Carro usado acima de R$ 100 mil está cada vez mais difícil de vender. Donos de revendas têm me dito, com frequência cada vez maior, que veículos nessa faixa estão ficando parados no pátio, sem comprador à vista, e preveem que a situação vai piorar em 2026 e 2027. Não é exagero nem conversa de comerciante. É o que os dados do mercado mostram.
O chamado “efeito BYD” ajuda a entender o cenário. Com a chegada em peso das montadoras chinesas, o consumidor que antes buscava um seminovo de marca tradicional passou a considerar um zero-quilômetro, elétrico ou híbrido, com preço parecido e tecnologia mais atual. Isso derrubou a procura pelos usados de alto valor e acelerou a desvalorização.
Quanto os carros caros estão perdendo
Os números confirmam o aperto. Segundo o índice IBV Auto, do banco BV, carros elétricos lançados em 2023 já acumulam queda de 46,1% até junho de 2026. No mesmo período, os híbridos perderam 26,1% e os modelos a combustão, 19,6%. Levantamentos com base na Tabela Fipe mostram recuos de mais de 25% em um único ano para versões premium, incluindo modelos da própria BYD.
Analistas ouvidos pela imprensa em julho de 2026 descrevem o momento como um dos mais difíceis da década para os seminovos. Juros altos, pátios cheios e a oferta agressiva de elétricos chineses novos travaram as vendas, principalmente acima de R$ 100 mil.
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O outro lado
A conta, porém, não é igual para todo mundo. Enquanto os usados caros encalham, os elétricos mais baratos saem rápido. Modelos como BYD Dolphin e Dolphin Mini estão entre os seminovos que menos ficam parados, com boa procura de motoristas de aplicativo e pequenas locadoras. Ou seja, o problema atinge o carro de luxo usado, não o elétrico em si.
Aproveito para acertar um número que sempre aparece nessa conversa. A garantia da BYD no Brasil é de seis anos para o veículo e oito anos para a bateria. Nos modelos 2026/2027, a marca ainda passou a limitar essa cobertura a 200 mil quilômetros.
O detalhe do IPVA no Espírito Santo
Tem ainda um ponto que muita gente esquece por aqui. Em vários estados, o carro elétrico tem isenção ou desconto no IPVA. No Espírito Santo, não. O estado cobra a alíquota de 2% tanto para o elétrico quanto para o carro a combustão. Então quem pensa em comprar um elétrico caro no ES não vai encontrar o imposto simbólico que existe em lugares como o Distrito Federal ou o Rio de Janeiro.
O recado, para quem vive de comprar e vender carro na Serra e na Grande Vitória, é de atenção. Investir alto em usado de luxo virou aposta de risco. Quem quiser sobreviver a esse novo mercado vai ter que ajustar estoque, girar mais rápido e enxergar o que o cliente realmente está comprando agora.
