A chegada da GWM ao Espírito Santo, formalizada nesta terça-feira (30), é o maior negócio fechado no estado desde a instalação da antiga Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST), atual ArcelorMittal, na Serra, em 1983. O investimento da montadora chinesa deve romper a casa dos bilhões de reais e gerar uma cadeia de mais de 10 mil empregos.
A nova unidade terá capacidade para produzir 20 mil veículos por mês e deverá entrar em operação já em 2029. A produção vai abastecer o mercado latino-americano e fortalecer a posição da marca no segmento de eletrificados, que cresce rapidamente no país.
É importante destacar que não se trata de uma montadora, e sim de uma fábrica. O endereço já está definido: a unidade será instalada em Barra do Riacho, em Aracruz, próxima à fábrica da Suzano.
Disputa que durou mais de um ano
A chegada da GWM é resultado de um trabalho institucional conduzido pelo governador Ricardo Ferraço, que durou mais de um ano. O Espírito Santo superou na disputa estados como Rio Grande do Sul e Santa Catarina, que também concorriam pela fábrica.
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Desde 1983, nenhum investimento havia chegado ao território capixaba com esse porte. A instalação da antiga CST, na Serra, encerrou o ciclo dos grandes projetos industriais daquele período, que já tinha trazido ao estado a Vale, a Samarco e a Aracruz Celulosa, atual Suzano.
De lá para cá, o Espírito Santo recebeu outros negócios relevantes, como a própria Jurong, em Aracruz, e os parques de extração de petróleo no litoral sul. Mas, em termos de investimento individual em um novo negócio, nada se aproxima do que representa a chegada da GWM.
Indústria limpa e qualificada
Além do tamanho do investimento, a chegada da GWM se destaca por outros aspectos. A fábrica não é poluente. Ao contrário, está inserida na cadeia de energia limpa, atrai mão de obra qualificada e acompanha as tendências do setor automotivo mundial.
“Estamos celebrando um marco histórico que confirma aquilo que temos dito: o Espírito Santo é o Brasil que dá certo. Há dois anos conduzimos esse processo, competindo não apenas com outros estados, mas também com outros países para receber aquele que será o primeiro investimento industrial da GWM fora da Ásia. Queremos agregar valor à nossa economia, gerar empregos de qualidade para os capixabas e consolidar o Espírito Santo como referência para novos investimentos”, afirmou o governador Ricardo Ferraço.
Na prática, a unidade inaugura a chamada indústria 5.0 no Espírito Santo, que integra o trabalho humano à automação avançada e à inteligência artificial. Um grande dia para os capixabas.
Próximos passos
Após a cerimônia, o projeto avançará para uma nova etapa de preparação técnica e institucional. Esse estágio inclui processos de licenciamento ambiental, estudos técnicos, planejamento industrial, arranjo do terreno e articulações voltadas à qualificação profissional e à construção de parcerias com instituições de ensino e formação de mão de obra. O objetivo é estruturar a base necessária para dar suporte à futura operação da fábrica e à cadeia produtiva associada ao empreendimento.