O Super El Niño de 2026 está próximo de alcançar sua intensidade máxima e poderá entrar para a história como o mais forte dos últimos 150 anos. As novas previsões meteorológicas indicam que o fenômeno continuará ganhando força nas próximas semanas, com potencial para superar recordes de aquecimento do Oceano Pacífico.
O período de maior intensidade deverá ocorrer entre novembro e dezembro de 2026. Os principais centros de monitoramento climático identificaram condições excepcionais no oceano, incluindo temperaturas muito acima da média e uma grande quantidade de calor acumulada abaixo da superfície.
Além disso, os modelos internacionais apresentam um elevado nível de concordância sobre a força do fenômeno. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) projeta um aquecimento médio de aproximadamente 3,7°C acima do normal na região Niño 3.4 durante o trimestre de outubro a dezembro, com pico previsto para dezembro.
O cenário também preocupa especialistas pelos possíveis impactos sobre as temperaturas e a distribuição das chuvas. Dependendo da intensidade alcançada, o fenômeno poderá aumentar o risco de ondas de calor, estiagens, temporais e enchentes em diferentes regiões.
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Super El Niño terá pico em dezembro de 2026
A previsão mais recente da Organização Meteorológica Mundial, divulgada em 8 de outubro, aponta dezembro como o mês em que o fenômeno deverá alcançar seu auge, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Até lá, a tendência é de continuidade do aquecimento das águas do Pacífico equatorial, que já apresentam temperaturas excepcionalmente elevadas.
O fenômeno começou a ganhar força durante o primeiro semestre de 2026 e avançou rapidamente ao longo dos meses seguintes. Em agosto, a temperatura da região Niño 3.4 já estava cerca de 2,5°C acima da média.
Posteriormente, o aquecimento se intensificou. Dados do International Research Institute for Climate and Society (IRI), da Universidade de Columbia, mostram que o índice semanal alcançou aproximadamente 3,3°C acima do normal em meados de outubro.
Dessa forma, novembro e dezembro serão decisivos para determinar a intensidade final do episódio de 2026/2027.
O termo Super El Niño não representa uma categoria meteorológica oficial, mas costuma descrever eventos de intensidade extraordinária, muito superiores aos padrões de um El Niño convencional.
Fenômeno pode superar recorde de 150 anos
A possibilidade de um recorde histórico ganhou destaque entre pesquisadores internacionais.
Em julho de 2026, a revista científica Nature divulgou análises indicando que o El Niño em desenvolvimento poderia se tornar o maior em pelo menos 150 anos.
A avaliação considera projeções de aquecimento excepcional do Pacífico, capazes de superar episódios históricos que provocaram alterações significativas no clima mundial.
Entre os principais eventos utilizados como referência estão os El Niños de 1982/1983, 1997/1998 e 2015/2016, conhecidos pela intensidade do aquecimento oceânico.
As projeções atuais apontam valores superiores aos observados nesses episódios em determinados indicadores.
A NOAA, agência meteorológica dos Estados Unidos, estima uma probabilidade de 83% de que o indicador de intensidade utilizado em sua previsão supere, no trimestre de outubro a dezembro, os níveis observados nos principais eventos desde 1950.
Entretanto, a confirmação de um novo recorde ainda depende das medições dos próximos meses. Os especialistas precisarão avaliar as temperaturas do oceano e as condições atmosféricas antes de estabelecer a posição definitiva do episódio na série histórica.
Pacífico registra temperaturas excepcionais
Um dos fatores que mais chamam a atenção dos pesquisadores é a velocidade com que o aquecimento oceânico avançou durante 2026.
Em junho, a região central do Pacífico equatorial apresentava uma anomalia média próxima de 1,6°C. Apenas dois meses depois, esse número já havia alcançado aproximadamente 2,5°C.
Além disso, as condições abaixo da superfície indicam que o oceano ainda possui energia suficiente para sustentar o fenômeno.
Segundo a NOAA, determinadas áreas do Pacífico oriental registraram temperaturas superiores em mais de 10°C à média esperada para aquelas profundidades.
Esse calor permanece armazenado nas camadas internas do oceano e pode alcançar gradualmente a superfície.
Consequentemente, os especialistas consideram possível que as temperaturas continuem aumentando até o período previsto para o pico.
As projeções divulgadas pelo IRI em outubro reforçam essa perspectiva. Os 27 modelos climáticos analisados apontam condições de El Niño muito forte durante o encerramento de 2026 e o início de 2027.
Super El Niño pode provocar calor extremo e chuvas intensas no Brasil
O avanço do fenômeno também aumenta a preocupação com os impactos sobre o clima brasileiro.
Historicamente, o El Niño modifica a circulação atmosférica e influencia a distribuição das chuvas em diferentes partes do território nacional.
No Sul, o fenômeno costuma favorecer períodos de precipitações acima da média. Como resultado, aumenta a possibilidade de temporais, elevação dos rios e enchentes.
Por outro lado, áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar períodos com menos chuva e temperaturas elevadas, aumentando os riscos de seca e queimadas.
No Sudeste e no Centro-Oeste, os efeitos variam conforme a atuação de outros sistemas atmosféricos. Ainda assim, o aquecimento pode contribuir para temperaturas acima do normal e mudanças na frequência das precipitações.
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgou, em outubro, um boletim indicando 95% de probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026.
O documento também aponta tendência de chuva acima da média no Sul, condições mais secas em parte do centro-norte do país e temperaturas elevadas em grande parte do Brasil.
No entanto, os especialistas ressaltam que um El Niño intenso não significa necessariamente a ocorrência de desastres em todas as regiões. Os efeitos dependem da interação com outros fenômenos climáticos e das condições meteorológicas locais.
El Niño continuará provocando efeitos em 2027
Mesmo depois de alcançar sua maior intensidade, o fenômeno não deverá desaparecer imediatamente.
As projeções climáticas indicam que o aquecimento do Pacífico continuará influenciando o clima durante os primeiros meses de 2027.
O IRI calcula uma probabilidade de 100% de permanência das condições de El Niño entre outubro de 2026 e o trimestre março-abril-maio de 2027, de acordo com seu conjunto de modelos.
Depois desse período, a tendência é de enfraquecimento gradual, embora as condições mais quentes do oceano ainda possam persistir durante parte do primeiro semestre.
Além disso, os efeitos sobre as chuvas e as temperaturas podem continuar mesmo após o início da redução da intensidade do fenômeno.
Isso acontece porque a atmosfera não responde imediatamente às mudanças nas temperaturas oceânicas.
Portanto, o encerramento do pico não significa o fim automático dos impactos climáticos.
Próximas semanas definirão se o El Niño será o maior da história
O período entre novembro e dezembro de 2026 será fundamental para confirmar até onde poderá chegar a intensidade do atual episódio.
A combinação de águas excepcionalmente aquecidas, grande quantidade de calor armazenado nas profundezas do Pacífico e projeções climáticas semelhantes coloca o fenômeno entre os mais expressivos das últimas décadas.
Enquanto isso, centros meteorológicos internacionais continuarão acompanhando as temperaturas oceânicas, a circulação dos ventos e os indicadores atmosféricos relacionados ao El Niño.
Se as projeções de aquecimento se confirmarem, o Super El Niño de 2026 poderá estabelecer um novo recorde e se tornar o mais intenso dos últimos 150 anos.
Até lá, os pesquisadores manterão o monitoramento do Pacífico e dos possíveis efeitos do fenômeno sobre o clima brasileiro durante o verão de 2026/2027.