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Serra terá avenidas roxas, amarelas e rosas no plantio de 10 mil árvores

A arborização na Serra saiu do papel e o município começou a plantar as 10 mil mudas prometidas.
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Montagem aérea de três avenidas da Serra com árvores floridas em amarelo, roxo e rosa, simulando os corredores verdes do projeto de arborização.
Simulação dos corredores temáticos: amarelo na Talma Rodrigues Ribeiro, roxo na Eldes Scherrer de Souza e rosa na Civit. Crédito: Projeção gerada por IA.
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O plantio das 10 mil árvores da Serra já começou. Além disso, a Avenida Paulo Pereira Gomes está quase toda concluída. Agora o município avança para as demais vias do projeto, batizado de 10.000/1 pela Secretaria de Meio Ambiente. O nome vem da meta: 10 mil mudas nativas da Mata Atlântica em um ano de execução.

A parte mais visível do plano também é a mais simples de entender. Ao todo, três grandes avenidas vão receber árvores agrupadas por cor de floração. Assim, cada via ganha um corredor temático. A Eldes Scherrer de Souza fica com os tons roxos, entre quaresmeira-da-serra, quaresmeira-roxa, ipê-roxo e jacarandá. Já a Talma Rodrigues Ribeiro recebe os amarelos, com ipê-amarelo-do-brejo, ipê-amarelo-cascudo, sibipiruna e canafístula. Por fim, a Avenida Civit fica com os rosados, entre ipê-rosa, pata-de-vaca, quaresmeira-rosa e manacá-da-serra.

Serra tem só 26 mil árvores e sofre com ilhas de calor

O diagnóstico que sustenta o projeto é direto. Hoje, toda a área urbana da Serra abriga cerca de 26 mil árvores. Muitas delas, inclusive, são exóticas ou estão em local inadequado. Enquanto isso, dados do Inmet citados no documento apontam algo pior. Polos logísticos e industriais do município chegam a registrar temperaturas até 5°C acima das áreas arborizadas vizinhas.

O mapa de calor anexado ao plano mostra os pontos mais críticos: Civit, Laranjeiras, Jardim Tropical, Jardim Limoeiro, Manoel Plaza e Hélio Ferraz. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o ideal é 12 m² de área verde por habitante. Ou seja, cerca de três árvores por pessoa. A Serra, porém, está longe disso.

O projeto ainda se apoia na regra internacional conhecida como 3-30-300. Na prática, ela pede três árvores visíveis de cada janela, 30% de cobertura de copa em cada bairro e no máximo 300 metros entre qualquer morador e uma área verde de qualidade.

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Onde a arborização na Serra vai chegar

A lista tem mais de 30 vias. Primeiro, as maiores fatias ficam com Talma Rodrigues Ribeiro (2.000 mudas), Eldes Scherrer de Souza (1.800) e Civit (1.800). Depois vêm Norte Sul e Mestre Álvaro, com mil cada. Já a Paulo Pereira Gomes recebe 500.

O restante se espalha por avenidas e ruas de bairros. Entre elas estão Avenida Brasil, Brasília, Salvador, São Paulo, Augusto Ruschi, Almirante Tamandaré, Braúna, Lourival Nunes, Região Sudeste, Região Sul, Ilhéus e Central. Também entram diversas ruas em vários bairros. No fim, a soma fecha exatamente 10 mil.

Cova de 60 cm, hidrogel e tubo de irrigação

O plano detalha o padrão técnico de cada plantio. Por isso, o custo é alto. A cova tem 60 cm nos três lados. Primeiro, entram hidrogel e fosfato no fundo. Em seguida, vêm o composto orgânico e o solo. Cada muda ainda recebe tutor e tubo de irrigação.

As espécies também seguem regra. São pelo menos 25 espécies distintas. Do total, 30% são de pequeno porte, como pitanga e araçá. Outros 40% são de médio porte, como quaresmeiras e manacá-da-serra. Os 30% restantes são de grande porte, como ipês, jacarandás e óleo-bálsamo. Além disso, a altura mínima é de 1,8 metro, e o diâmetro à altura do peito precisa passar de 2,5 cm.

O ritmo previsto é de cerca de 833 mudas por mês, ao longo de 12 meses. A execução fica sob coordenação da SEMMA, com quatro equipes operacionais e 60 operários da SESE. Em abril, o Tempo Novo já mostrou que o investimento estimado passa de R$ 6,4 milhões.

Meta é 90% de sobrevivência e queda de até 5°C

O acompanhamento vai durar 24 meses. Nesse período, a meta é manter 90% das mudas vivas. Quando alguma morrer ou for danificada, o replantio deve ser imediato. Todo ano, ainda, uma auditoria técnica vai medir altura e diâmetro para avaliar o vigor das árvores.

A prefeitura também pretende medir o resultado no termômetro. Para isso, a ideia é usar termometria infravermelha em dias de sol forte, comparando as vias plantadas com áreas ainda descobertas. Assim, o documento projeta redução de 3°C a 5°C no microclima das ruas arborizadas.

Além do calor, o plano aponta outros ganhos esperados. Entre eles estão valorização dos imóveis de 10% a 20% e queda de até 30% no consumo de energia com ar-condicionado. Há ainda mais solo permeável contra alagamentos e redução do ruído da BR-101. Por último, o projeto quer criar corredores que liguem os fragmentos florestais do Mestre Álvaro ao tecido urbano, garantindo passagem para a fauna.

Se o cronograma se confirmar, a Serra vai passar os próximos dois anos vendo o resultado aparecer devagar. Avenida por avenida, até a primeira floração dos ipês.

Foto de Yuri Scardini

Yuri Scardini

Yuri Scardini é diretor de jornalismo do Jornal Tempo Novo e colunista do portal. À frente da coluna Mestre Álvaro, aborda temas relevantes para quem vive na Serra, com análises aprofundadas sobre política, economia e outros assuntos que impactam diretamente a vida da população local. Seu trabalho se destaca pela leitura crítica dos fatos e pelo uso de dados para embasar reflexões sobre o município e o Espírito Santo.

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