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Gigantes dos supermercados e farmácias anunciam fim da escala 6×1 para todos os trabalhadores de forma antecipada

Gigantes dos supermercados e farmácias antecipam fim da escala 6x1 para todos os trabalhadores.
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Escala 6x1 Supermercados Farmácias
Gigantes dos supermercados e farmácias antecipam fim da escala 6x1 para todos os trabalhadores. Crédito: Divulgação
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Milhares de trabalhadores brasileiros já começaram a se despedir da tradicional escala 6×1. Grandes redes de supermercados e farmácias decidiram antecipar a mudança na jornada e passaram a garantir dois dias de descanso por semana aos funcionários, sem esperar pela obrigatoriedade da nova legislação.

A transformação alcança algumas das maiores empresas do comércio nacional, incluindo companhias que administram milhares de estabelecimentos e empregam dezenas de milhares de profissionais. Em determinadas redes, a escala 5×2 já foi implantada em todas as lojas. Em outras, a substituição acontece gradualmente.

Além de proporcionar mais tempo livre aos trabalhadores, a iniciativa busca solucionar dificuldades enfrentadas pelo varejo, como a falta de candidatos para vagas de emprego, as faltas frequentes e a saída de funcionários.

Entre as empresas que anunciaram a antecipação estão Raia, Drogasil, Drogarias São Paulo, Pacheco, Savegnago, Supernosso, Extrabom, Coop, Farmácias São João e Supermercados Pague Menos.

A mudança também ocorre após uma decisão histórica do Congresso Nacional. Em 16 de outubro de 2026, o Congresso promulgou a Emenda Constitucional nº 141, que estabelece o fim da escala 6×1 como regra geral, garante duas folgas remuneradas por semana e determina a redução gradual da jornada de trabalho sem diminuição salarial.

Raia, Drogasil, Drogarias São Paulo e Pacheco antecipam fim da escala 6×1

As redes de farmácias estão entre as empresas que mais avançaram na substituição da jornada tradicional, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

A RD Saúde, responsável pelas bandeiras Raia e Drogasil, implementou o modelo 5×2 em suas mais de 3.500 farmácias espalhadas pelo Brasil.

A iniciativa começou no segundo semestre de 2025, inicialmente entre gerentes e farmacêuticos. Com o avanço da reorganização interna, a companhia estendeu a nova escala aos demais funcionários das lojas.

Assim, os profissionais passaram a cumprir cinco dias de expediente e contar com duas folgas semanais.

Outra gigante que decidiu antecipar a transformação foi o Grupo DPSP, proprietário das Drogarias São Paulo e Pacheco.

A empresa iniciou a migração em agosto de 2025 e ampliou o sistema para toda a operação de aproximadamente 1.650 estabelecimentos, alcançando cerca de 24 mil trabalhadores.

Segundo a companhia, os resultados apareceram tanto na satisfação dos funcionários quanto na capacidade de contratar e manter profissionais.

A mudança também exigiu uma reorganização dos turnos, especialmente porque algumas drogarias funcionam até tarde ou permanecem abertas durante 24 horas.

Entretanto, as duas empresas mantiveram inicialmente a carga de 44 horas semanais, distribuída entre cinco dias de trabalho.

Com a nova legislação, precisarão adequar também a quantidade de horas trabalhadas aos limites constitucionais.

Gigante dos supermercados acaba com escala 6×1 em todas as lojas

No setor de supermercados, o Grupo Savegnago se tornou um dos principais exemplos de antecipação da jornada 5×2.

A companhia iniciou os testes em novembro de 2025, durante a abertura de um supermercado em Indaiatuba, no interior de São Paulo.

Posteriormente, o sistema avançou para estabelecimentos de Campinas, Sumaré e Hortolândia, além de unidades do Paulistão Atacadista.

Os resultados levaram a empresa a anunciar, em janeiro de 2026, a ampliação da escala para todos os supermercados da bandeira Savegnago, com implantação a partir de fevereiro.

A iniciativa também alcançou unidades do Paulistão Atacadista. Em outubro, a companhia já informava que suas 77 lojas das duas bandeiras operavam com a escala 5×2.

Um dos principais resultados foi o crescimento de 120% na procura por oportunidades de emprego após a mudança.

Além disso, a rede identificou diminuição de gastos com horas extras e melhorias nos indicadores relacionados à presença e permanência dos funcionários.

Para realizar a alteração, a companhia manteve inicialmente as 44 horas semanais, distribuindo o expediente em cinco dias de aproximadamente 8 horas e 48 minutos.

Dessa maneira, os trabalhadores passaram a contar com mais um dia de descanso, enquanto a rede reorganizou o funcionamento das unidades.

Supernosso anuncia fim da escala 6×1 para milhares de funcionários

O Grupo Supernosso também decidiu substituir gradualmente a jornada de seis dias trabalhados por apenas um de descanso.

A empresa, responsável pelas redes Supernosso e Apoio Mineiro, iniciou a experiência em março de 2026, envolvendo aproximadamente 500 trabalhadores de três estabelecimentos.

A primeira etapa apresentou resultados considerados positivos, especialmente na retenção de funcionários.

Além disso, segundo a companhia, a reorganização não provocou redução nas vendas das unidades participantes.

Diante disso, o grupo anunciou uma nova fase em junho, com a inclusão de mais 13 lojas na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

O planejamento divulgado prevê estender o modelo às 45 unidades da rede até o final de 2026, alcançando aproximadamente 4.800 profissionais.

Para viabilizar a mudança, alguns estabelecimentos precisaram reduzir seus horários de funcionamento e redistribuir as equipes.

A companhia também passou a organizar melhor os turnos de trabalho, permitindo que os funcionários tenham dois dias de descanso, consecutivos ou alternados.

Extrabom antecipa fim da escala 6×1

Outra rede que decidiu antecipar a mudança foi o Grupo Coutinho, responsável pelos supermercados Extrabom, Extraplus e Atacado Vem.

A implantação da escala 5×2 começou em março de 2026, inicialmente em três supermercados do Espírito Santo.

As primeiras unidades contempladas foram Laranjeiras, na Serra; Praia das Gaivotas, em Vila Velha; e Vila Rubim, em Vitória.

Posteriormente, a empresa começou a ampliar a utilização do novo sistema em outras operações.

Em outubro, anúncios de emprego do grupo já ofereciam oportunidades com escala 5×2 em diferentes estabelecimentos.

Entre os cargos anunciados estavam operadores de caixa, embaladores, auxiliares de produção, açougueiros e profissionais de limpeza.

As vagas também passaram a alcançar estabelecimentos de outras regiões, demonstrando o avanço da nova organização de trabalho.

Apesar disso, a companhia ainda não havia divulgado uma confirmação de que todos os funcionários de todas as suas unidades já estavam trabalhando no sistema 5×2.

Portanto, a antecipação ocorre de forma progressiva, conforme as necessidades operacionais dos estabelecimentos.

Coop e Farmácias São João também substituem escala 6×1

A Coop, cooperativa que atua nos segmentos de supermercados e drogarias, também adotou medidas para aumentar os dias de descanso dos funcionários.

Desde 2 de fevereiro de 2026, todas as drogarias da empresa passaram a utilizar a escala 5×2.

A iniciativa envolve estabelecimentos da região do ABC paulista e de cidades como São José dos Campos, Sorocaba, Piracicaba e Tatuí.

Nos supermercados, entretanto, a companhia começou com uma experiência em Piracicaba.

A proposta foi observar os resultados do novo modelo antes de realizar uma expansão para outras unidades do comércio alimentar.

Outra empresa que iniciou a transformação foi a Farmácias São João, uma das principais redes de drogarias da Região Sul.

Com aproximadamente 1.250 lojas e mais de 24 mil funcionários, a companhia começou a implementar o sistema 5×2 em parte de seus estabelecimentos durante 2026.

A implantação acontece gradualmente, acompanhada de avaliações sobre a organização dos turnos e os impactos na rotina dos trabalhadores.

Diferentemente da RD Saúde e do Grupo DPSP, a Farmácias São João ainda não havia confirmado a conclusão da mudança em todos os estabelecimentos.

Supermercados Pague Menos também antecipam nova jornada

A Rede de Supermercados Pague Menos, que atua no interior paulista, também começou a abandonar a escala 6×1 antes da obrigatoriedade nacional.

O novo formato passou a ser utilizado inicialmente em estabelecimentos de Limeira e São Pedro, em janeiro de 2026.

A empresa anunciou a intenção de ampliar o sistema para outras lojas, considerando as características de cada unidade.

A reorganização também incluiu mudanças no atendimento aos domingos, com redução de horários em determinados supermercados.

Assim, a rede passou a buscar um equilíbrio entre o funcionamento comercial e a concessão de mais tempo de descanso aos profissionais.

A implantação, porém, não ocorreu simultaneamente em todos os estabelecimentos.

Vale destacar que a Rede de Supermercados Pague Menos é uma companhia diferente da rede de farmácias Pague Menos.

Fim da escala 6×1 foi aprovado

A decisão dessas empresas ganhou ainda mais importância depois que o Congresso Nacional concluiu a aprovação do fim da escala 6×1.

Em 14 de outubro de 2026, o Senado Federal aprovou a PEC 221/2019 em dois turnos, com 75 votos favoráveis e apenas um contrário em cada votação.

A proposta já havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados e seguiu diretamente para promulgação.

Dois dias depois, em 16 de outubro, o Congresso promulgou a Emenda Constitucional nº 141 de 2026.

A mudança passou a integrar a Constituição Federal, estabelecendo um novo padrão para a organização das jornadas de trabalho.

A emenda assegura dois dias de repouso semanal remunerado, sendo um deles preferencialmente aos domingos.

Além disso, determina a redução da jornada máxima regular de 44 para 40 horas semanais, por meio de um período de transição.

Outra garantia é a manutenção dos salários. Portanto, a diminuição das horas trabalhadas não poderá ser utilizada para reduzir a remuneração dos empregados abrangidos pela regra.

Como se trata de uma emenda constitucional, a medida não depende de sanção presidencial.

Quando o fim da escala 6×1 será obrigatório no Brasil?

A nova regra estabelece um período de dois meses após a publicação da emenda para o início da obrigatoriedade das duas folgas semanais.

Como a Emenda Constitucional nº 141 foi publicada em 16 de outubro de 2026, a contagem desse prazo em meses aponta para 16 de dezembro de 2026.

Entretanto, algumas comunicações oficiais mencionaram 15 de dezembro, utilizando como referência o prazo de 60 dias. Por isso, existe uma diferença na indicação do dia exato de início da primeira etapa.

De qualquer maneira, a obrigatoriedade começa em meados de dezembro de 2026.

A transição prevê duas etapas principais:

  • Dezembro de 2026: início da obrigatoriedade de duas folgas remuneradas por semana, observadas as exceções constitucionais, e redução da jornada máxima regular para 42 horas semanais.
  • Dezembro de 2027: conclusão da redução, com jornada máxima regular de 40 horas por semana, sem diminuição dos salários.

Assim, os trabalhadores abrangidos pela nova regra não precisarão esperar até o final de 2027 para receber a segunda folga semanal.

A garantia de mais descanso será aplicada primeiro. Depois, ocorrerá a última etapa da redução da carga horária.

Quem já trabalha na escala 5×2 terá mudança na jornada?

Os funcionários que já trabalham cinco dias por semana poderão ter uma nova mudança na quantidade de horas cumpridas.

Isso acontece porque muitas redes de supermercados e farmácias anteciparam a segunda folga, mas conservaram inicialmente as 44 horas semanais.

Nesse modelo, os empregados passaram a trabalhar aproximadamente 8 horas e 48 minutos por dia, considerando uma distribuição uniforme da carga horária.

Com a primeira etapa da nova legislação, o limite semanal regular será de 42 horas.

Se a empresa distribuir igualmente esse período entre cinco dias, o expediente será de aproximadamente 8 horas e 24 minutos diários, observadas as condições de compensação autorizadas pela Constituição.

Posteriormente, com a redução definitiva para 40 horas semanais, a jornada regular poderá ser organizada em cinco dias de oito horas.

A mudança também deverá preservar a remuneração dos funcionários.

Por exemplo, um empregado que atualmente recebe R$ 2.500 mensais para cumprir 44 horas semanais continuará recebendo o mesmo salário nominal quando sua jornada regular for reduzida para 42 e, depois, 40 horas.

Dessa forma, os trabalhadores das redes que já anteciparam o fim da escala 6×1 poderão conquistar uma nova vantagem.

Além de manter as duas folgas semanais, terão a carga horária reduzida, conforme as etapas estabelecidas pela Constituição.

A antecipação feita pelas grandes empresas, portanto, representa apenas uma parte da transformação. A próxima mudança será adequar os horários de trabalho à nova jornada máxima, garantindo os direitos previstos na legislação.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos do Brasil e temas de interesse público nacional.

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