Eu ainda lembro quando R$ 50 mil comprava um carro 0 km decente. Pois essa época acabou. Hoje, para sair de uma concessionária com um carro novo, é preciso separar pelo menos R$ 72.490. Ou seja, esse já é o preço do carro mais barato do país.
Os carros mais baratos do Brasil em 2026
Um levantamento do UOL, divulgado no início de julho, mostra que o Fiat Mobi assumiu a liderança entre os carros mais baratos do Brasil. Segundo o estudo, o modelo custa R$ 72.490. Assim, ele tomou o posto do Citroën C3, que segurou a ponta até abril e hoje custa R$ 76.990. Já em terceiro lugar, aparece o Renault Kwid, por R$ 82.790.
Esses três modelos, com suas versões de entrada, são os únicos carros 0 km vendidos no Brasil hoje por menos de R$ 90 mil. Além disso, o cenário fica ainda mais apertado quando olho para a lista completa dos dez mais baratos. Afinal, no mercado nacional, só existem 10 opções custando menos de R$ 100 mil. E a última delas, o Fiat Pulse, já bate R$ 99.990.
Como era o mercado em 2020
Para quem acompanha esse mercado de perto, como eu, o comparativo com 2020 impressiona. Naquele ano, por exemplo, o carro mais barato do Brasil era o próprio Renault Kwid, por R$ 34.990. Assim, em seis anos, o preço de entrada mais que dobrou. Hoje, o Kwid, que já foi o mais em conta do país, ocupa a terceira posição entre os mais baratos. Ainda assim, ele custa mais que o dobro do que custava em 2020.
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Por que o preço dos carros zero km subiu tanto
E não é só o carro de entrada que ficou mais caro. Na verdade, o preço médio dos veículos zero km também disparou. Em 2020, a média nacional era de R$ 86,5 mil. Já em janeiro deste ano, esse valor chegou a R$ 159.679, contra R$ 155.642 registrados em agosto de 2025.
Assim, foram apenas cinco meses para o consumidor brasileiro passar a desembolsar R$ 4.037 a mais pelo mesmo carro. O dado é do Estudo de Preços de Veículos Zero Km, feito pela MegaDealer com informações da Auto Avaliar.
Por isso, vale entender de onde vem essa alta. O estudo mostra que o desconto das concessionárias não diminuiu, pelo contrário. Na verdade, o problema é a base de preço, que subiu antes mesmo do desconto entrar na conta. Em agosto de 2025, o preço de tabela médio estava em R$ 167.871. Já em janeiro de 2026, esse valor passava de R$ 172.800, alta de quase R$ 4.900 em cinco meses.
Na prática, isso empurra cada vez mais gente para o mercado de usados e seminovos, mesmo quem sonha em ser o primeiro dono do próprio carro. E, olhando os números, entendo bem por quê. Com apenas dez modelos abaixo de R$ 100 mil e a média nacional beirando R$ 160 mil, comprar um carro 0 km deixou de ser uma decisão simples. Cada vez mais, portanto, virou um projeto financeiro de longo prazo.

