Morar perto de rua arborizada pode fazer o valor do imóvel subir até 20% na Serra. É uma das promessas do Projeto 10.000/1, da Secretaria de Meio Ambiente (SEMMA), que já começou a plantar as 10 mil mudas nativas previstas para mais de 30 vias do município. A Avenida Paulo Pereira Gomes, em Morada de Laranjeiras, está quase toda concluída e agora o plantio avança para as demais ruas da lista.
Por que a arborização valoriza o imóvel
O documento que sustenta o plano projeta valorização imobiliária de 10% a 20% nos imóveis das vias contempladas. Além disso, promete queda de até 30% no consumo de energia com ar condicionado e redução de 3°C a 5°C no microclima das ruas arborizadas. Também entram na conta a diminuição do ruído das avenidas contempladas, mais solo permeável contra alagamentos e a criação de corredores que ligam os fragmentos florestais do Mestre Álvaro ao tecido urbano.
Essa lógica não é nova no mercado imobiliário. Área verde qualificada muda a experiência de morar em uma rua, pois reduz o calor, diminui o ruído e melhora o ar do entorno. Por isso, esse tipo de investimento pesa direto na hora de comprar ou alugar um imóvel, sobretudo em bairros que hoje sofrem com ilhas de calor. Civit II, Laranjeiras, Jardim Tropical, Jardim Limoeiro, Manoel Plaza e Hélio Ferraz aparecem no mapa de calor que embasa o projeto.
Como é feito o plantio
Cada muda segue um padrão técnico rigoroso, o que ajuda a explicar o investimento de mais de R$ 6,4 milhões. Primeiro, a cova recebe 60 centímetros nos três lados. Em seguida, entram hidrogel e fosfato no fundo, depois composto orgânico e solo. Por fim, cada árvore recebe tutor e tubo de irrigação, com meta de 90% de sobrevivência ao longo de 24 meses de acompanhamento.
Leia também
Veja a lista completa de ruas e espécies
Confira a seguir a lista de ruas e avenidas que vão receber as árvores, com a quantidade de mudas e as espécies previstas.
A Avenida Eldes Scherrer de Souza, em Laranjeiras, recebe 1.800 mudas e forma o corredor roxo da cidade: quaresmeira-da-serra (240), quaresmeira-roxa (240), manacá-da-serra (240), ipê-roxo (135), jacarandá-bico-de-pato (135), jacarandá-da-bahia (135), grumixama (135), pitanga (180), guamirim (180) e óleo-bálsamo (180).
Já a Avenida Talma Rodrigues Ribeiro, que liga a região de Laranjeiras a Jacaraípe, recebe 2.000 mudas e forma o corredor amarelo: ipê-amarelo-do-brejo (150), ipê-amarelo-cascudo (150), sibipiruna (150), canafístula (150), óleo-bálsamo (400), jacarandá-bico-de-pato (400), araçá (150), pitanga (150), grumixama (150) e guamirim (150).
Por fim, a Avenida Civit, na região de Porto Canoa, recebe 1.800 mudas e forma o corredor rosa: ipê-rosa (135), manacá-da-serra (240), quaresmeira-da-serra (240), pata-de-vaca (240), jacarandá-da-bahia (135), jacarandá-bico-de-pato (135), pitanga (135), grumixama (180), araçá (180) e óleo-bálsamo (180).
As demais ruas ficam com espécies variadas
As demais vias recebem mudas de espécies variadas da Mata Atlântica, conforme a cartilha de arborização da Prefeitura. Entre elas estão a Avenida Paulo Pereira Gomes (Morada de Laranjeiras/500), a Avenida Norte Sul (1.000) e a Avenida Mestre Álvaro (Antiga BR-101/1.000). Também recebem mudas a Avenida Brasil (Novo Horizonte/100), a Avenida Brasília (Porto Canoa/140), a Avenida Salvador (100), a Rua São Paulo (100), a Avenida São Paulo (100), a Avenida Augusto Ruschi (Balneário de Carapebus/80) e a Avenida Almirante Tamandaré (70).
Ainda entram na lista a Rua Brasil (60), a Rua Carapebus (50), a Rua Vitória (40), a Rua Guriri (40), a Rua Manguinhos (40) e a Rua Bicanga (40). Completam o projeto a Rua Jacaraípe e a Rua Nova Almeida (80), a Rua Iriri, a Rua Marataízes e a Rua Piúma (90), além da Rua Anchieta, Mealpe, Itaparica e Itapoã (120).
Por último, aparecem a Rua Setiba (30), a Avenida Braúna (Colina de Laranjeiras/100), a Rua Mestre Álvaro e a Rua Dom Pedro (100), a Avenida Região Sudeste (50), a Avenida Região Sul e a Avenida Ilhéus (80), as Vias Internas Adjacentes (70), a Avenida Lourival Nunes (110), a Avenida Central (80) e a Rua Imbuia e Entorno (30). Segundo a Prefeitura, o total declarado fecha em 10 mil mudas.
Critério de escolha das espécies
Nessas vias, a escolha das espécies segue a cartilha oficial de arborização urbana da Serra. O plano exige diversidade mínima de 25 espécies distintas. Assim, 30% das mudas têm porte pequeno, como pitanga e araçá, enquanto 40% têm porte médio, como quaresmeiras e manacá-da-serra. Os 30% restantes têm porte grande, como ipês, jacarandás e óleo-bálsamo. Além disso, toda muda precisa ter altura mínima de 1,8 metro e diâmetro à altura do peito acima de 2,5 centímetros.
O ritmo previsto é de cerca de 833 mudas por mês, ao longo de 12 meses, sob coordenação da SEMMA. A execução conta com quatro equipes operacionais e 60 operários da SESE. Todo ano, ainda, a prefeitura promete auditoria técnica para medir altura e diâmetro das árvores e avaliar o vigor de cada muda. Se a valorização imobiliária realmente aparecer no papel dos imóveis, a Serra vai medir esse ganho avenida por avenida, junto com a primeira floração dos ipês.