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Navio chinês gigante com torre de 156 metros viaja até o Brasil para construir maior ponte da América Latina

Navio chinês gigante viaja até o Brasil para construir a maior ponte da América Latina.
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Ponte navio
Navio chinês gigante viaja até o Brasil para construir a maior ponte da América Latina. Crédito: Divulgação
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Um gigantesco navio chinês está atravessando os oceanos em uma viagem de aproximadamente 45 dias para participar da construção de uma das maiores obras de infraestrutura do Brasil. A embarcação possui uma torre de 156 metros de altura, mede mais de 130 metros de comprimento e tem capacidade para movimentar estruturas de até 700 toneladas.

O equipamento foi desenvolvido para executar trabalhos de engenharia em alto-mar e será utilizado na instalação de fundações de uma ponte com mais de 12 quilômetros de extensão. A estrutura exigirá operações em águas profundas, com equipamentos capazes de posicionar enormes estacas no fundo do mar.

Além das dimensões impressionantes, a embarcação reúne tecnologias avançadas de navegação, sistemas de estabilização e mecanismos que permitem realizar operações com precisão de centímetros. Sua chegada representa uma etapa importante para o avanço da construção.

Trata-se do CRCC Bridge Piling No. 1, considerado pelos responsáveis pelo projeto o maior navio de cravação de estacas do mundo. Seu destino é a Bahia, onde participará da construção da Ponte Salvador–Ilha de Itaparica, empreendimento que, segundo o governo estadual, terá a maior extensão sobre a água entre as pontes da América Latina.

Navio gigante saiu da China para viagem de 45 dias até o Brasil

A embarcação deixou o Porto de Lüsi, na província de Jiangsu, em 27 de setembro de 2026. A operação marca a primeira missão internacional do equipamento, construído para enfrentar condições complexas durante a instalação de fundações marítimas.

Para chegar ao território brasileiro, o navio precisa percorrer aproximadamente 11.300 milhas náuticas. A rota inclui a passagem pelo Estreito de Malaca, a travessia do Oceano Índico e o contorno do Cabo da Boa Esperança, no sul da África.

Depois disso, a embarcação entra no Oceano Atlântico e segue em direção à costa brasileira. O planejamento prevê uma passagem pelas águas próximas de Recife antes do deslocamento até a Baía de Todos-os-Santos.

A previsão inicial estabelece aproximadamente 45 dias para a viagem. Entretanto, as condições meteorológicas e operacionais podem influenciar o tempo necessário para concluir a travessia.

Antes da partida, equipes especializadas realizaram avaliações de segurança, estudos sobre as condições marítimas e análises dos riscos envolvidos no transporte de uma estrutura dessas dimensões, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Torre de 156 metros permite movimentar estruturas de 700 toneladas

O CRCC Bridge Piling No. 1 possui características que o colocam entre os equipamentos mais avançados de sua categoria.

A embarcação tem 130,5 metros de comprimento e 40,8 metros de largura. Contudo, seu principal destaque é a torre de cravação de estacas, que alcança impressionantes 156 metros de altura.

Para comparação, essa dimensão supera a altura de muitos edifícios residenciais brasileiros.

O equipamento também consegue levantar componentes com até 700 toneladas e trabalhar com estacas de aproximadamente 7 metros de diâmetro.

Além disso, sua estrutura foi projetada para operar em regiões com profundidade de até 70 metros, permitindo a instalação de fundações que ultrapassam 120 metros de comprimento.

Essas características tornam o navio especialmente importante para construções marítimas de grande porte, nas quais máquinas convencionais não conseguem executar determinadas operações.

Tecnologia chinesa permite instalar estacas com precisão de centímetros

Navio Ponte
Ponte será a maior da América Latina. Crédito: Divulgação

O tamanho não é a única característica que diferencia a embarcação. O navio também utiliza recursos tecnológicos para manter sua posição durante os trabalhos.

Um sistema combina sensores, propulsores e mecanismos de ancoragem para reduzir os efeitos das correntes marítimas, das ondas e dos ventos.

Assim, mesmo em condições de movimentação da água, o equipamento consegue realizar ajustes constantes para manter a estabilidade necessária.

A embarcação também utiliza o BeiDou, sistema chinês de navegação por satélites, integrado a recursos de posicionamento de alta precisão.

Essa tecnologia permite controlar a instalação das estacas com precisão de centímetros, aspecto fundamental para garantir o alinhamento das fundações da ponte.

Outra inovação está relacionada ao consumo de energia. O navio conta com um mecanismo capaz de recuperar parte da energia produzida durante determinados movimentos de sua estrutura hidráulica.

Segundo as especificações divulgadas, a taxa de recuperação energética pode alcançar 40% em determinadas operações.

Navio chinês terá missão importante na construção da maior ponte da América Latina

A chegada do equipamento está diretamente relacionada aos desafios encontrados na construção da Ponte Salvador–Ilha de Itaparica.

O empreendimento atravessará a Baía de Todos-os-Santos, onde determinadas áreas apresentam profundidades que exigem soluções especiais de engenharia.

No trecho central da futura ponte, por exemplo, a lâmina d’água pode alcançar aproximadamente 64 metros.

Por isso, a construção das fundações representa uma das etapas mais complexas de todo o projeto.

O navio chinês será responsável por executar parte da instalação de estacas que sustentarão os pilares da estrutura.

Esses componentes precisam alcançar camadas resistentes abaixo do fundo da baía para transmitir ao terreno as cargas produzidas pela ponte.

Na prática, as fundações terão de suportar o peso da estrutura, a circulação de veículos e os esforços provocados por ventos, correntes e outras condições ambientais.

Dessa forma, a precisão na instalação das estacas será essencial para garantir a segurança e a durabilidade do empreendimento.

Maior ponte sobre a água da América Latina terá 12,4 quilômetros

Navio chinês ponte
Navio chinês gigante viaja até o Brasil para construir a maior ponte da América Latina. Crédito: Divulgação

O projeto prevê a construção de uma ligação rodoviária com 12,4 quilômetros de extensão sobre a Baía de Todos-os-Santos.

De acordo com o Governo da Bahia, a Ponte Salvador–Ilha de Itaparica será a maior da América Latina quando considerada a extensão construída sobre lâmina d’água.

Entretanto, o empreendimento não ficará restrito à travessia marítima.

O projeto integra o Sistema Viário Oeste, que terá aproximadamente 46,8 quilômetros de intervenções, incluindo rodovias, viadutos, túneis e novos acessos.

Na capital baiana, estão previstos cerca de 4 quilômetros de ligações rodoviárias e dois novos túneis paralelos aos existentes na Via Expressa.

Por outro lado, na Ilha de Itaparica, o planejamento contempla uma nova via expressa de aproximadamente 22 quilômetros.

Também haverá a duplicação de 8,8 quilômetros da BA-001, proporcionando melhorias na circulação de veículos entre as regiões atendidas.

A proposta é criar uma alternativa de deslocamento entre Salvador e a ilha, além de facilitar o acesso a municípios do interior e do Recôncavo Baiano.

Ponte terá vão central de 682 metros para passagem de navios gigantes

O projeto passou por alterações importantes em 2026 para atender às necessidades da navegação na Baía de Todos-os-Santos.

Uma das principais mudanças ocorreu no vão central da parte estaiada da ponte, que foi ampliado de 482 para 682 metros.

A atualização busca assegurar espaço suficiente para a passagem de grandes embarcações que circulam pela região.

Além disso, o trecho principal contará com aproximadamente 85 metros de altura livre em relação ao nível do mar.

As dimensões foram planejadas considerando a navegação de navios de grande porte, incluindo petroleiros, porta-contêineres, embarcações de cruzeiro e modelos das classes Panamax e Neo-Panamax.

Com o aumento do vão central, a futura ponte também deverá integrar o grupo das maiores estruturas estaiadas do mundo nesse tipo de comparação.

Portanto, o projeto precisa atender simultaneamente às exigências de segurança rodoviária e às necessidades do transporte marítimo.

Construção terá plataforma provisória de aproximadamente 12 quilômetros

Antes da conclusão da ponte definitiva, os trabalhadores terão outra estrutura de grandes dimensões à disposição.

Para isso, o planejamento estabelece a construção de uma Plataforma Linear Provisória com aproximadamente 12 quilômetros de extensão.

Além disso, essa instalação ficará paralela ao traçado da futura ponte e funcionará como uma via de apoio às atividades de construção.

Dessa forma, caminhões, guindastes, equipamentos e trabalhadores poderão acessar diferentes pontos da obra.

Ao mesmo tempo, a estrutura permitirá o transporte de materiais e a montagem de componentes necessários à execução dos pilares e das demais partes da ponte.

Com isso, as equipes poderão reduzir a dependência de embarcações para determinadas atividades, facilitando a logística durante a construção.

Por fim, a plataforma terá caráter temporário e será utilizada exclusivamente durante as operações de construção.

Investimento bilionário prevê conclusão da ponte em 2031

A construção da Ponte Salvador–Ilha de Itaparica envolve um investimento estimado em R$ 11,6 bilhões. Em comunicações mais recentes sobre o empreendimento, o Governo da Bahia também passou a utilizar o valor aproximado de R$ 12 bilhões.

As obras civis começaram em julho de 2026, com atividades distribuídas entre diferentes frentes de trabalho.

Entre os locais envolvidos estão Salvador, Vera Cruz e São Roque do Paraguaçu, onde equipes atuam na preparação de estruturas e na organização dos canteiros.

A construção também exige o transporte de milhares de toneladas de materiais, equipamentos industriais e componentes metálicos.

O cronograma divulgado estabelece 2031 como previsão para a conclusão do empreendimento.

Após a entrega, a concessionária ficará responsável pela operação e manutenção do sistema viário, conforme as condições estabelecidas no contrato.

Outro navio chinês já transportou mais de 800 toneladas para a obra

O CRCC Bridge Piling No. 1 não é a primeira embarcação chinesa mobilizada para o projeto.

Anteriormente, outro navio partiu de Xangai transportando mais de 800 toneladas de equipamentos e materiais destinados à construção.

A carga foi distribuída em 44 contêineres e reuniu aproximadamente 1.550 itens, avaliados em US$ 3,5 milhões.

Entre os produtos estavam componentes metálicos, painéis e peças utilizadas principalmente na montagem de estruturas provisórias de apoio.

O transporte percorreu cerca de 17 mil quilômetros até chegar a Salvador.

Agora, a operação envolve um equipamento muito maior e com uma finalidade diferente.

Em vez de apenas transportar materiais, o gigantesco navio chinês participará diretamente dos trabalhos de fundação.

Com sua torre de 156 metros, capacidade para movimentar centenas de toneladas e tecnologia de posicionamento de alta precisão, a embarcação terá uma das missões mais importantes da construção: ajudar a instalar as estruturas submarinas que sustentarão a futura maior ponte sobre a água da América Latina.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos do Brasil e temas de interesse público nacional.

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