Uma fábrica ligada a uma multinacional presente em dezenas de países vai encerrar sua produção no Brasil e mudar o papel de uma unidade histórica instalada em São Paulo. A decisão marca o fim de uma atividade industrial que funcionava há décadas e atinge diretamente trabalhadores, prestadores de serviço e moradores do entorno.
A unidade pertence à Isover, marca do Grupo Saint-Gobain, uma gigante internacional do setor de materiais para construção e isolamento. A empresa atua em 39 países, reúne mais de 12 mil funcionários somente no Brasil e mantém dezenas de fábricas espalhadas pelo mundo.
No Brasil, a mudança envolve a fábrica de Santo Amaro, na zona Sul de São Paulo. O local produz lã de vidro, material usado para isolamento térmico e acústico em obras, indústrias, veículos, estruturas agrícolas e projetos de infraestrutura.
Agora, porém, a produção industrial da unidade chegará ao fim. A decisão faz parte de um acordo firmado entre a empresa, o Ministério Público e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo.
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Fábrica de multinacional será fechada
Pelo acordo, a Isover deverá encerrar a fabricação de lã de vidro na unidade até o dia 4 de julho de 2026. Depois disso, a empresa terá outro prazo importante: desligar o forno de fusão de vidro até 31 de julho de 2026.
Esse forno aparece como um dos principais pontos da discussão ambiental envolvendo a fábrica. Com o desligamento do equipamento, a unidade deixa de operar como indústria e encerra a etapa de produção no endereço.
A mudança, no entanto, não significa que a Isover deixará o Brasil, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo. A empresa informou que o espaço continuará funcionando, mas com outra finalidade. Em vez de fabricar os produtos, o local passará a atuar como centro de distribuição da companhia.
Ainda assim, o impacto é grande. A decisão encerra uma longa trajetória industrial da marca em Santo Amaro e muda a rotina de uma região que conviveu por décadas com a operação da fábrica.
Produção sai da unidade e preocupa trabalhadores
O fechamento da atividade industrial deve afetar mais de 100 famílias de trabalhadores diretos. Além disso, a paralisação também preocupa profissionais indiretos que dependem da operação da fábrica, como fornecedores, transportadores, prestadores de serviço e trabalhadores da logística.
A empresa afirmou que usará o período previsto no acordo para reduzir os impactos sociais da mudança. Mesmo assim, o fim da produção causa apreensão entre funcionários e moradores, já que a unidade deixará de ter sua principal atividade econômica.
Além da parte trabalhista, a Isover também terá que cumprir medidas ambientais. O acordo prevê ações relacionadas à gestão de áreas contaminadas, tratamento de resíduos e destinação correta dos materiais existentes no local.
Portanto, a desativação não envolve apenas o desligamento das máquinas. A empresa também deverá seguir uma série de obrigações antes de concluir a mudança definitiva da unidade.
Moradores reclamavam de fumaça, cheiro e barulho
O encerramento da produção acontece após anos de reclamações de moradores da região. Pessoas que vivem perto da fábrica relatavam incômodo com fumaça, cheiro forte e ruídos constantes, principalmente durante a noite.
Entre os problemas citados pela comunidade estavam ardência nos olhos, irritação na pele, dificuldade para respirar e desconforto provocado pelo funcionamento contínuo da unidade.
A pressão dos moradores ganhou mais força em 2023, quando a população protocolou uma petição na Companhia Ambiental do Estado de São Paulo pedindo providências sobre as emissões da fábrica. Depois disso, o Ministério Público passou a acompanhar o caso com mais atenção.
O tema também entrou na pauta de audiências públicas e reuniões com órgãos municipais e estaduais. Durante esses encontros, moradores relataram que a indústria funcionava inclusive de madrugada, com emissão de fumaça e mau cheiro pela chaminé.
Multinacional diz que cumpria regras ambientais em fábrica
A Isover, por sua vez, afirmou em nota enviada ao Estadão que sempre operou no local em conformidade com a legislação. A companhia também disse que seguia critérios de sustentabilidade e segurança da saúde humana definidos por entidades nacionais e internacionais.
Além disso, a empresa declarou que adotou um Plano de Melhoria Ambiental. Entre as medidas citadas estão investimentos em isolamento acústico, tecnologias para reduzir emissão de vapor de água e ações de comunicação com a comunidade local.
Mesmo com essas iniciativas, o acordo definiu o fim da produção industrial em Santo Amaro. Agora, autoridades, empresa e moradores ainda devem acompanhar os próximos passos, principalmente em relação ao futuro da área e às medidas ambientais após a paralisação.
Com isso, uma multinacional com atuação global encerra a fabricação em uma unidade tradicional no Brasil e transforma o antigo espaço industrial em centro de distribuição.