a Associação Espírito-Santense de Imprensa.
Portanto, sua atuação passou por diferentes áreas e deixou marcas na educação, na política, na cultura e na assistência social.
Judith Leão Castello Ribeiro também deixou livros
A serrana ainda construiu uma trajetória na literatura e na imprensa.
Em 1932, publicou o livro “A Educação e o Ensino Interessante”. O trabalho lhe garantiu o título de catedrática em Ciências Pedagógicas.
Já em 1980, lançou “Presença”, obra que reuniu crônicas e outros textos. Judith destinou a renda obtida com as vendas a ações de auxílio aos mais pobres.
No ano seguinte, publicou “Recompensa”, ligado ao discurso de sua posse na Academia Espírito-Santense de Letras.
Além dos livros, Judith escreveu artigos para jornais e revistas. Também participou de programas de rádio.
Legado da serrana permanece vivo
Judith Leão Castello Ribeiro morreu em 23 de março de 1982, aos 83 anos, no Rio de Janeiro.
Entretanto, seu nome continua presente no Espírito Santo. Escolas, espaços públicos e instituições receberam seu nome ao longo das décadas.
Na Serra, o prédio da Câmara Municipal leva o nome da ex-deputada. Uma sala da Assembleia Legislativa e outros espaços públicos também prestam homenagem à sua trajetória.
Agora, a presença de Judith em “Mulheres Transformadoras” reforça novamente seu lugar entre as mulheres que ajudaram a transformar a história capixaba.
Coletânea reúne mulheres que marcaram época
O livro “Mulheres Transformadoras” possui 280 páginas. A publicação reúne crônicas, artigos, ensaios, contos e textos biográficos sobre mulheres brasileiras e estrangeiras.
No caso de Judith Leão Castello Ribeiro, o texto leva as assinaturas de Luciana Gomes Ferreira de Andrade e Elda Coelho de Azevedo Bussinguer.
Entre as capixabas homenageadas também aparecem Maria Ortiz, Carmélia Maria de Souza, Haydée Nicolussi e Maria Stella de Novaes.
Além disso, a coletânea apresenta brasileiras como Maria Firmina dos Reis, Clarice Lispector, Cecília Meireles, Tarsila do Amaral, Nara Leão, Chiquinha Gonzaga, Carolina Maria de Jesus, Rachel de Queiroz e Cora Coralina.
Já entre as personalidades internacionais estão Frida Kahlo, Virginia Woolf, Simone de Beauvoir, bell hooks, Anne Frank, Indira Gandhi, Winnie Mandela e Madre Teresa de Calcutá.
Livro reúne 64 autoras
A publicação conta com 64 autoras de diferentes regiões do país. Desse total, 46 integram a AJEB no Espírito Santo.
A presidente da coordenadoria estadual e organizadora da obra, Gracinha Neves, explica que a entidade selecionou os textos por meio de um edital direcionado às associadas.
Cada participante escolheu uma mulher já falecida e reconhecida por sua contribuição para a sociedade. A organização também criou uma lista para evitar a repetição de homenageadas.
Fundada em 1970, a Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil reúne atualmente mais de 700 associadas e possui representação em mais de 20 estados.
Lançamento de “Mulheres Transformadoras”
O lançamento acontece na sexta-feira, 28 de agosto, às 19 horas, na Câmara Municipal de Vitória. O prédio fica na Avenida Marechal Mascarenhas de Moraes, nº 1.788, em Bento Ferreira.
Maria das Graças Neves organizou a obra. A publicação conta ainda com apoio da Academia Feminina Espírito-Santense de Letras (AFESL) e da Vida Livresca. Durante o evento, o público poderá retirar exemplares gratuitamente, enquanto durar a tiragem disponível.
Posteriormente, o livro também será apresentado na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em 8 de setembro.
