A Prefeitura da Serra ativou o Centro Integrado de Comando e Controle na Serra voltado ao fenômeno Super El Niño 2026/2027. Essa decisão está na Portaria CG Nº 079/2026, assinada em 9 de setembro. O texto, no entanto, só foi publicado nesta quarta-feira (16), no Diário Oficial do Município. Com a ativação, a estrutura passa a coordenar a prevenção, a preparação e a resposta aos impactos do fenômeno.
O prefeito Weverson Meireles já tinha anunciado que iria criar uma espécie de comitê para lidar com os impactos do fenômeno. O documento foi assinado pela coordenadora de Governo, Lilian Siqueira da Costa Schmidt tem como base a Lei nº 2356/2000 e suas alterações posteriores. A portaria também cita o Decreto Municipal nº 867, de 27 de agosto de 2026. Esse decreto já havia instituído o CICC El Niño 2026/2027, mas dependia de um novo ato para entrar em operação.
Como vai funcionar o Centro Integrado de Comando e Controle na Serra
Segundo a portaria, o CICC El Niño 2026/2027 vai atuar como ferramenta de gerenciamento do Município. A estrutura vai coordenar as ações nas fases de prevenção, preparação e resposta aos efeitos do fenômeno. Essa coordenação fica a cargo da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil. Também participam a Coordenadoria de Governo e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
Vão integrar o centro representantes dos órgãos do Comitê Municipal de Proteção e Defesa Civil. Além disso, a portaria prevê a participação de outros órgãos e entidades. Essa participação ocorre sempre que a atuação deles for necessária à gestão dos riscos do Super El Niño.
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Por que a Serra ativou o centro de comando para o El Niño
A ativação não é um movimento isolado. Em agosto, um plano de trabalho da Prefeitura já apontava 81% de chance de o fenômeno chegar ao patamar “muito forte” entre o fim de 2026 e o início de 2027. O documento, elaborado pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente após recomendação do Tribunal de Contas do Estado, colocava a Serra entre as cidades sob risco de calor extremo, falta d’água e avanço da dengue.
O 6º Boletim de Monitoramento da Defesa Civil do Espírito Santo, divulgado em 24 de agosto, reforça o cenário. Segundo o órgão, o Super El Niño já está plenamente estabelecido no Pacífico e deve seguir forte pelo menos até o início de 2027. A previsão da NOAA aponta mais de 70% de chance de o fenômeno atingir a categoria “muito forte” ainda neste trimestre, com probabilidade subindo para até 95% nos meses seguintes.
O que prevê o plano de enfrentamento da Serra
O plano intersetorial da Prefeitura vai além do monitoramento climático. Ele distribui responsabilidades entre secretarias, da saúde à educação, passando pela assistência social e pela Defesa Civil. Uma das medidas previstas chama atenção: escolas municipais podem ser adaptadas como abrigos temporários, caso famílias fiquem desalojadas por causa de chuvas fortes.
Na rede de saúde, a expectativa é de mais casos de dengue, chikungunya e zika, doenças favorecidas pelo calor e pela chuva irregular. Isso deve aumentar a procura por postos de saúde, UPAs e prontos-socorros. As ondas de calor também tendem a elevar os atendimentos por desidratação e exaustão térmica, principalmente entre idosos e crianças.
Já na assistência social, o plano prevê maior procura por benefícios. A atenção também deve aumentar para moradores em situação de rua, mais expostos ao calor e à falta d’água.
Efeitos do Super El Niño já sentidos no Espírito Santo
A seca, inclusive, já avança pelo estado. Em julho, 91,7% do território capixaba entrou em Seca Moderada, contra 19,3% no mesmo período de 2025. A situação também pressiona o abastecimento: até 21 de agosto, 24 dos 102 pontos de captação monitorados pela Cesan estavam em atenção e 3, em estado crítico.
O calor e a estiagem ainda elevam o risco de incêndios. Em agosto, o Espírito Santo já somava 67 focos de calor, acima da média histórica do mês. Diante desse quadro, o novo centro de comando busca antecipar respostas na Serra e reduzir os impactos sobre moradores, antes que a situação se agrave durante a temporada de chuvas.
A portaria também define as regras de desmobilização do centro. Segundo o texto, o CICC será desativado quando não existirem mais as condições que justificaram sua ativação. Essa decisão depende de novo ato da autoridade competente. A Portaria CG Nº 079/2026 entrou em vigor na data de sua publicação.