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Maior rede de supermercados do Brasil fecha 28 lojas e demite 6 mil funcionários em vários estados

Rede de supermercados fechou 28 lojas e demitiu 6 mil funcionários.
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Rede de supermercados Lojas Funcionários
Rede de supermercados fechou 28 lojas e demitiu 6 mil funcionários. Crédito: Divulgação
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Uma das gigantes do varejo alimentar brasileiro promoveu uma forte reorganização de suas operações, com fechamento de dezenas de lojas e uma redução expressiva no número de funcionários.

Em poucos meses, a companhia passou a contar com 6.673 trabalhadores a menos. Ao mesmo tempo, 28 unidades de uma de suas operações foram encerradas, enquanto departamentos inteiros de móveis, eletrodomésticos e eletrônicos deixaram de funcionar dentro de outros estabelecimentos.

As mudanças atingem principalmente estados do Norte e Nordeste e acontecem após anos de expansão acelerada, período em que a empresa abriu lojas, ampliou centros de distribuição e avançou para novos mercados.

Agora, porém, a estratégia mudou. A prioridade passou a ser aumentar a produtividade, controlar despesas e concentrar investimentos nos negócios considerados mais rentáveis.

A empresa por trás dessa transformação é o Grupo Mateus, responsável por marcas como Mateus Supermercados, Mix Mateus e Eletro Mateus. Atualmente, o grupo aparece entre os três maiores do varejo alimentar nacional e ocupa a liderança entre as companhias de capital 100% brasileiro.

Rede de supermercados demite 6 mil funcionários

Uma das maiores mudanças aconteceu no número de trabalhadores, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

No fim de 2025, o Grupo Mateus possuía aproximadamente 47,9 mil funcionários. Entretanto, ao término do primeiro trimestre de 2026, esse número havia caído para cerca de 41,2 mil.

Assim, a diferença chegou a aproximadamente 6.673 trabalhadores em poucos meses, o equivalente a uma redução próxima de 13,9% no quadro.

As alterações alcançaram principalmente mercados onde o grupo mantém forte atuação, incluindo Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia.

Apesar disso, a companhia não apresentou uma lista completa informando quantos desligamentos ocorreram em cada cidade ou unidade.

A redução acontece justamente depois de um período no qual o Grupo Mateus ampliou rapidamente sua estrutura. Além de supermercados, a companhia investiu em atacarejos, centros de distribuição e novas operações comerciais.

Com a nova estratégia, a administração passou a revisar custos e cobrar maior retorno das unidades já existentes.

Rede fecha 28 lojas

A reestruturação também alcançou os pontos de venda.

Durante 2025, o Grupo Mateus encerrou 28 unidades da operação Eletro, segmento dedicado principalmente à comercialização de eletrodomésticos, móveis e produtos eletrônicos.

Portanto, não foram 28 supermercados tradicionais que fecharam as portas. Os encerramentos envolveram estabelecimentos especializados da rede.

O Pará concentrou parte importante dessas mudanças. Somente no último trimestre de 2025, 13 lojas Eletro foram fechadas no estado.

Além disso, a companhia decidiu retirar os departamentos de eletroeletrônicos que funcionavam dentro de outras 20 unidades voltadas principalmente para a comercialização de alimentos.

Dessa forma, o grupo passou a reduzir negócios com desempenho considerado abaixo do esperado e direcionar mais recursos para operações com maior potencial de retorno.

Por que a rede de supermercados está reduzindo custos?

A mudança ocorre depois de vários anos de crescimento acelerado.

Durante esse período, o Grupo Mateus ampliou sua presença principalmente no Norte e Nordeste. Consequentemente, também aumentaram os gastos com funcionários, logística, imóveis, energia, distribuição e estruturas administrativas.

Por isso, a empresa colocou produtividade, controle de despesas e rentabilidade entre suas prioridades.

Contratos, despesas internas e operações comerciais passaram a enfrentar análises mais rigorosas. Além disso, a companhia mudou a forma como avalia futuras inaugurações.

A expansão continua nos planos, mas cada novo projeto precisa demonstrar uma expectativa de retorno considerada adequada pela administração.

Lucro da rede

Os resultados financeiros ajudam a explicar a busca por maior eficiência.

No segundo trimestre de 2026, o Grupo Mateus registrou lucro líquido de aproximadamente R$ 236,8 milhões.

Embora a companhia tenha continuado lucrativa, o resultado ficou cerca de 39,3% abaixo do registrado no mesmo período de 2025, quando o lucro havia alcançado aproximadamente R$ 390 milhões.

No primeiro semestre, a tendência também apareceu. Entre janeiro e junho de 2026, o lucro líquido ficou próximo de R$ 449,7 milhões, uma redução de aproximadamente 32,1% na comparação anual.

Além disso, as vendas nas mesmas lojas apresentaram retração.

No segundo trimestre, esse indicador caiu aproximadamente 8%. Já no acumulado dos primeiros seis meses do ano, a diminuição ficou próxima de 7,7%.

Esse índice acompanha o desempenho das unidades que já estavam em funcionamento e permite observar se as lojas consolidadas estão vendendo mais ou menos.

Faturamento, porém, continuou crescendo

Apesar da redução do lucro e das vendas em unidades já existentes, a receita total da companhia avançou.

No segundo trimestre de 2026, o Grupo Mateus alcançou receita líquida de aproximadamente R$ 9,85 bilhões, crescimento de cerca de 12,2% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

A expansão das operações e a incorporação de novos negócios ajudaram a impulsionar esse resultado.

Entre eles está o Novo Atacarejo, além de novas unidades inauguradas pelo grupo.

Assim, a companhia enfrenta movimentos diferentes ao mesmo tempo: enquanto determinadas operações apresentam desempenho mais fraco e passam por cortes, a expansão em outros mercados continua aumentando o faturamento.

Rede continua abrindo supermercados e atacarejos

O fechamento das 28 unidades Eletro não representa o fim da expansão da companhia.

Enquanto negócios menos rentáveis passam por revisão, o grupo continua inaugurando supermercados e atacarejos em regiões consideradas estratégicas.

Somente no primeiro semestre de 2026, novas operações começaram a funcionar em diferentes mercados.

A diferença está na maneira como a empresa pretende crescer daqui para frente.

Em vez de priorizar apenas o aumento acelerado do número de lojas, a administração quer concentrar os investimentos em projetos que apresentem maior possibilidade de retorno.

Rede de supermercados faturou R$ 43 bilhões

Mesmo após os cortes, o Grupo Mateus permanece entre os maiores nomes do varejo alimentar brasileiro.

Segundo o Ranking ABRAS 2026, que considera o faturamento obtido em 2025, a companhia registrou aproximadamente R$ 43,55 bilhões em receitas.

Com esse resultado, apareceu na terceira colocação nacional.

O Carrefour liderou o ranking, com aproximadamente R$ 123,59 bilhões, enquanto o Assaí ficou na segunda posição, com cerca de R$ 84,74 bilhões.

Entretanto, quando a comparação considera apenas empresas de capital integralmente brasileiro, o Grupo Mateus ocupa a primeira posição.

Por isso, a companhia pode ser considerada a maior empresa de varejo alimentar com capital 100% nacional.

Rede começou como mercearia

A dimensão atual do Grupo Mateus contrasta com sua origem.

A empresa começou em 1986, quando Ilson Mateus abriu uma pequena mercearia de aproximadamente 50 metros quadrados em Balsas, no Maranhão.

Com o passar dos anos, o negócio avançou para o atacado e passou a fornecer mercadorias para comerciantes de outras cidades.

Posteriormente, a empresa ampliou depósitos, criou novas estruturas logísticas e abriu diferentes formatos de lojas.

A expansão levou o grupo para além do Maranhão e fortaleceu principalmente sua presença nas regiões Norte e Nordeste.

Atualmente, a companhia reúne marcas como Mateus Supermercados, Mix Mateus, Camiño, Spazio, Eletro Mateus e Armazém Mateus, além das operações relacionadas ao Novo Atacarejo.

O fechamento de 28 lojas Eletro e a redução de mais de 6,6 mil trabalhadores mostram, portanto, uma mudança de direção.

A empresa continua expandindo em determinados mercados, mas agora pretende selecionar com mais rigor os locais e negócios que receberão novos investimentos. Depois de anos de crescimento acelerado, o foco passou a combinar expansão, produtividade, redução de despesas e maior retorno financeiro.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos do Brasil e temas de interesse público nacional.

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