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Globo cancela debate presidencial após decisões da Justiça e fala em ‘interferência indevida do Judiciário’

Globo cancela debate presidencial e fala em interferência indevida do Judiciário.
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Debate da Globo
Globo cancela debate presidencial e fala em interferência indevida do Judiciário. Crédito: Divulgação
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A TV Globo cancelou, na noite desta quinta-feira (1º), o último debate entre os candidatos à Presidência da República antes do primeiro turno das eleições de 2026. A decisão ocorreu poucas horas antes do programa, que estava previsto para começar às 21h30, depois do Jornal Nacional. O cancelamento foi confirmado pouco antes das 21h.

Ao anunciar a mudança na programação, a Globo apontou uma “interferência indevida do Judiciário” no formato que havia preparado para o confronto entre os presidenciáveis. A declaração ocorreu depois de uma sequência de decisões tomadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no mesmo dia.

As determinações judiciais atingiram pontos importantes das regras previamente estabelecidas pela emissora. Uma delas obrigou a Globo a incluir Renan Santos (Missão) entre os participantes. Outra impediu que a emissora mantivesse em destaque o púlpito vazio reservado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que havia decidido não comparecer ao programa.

Além disso, a Justiça Eleitoral suspendeu a regra que permitiria aos candidatos presentes formular perguntas direcionadas ao candidato ausente. A decisão alcançou especificamente a dinâmica criada pela Globo para lidar com presidenciáveis convidados que optassem por não participar.

Justiça proibiu púlpito vazio de Lula e perguntas ao candidato ausente

A decisão sobre o púlpito partiu da ministra Estela Aranha, do TSE. A magistrada suspendeu o item 7 das regras do debate, que previa tratamento específico para candidatos ausentes.

Pelo formato elaborado pela Globo, o espaço destinado a Lula permaneceria identificado mesmo sem a presença do presidente. Os demais candidatos também poderiam fazer manifestações e perguntas dirigidas ao petista.

A ministra determinou que a emissora não fizesse a “exibição destacada da cadeira vazia identificada” e também proibiu a aplicação da dinâmica de perguntas direcionadas ao candidato que não estivesse presente.

Na fundamentação, Estela Aranha afirmou que a participação em debates eleitorais é facultativa e avaliou, de forma preliminar, que a regra poderia criar consequências negativas capazes de pressionar candidatos a comparecerem ao programa. A decisão foi liminar e ainda deverá passar pela análise do plenário do TSE.

Gilmar Mendes determinou entrada de Renan Santos no debate da Globo

Quase simultaneamente, outra decisão mudou a lista de participantes.

O ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou que a Globo garantisse a participação de Renan Santos, candidato do Missão, no debate. A decisão saiu poucas horas antes do horário previsto para o início do programa.

A disputa pela participação de Renan já havia passado pela Justiça Eleitoral. Antes da decisão de Gilmar Mendes, pedidos apresentados para garantir a presença do candidato haviam enfrentado decisões contrárias.

Na determinação final, Gilmar estabeleceu que Renan deveria receber as mesmas condições de tempo, perguntas e posição concedidas aos demais participantes, permitindo que a emissora fizesse apenas as adaptações necessárias na dinâmica do programa.

Flávio Bolsonaro desistiu após decisões da Justiça

O cenário sofreu outra mudança quando Flávio Bolsonaro (PL) anunciou que também não compareceria ao debate.

O candidato afirmou nas redes sociais que desistiu de participar em razão do que chamou de “censura imposta ao evento pelo TSE”. A classificação representa a posição de Flávio; a decisão do TSE, por sua vez, sustentou que a regra sobre candidatos ausentes poderia produzir desequilíbrio entre as candidaturas.

Lula já havia comunicado anteriormente que não participaria do confronto. O presidente optou por conceder uma entrevista ao Flow Podcast na mesma noite.

Com a ausência dos dois candidatos e as alterações judiciais de última hora, a Globo decidiu retirar o debate da programação. A emissora havia preparado o evento nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, com mediação de César Tralli.

Globo cancela último debate antes do primeiro turno

O cancelamento tem peso especial porque o encontro seria o último debate presidencial na televisão antes da votação.

O primeiro turno das eleições acontece neste domingo, 4 de outubro de 2026. Assim, os candidatos chegariam ao programa em uma das últimas grandes oportunidades de exposição nacional antes de os eleitores irem às urnas.

O episódio também encerra uma quinta-feira marcada por decisões sucessivas envolvendo as regras do debate. De um lado, o TSE sustentou que precisava preservar a facultatividade da participação e a igualdade entre as candidaturas. Do outro, a Globo manifestou discordância com as interferências judiciais sobre um formato previamente organizado para o encontro.

Até o fechamento desta matéria, a formulação da Globo sobre “interferência indevida do Judiciário”, anunciada na transmissão da GloboNews, ainda não havia sido localizada em uma nota escrita oficial publicada pela emissora. O cancelamento do debate, porém, já havia sido confirmado por veículos de imprensa às 20h42 desta quinta-feira.

Foto de Yuri Scardini

Yuri Scardini

Yuri Scardini é diretor de jornalismo do Jornal Tempo Novo e colunista do portal. À frente da coluna Mestre Álvaro, aborda temas relevantes para quem vive na Serra, com análises aprofundadas sobre política, economia e outros assuntos que impactam diretamente a vida da população local. Seu trabalho se destaca pela leitura crítica dos fatos e pelo uso de dados para embasar reflexões sobre o município e o Espírito Santo.

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