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Para evitar falência, Casas Bahia fecha mais 300 lojas e demite 2 mil novos funcionários

Casas Bahia tenta evitar falência e anunciou o fechamento de mais 300 lojas.
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Casas Bahia Falência Lojas Funcionários
Casas Bahia tenta evitar falência e anunciou o fechamento de mais 300 lojas. Crédito: Divulgação
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Uma das maiores redes varejistas do Brasil acelerou uma profunda reestruturação para tentar atravessar uma das fases financeiras mais delicadas de sua história. A Casas Bahia fechou quase 300 lojas, reduziu o quadro de funcionários em cerca de 2 mil trabalhadores e agora admite avaliar até mesmo uma recuperação judicial.

As medidas fazem parte de uma tentativa de diminuir despesas, preservar caixa e adaptar a empresa a uma operação menor. Ao mesmo tempo, o grupo enfrenta prejuízos bilionários, restrições de crédito e dificuldades para levantar novos recursos no mercado.

O cenário ganhou ainda mais atenção depois da divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026. A companhia registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões entre abril e junho. Foi o oitavo trimestre consecutivo de resultado negativo.

Apesar do tamanho do rombo, uma parcela expressiva veio de efeitos contábeis e extraordinários. Sem esses impactos, a própria companhia calcula um prejuízo líquido ajustado de R$ 978 milhões no trimestre.

Casas Bahia fecha quase 300 lojas em nova fase de cortes

O fechamento das unidades faz parte da segunda fase do Plano de Transformação do Grupo Casas Bahia, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Nos documentos apresentados ao mercado, a companhia confirmou que concluiu o encerramento de 298 lojas. Segundo o grupo, a escolha das unidades considerou fatores como desempenho, necessidade de capital e retorno financeiro diante do atual custo do dinheiro.

Além disso, a empresa pretende concentrar estoques, investimentos e funcionários nas operações que apresentam maior capacidade de gerar caixa.

Os cortes atingiram também os trabalhadores. Cerca de 1,9 mil funcionários foram desligados, número que pode ser arredondado para aproximadamente 2 mil demissões.

A Casas Bahia não apresentou esse número de demissões em suas demonstrações financeiras. No entanto, confirmou oficialmente que está adequando seu quadro de colaboradores ao novo tamanho da operação e reduzindo contratos, despesas e investimentos.

Recuperação judicial entra no radar

O ponto mais delicado da nova divulgação está nas alternativas estudadas para reorganizar as finanças.

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A administração afirmou que continua analisando opções para reforçar a liquidez, reduzir custos financeiros e reorganizar dívidas e demais obrigações. Entre as possibilidades aparece expressamente uma nova recuperação extrajudicial ou uma recuperação judicial.

Até agora, portanto, não existe pedido de recuperação judicial apresentado pela Casas Bahia. A alternativa está em avaliação e dependerá da evolução do caixa, das negociações com credores e fornecedores e das condições do mercado.

Caso a companhia realmente opte pela recuperação judicial, o mecanismo funcionaria justamente como uma ferramenta para tentar reorganizar suas obrigações e preservar a atividade empresarial. A Lei nº 11.101 determina que a recuperação judicial busca permitir a superação da crise econômico-financeira, preservando a empresa, os empregos e os interesses dos credores.

Ou seja, a recuperação judicial não significa que a falência foi decretada. Pelo contrário, trata-se de um mecanismo utilizado para tentar evitar que uma empresa economicamente viável chegue à falência.

Auditoria alerta para incerteza sobre continuidade da Casas Bahia

Outro sinal de alerta aparece no relatório da Ernst & Young, responsável pela auditoria externa.

A auditoria apontou uma “incerteza relevante” relacionada à continuidade operacional da Casas Bahia. Segundo o documento, as condições financeiras existentes podem gerar dúvida significativa sobre a capacidade da companhia de continuar normalmente suas operações.

A Ernst & Young também se absteve de apresentar uma conclusão sobre as informações financeiras intermediárias do período. A auditoria destacou, entre outros fatores, a necessidade de geração futura de caixa, manutenção de capital de giro e cumprimento das obrigações financeiras e operacionais.

Em 30 de junho, o Grupo Casas Bahia apresentava patrimônio líquido negativo de R$ 8,27 bilhões, contra patrimônio positivo de R$ 2,77 bilhões no fim de 2025.

Prejuízo de R$ 10 bilhões assusta, mas parte é contábil

O prejuízo bilionário também precisa ser analisado em detalhes.

A Casas Bahia informou que o resultado líquido negativo do segundo trimestre chegou a R$ 10,117 bilhões. Entretanto, sem os itens classificados como não recorrentes, a perda ajustada teria ficado em R$ 978 milhões.

Entre os impactos extraordinários aparecem aproximadamente R$ 5,7 bilhões relacionados à baixa de tributos diferidos, além de despesas ligadas à reorganização de pessoal, encerramento de lojas, perda de valor de ativos e revisões contratuais.

Portanto, o prejuízo de R$ 10,1 bilhões não representa uma saída equivalente de dinheiro do caixa durante apenas três meses.

Ao mesmo tempo, isso não elimina a preocupação com a situação financeira. A própria companhia reconhece pressão sobre liquidez e capital de giro e afirma que precisa administrar de maneira mais ativa os recursos disponíveis.

Crédito obrigou empresa a encolher

A redução da Casas Bahia não está ligada apenas aos prejuízos registrados no balanço.

Segundo a companhia, seguradoras responsáveis por conceder limites de crédito comercial aos fornecedores passaram a atuar de maneira mais restritiva. Além disso, uma operação de captação internacional considerada importante para o planejamento financeiro não foi concluída nas condições esperadas.

Diante disso, a empresa reduziu as compras de estoque. Consequentemente, decidiu operar com uma estrutura menor.

A estratégia agora prioriza geração de caixa e rentabilidade em vez de crescimento a qualquer custo. A companhia também pretende direcionar investimentos para operações e canais com maior retorno financeiro.

Casas Bahia já passou por recuperação extrajudicial

Não seria a primeira vez que o grupo recorreria a um instrumento previsto na Lei de Recuperação e Falências.

Em abril de 2024, a Casas Bahia apresentou à Justiça um plano de recuperação extrajudicial. Na ocasião, a Justiça paulista autorizou o processamento do pedido e determinou a suspensão temporária de ações e execuções relacionadas aos créditos abrangidos pelo plano.

Posteriormente, a empresa avançou na reestruturação daquela dívida.

Agora, diante do novo cenário, a administração voltou a colocar mecanismos formais de renegociação entre as alternativas disponíveis.

A diferença é que, desta vez, o documento menciona não apenas uma possível nova recuperação extrajudicial, mas também a recuperação judicial.

Casas Bahia tenta ganhar fôlego para continuar operando

Apesar dos números negativos, a varejista também apresentou alguns indicadores positivos. No segundo trimestre, a companhia informou geração de R$ 1 bilhão em fluxo de caixa livre da firma, enquanto a dívida líquida caiu R$ 4 bilhões na comparação com o mesmo período de 2025.

Além disso, a receita bruta consolidada atingiu R$ 8,3 bilhões no trimestre, crescimento de 1,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. O comércio eletrônico ajudou a sustentar esse avanço, enquanto as lojas físicas tiveram retração.

Ainda assim, o cenário exige atenção. A Casas Bahia agora tenta equilibrar redução de despesas, renegociação de obrigações, geração de caixa e manutenção das atividades.

Por enquanto, não há falência decretada nem recuperação judicial solicitada. Porém, ao colocar a recuperação judicial entre as opções possíveis e promover um corte de quase 300 lojas e cerca de 2 mil funcionários, o grupo deixa claro que entrou em uma nova e mais agressiva etapa de sua tentativa de reorganização financeira.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos da cidade da Serra e temas de interesse público estadual.

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