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Multinacional troca humanos por robôs de IA, mas recontrata trabalhadores após colapso na fábrica

A multinacional decidiu trocar humanos por robôs de IA, mas recontratou os trabalhadores.
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A multinacional decidiu trocar humanos por robôs de IA, mas recontratou os trabalhadores. Crédito: Divulgação
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Uma multinacional do setor automotivo precisou voltar atrás em parte da aposta feita na inteligência artificial depois que os “robôs de IA” não conseguiram entregar o mesmo nível de precisão de trabalhadores experientes dentro da fábrica. O resultado foi um colapso na estratégia de controle de qualidade e a necessidade de chamar profissionais humanos de volta.

A empresa é a Ford, uma das maiores montadoras do mundo. Nos últimos anos, a fabricante recontratou cerca de 300 engenheiros e inspetores veteranos para reforçar as inspeções de qualidade e corrigir falhas que os sistemas automatizados não conseguiram resolver sozinhos.

A montadora vinha ampliando o uso de inteligência artificial em várias áreas da operação. A ideia era reduzir custos, acelerar processos e aumentar a produtividade. No entanto, a experiência mostrou que a tecnologia ainda dependia do conhecimento acumulado por profissionais humanos para funcionar melhor.

Na prática, os chamados robôs de IA incluem sistemas de automação, câmeras inteligentes, aprendizado de máquina e ferramentas digitais usadas para identificar defeitos nos veículos.

Mesmo com esse avanço, a Ford percebeu que a tecnologia não substituiu a experiência de quem passou décadas acompanhando projetos, testes, montagem e falhas reais de produção.

Multinacional apostou em IA para melhorar a fábrica

A Ford colocou a inteligência artificial no centro de parte de sua estratégia industrial. A montadora queria usar a tecnologia para encontrar problemas ainda na origem, evitar retrabalho e impedir que falhas chegassem às etapas finais de produção.

Durante uma apresentação de resultados, a empresa informou que instalou 900 câmeras equipadas com inteligência artificial dentro do sistema industrial. O objetivo era detectar falhas de qualidade com mais rapidez e reduzir interrupções na cadeia de produção.

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Além disso, a empresa acreditava que os sistemas digitais poderiam analisar requisitos técnicos de projeto e ajudar a garantir veículos com alto padrão de qualidade. Porém, a prática mostrou um limite importante: a IA não tinha a vivência dos engenheiros mais antigos.

Robôs de IA falharam onde a experiência humana fazia diferença

Charles Poon, vice-presidente de engenharia de hardware de veículos da Ford, reconheceu que a montadora superestimou a capacidade da inteligência artificial em algumas áreas. Segundo ele, a tecnologia pode ser uma ferramenta poderosa, mas depende diretamente da qualidade das informações usadas no treinamento.

O executivo afirmou que a Ford também deixou de valorizar, como deveria, a experiência dos profissionais mais qualificados. Muitos deles acompanharam vários ciclos de desenvolvimento de produtos e conheciam detalhes que não estavam registrados em bancos de dados ou sistemas automatizados.

Com isso, a empresa percebeu que não bastava alimentar a IA com normas de projeto e esperar que ela entregasse veículos melhores. Para funcionar de verdade, a tecnologia precisava aprender com pessoas que já haviam enfrentado problemas reais na linha de produção.

Trabalhadores veteranos foram chamados de volta

Após identificar as limitações da inteligência artificial, a Ford decidiu recontratar engenheiros e inspetores veteranos. Esses profissionais passaram a atuar tanto nas inspeções de qualidade quanto no treinamento das ferramentas de automação e aprendizado de máquina.

A função deles agora vai além de olhar peças, acabamentos e processos. Eles ajudam a ensinar os sistemas de IA a reconhecer falhas, interpretar situações complexas e tomar decisões com base em experiências acumuladas ao longo de décadas.

Além disso, esses trabalhadores também passaram a orientar funcionários mais jovens. Dessa forma, a montadora tenta evitar que o conhecimento técnico desapareça quando profissionais experientes deixam a empresa.

Multinacional reconhece erro na estratégia

A Ford admitiu que errou ao imaginar que poderia simplesmente implantar inteligência artificial e esperar uma melhora automática na qualidade dos veículos. Segundo a empresa, parte do conhecimento necessário para treinar os sistemas estava justamente com os profissionais que haviam saído.

Por isso, a recontratação dos veteranos virou uma peça importante na recuperação do controle de qualidade. A montadora entendeu que a IA pode acelerar processos, mas ainda precisa da inteligência humana para identificar detalhes que não aparecem facilmente em relatórios ou códigos.

O caso ganhou força porque várias empresas no mundo tentam substituir etapas de trabalho humano por inteligência artificial. No entanto, a experiência da Ford mostra que, em áreas críticas, a troca pode sair mais cara do que o esperado.

Ford comemora melhora na qualidade

A mudança de rota ocorreu no mesmo período em que a Ford registrou avanço em seus indicadores de qualidade, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo. A montadora alcançou o primeiro lugar entre as fabricantes de veículos de grande volume no estudo JD Power Initial Quality Study, realizado nos Estados Unidos.

Segundo a própria empresa, essa foi a primeira vez desde 2010 que a marca liderou o ranking. Depois do resultado, a Ford afirmou que a melhora exigiu uma renovação significativa de talentos.

A companhia também promoveu mudanças em cargos de liderança nas áreas de engenharia, cadeia de suprimentos e manufatura. Além disso, destacou a chegada dos cerca de 300 engenheiros veteranos, profissionais que carregam a experiência acumulada ao longo de muitos anos de desenvolvimento de veículos.

No fim, a multinacional acabou mostrando que a inteligência artificial pode transformar fábricas, acelerar tarefas e ajudar na inspeção de veículos. Porém, quando o assunto envolve qualidade, julgamento técnico e experiência prática, os trabalhadores humanos ainda fazem diferença.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos da cidade da Serra e temas de interesse público estadual.

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