Uma montadora de carros vai encerrar a produção de veículos no Brasil e deixou centenas de trabalhadores em alerta. A decisão atinge uma fábrica instalada no país há cerca de dez anos e marca uma mudança importante na indústria automotiva nacional.
A unidade fica em Itatiaia, no Rio de Janeiro, e pertence à Jaguar Land Rover. No local, eram montados modelos da Land Rover, como o Discovery Sport e o Range Rover Evoque. No entanto, a operação brasileira perdeu força nos últimos anos e entrou na reta final.
Com o fim da produção, o principal temor agora envolve os empregos. A fábrica possui 371 trabalhadores diretos, segundo o sindicato que representa a categoria. Ainda não há garantia pública de que todos serão mantidos caso outra fabricante assuma o espaço.
Montadora encerra produção de carros no Brasil
A fábrica da Jaguar Land Rover em Itatiaia foi inaugurada para ampliar a presença da marca no mercado brasileiro. Porém, a operação nunca atingiu grandes volumes de produção.
Leia também
Nos últimos anos, a unidade passou a conviver com vendas abaixo do esperado. Além disso, o modelo de montagem também limitava a competitividade da operação no país.
A fábrica funcionava no sistema SKD. Nesse formato, boa parte das peças chega do exterior quase pronta, e a etapa final de montagem acontece no Brasil. Na prática, isso reduz o nível de nacionalização e mantém a operação dependente de componentes importados.
Agora, os últimos veículos já teriam sido montados. A previsão é que os carros restantes sejam enviados às concessionárias até meados de julho, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Baixa venda de carros pesou na decisão
O desempenho comercial ajuda a explicar o encerramento da produção nacional. Entre janeiro e maio deste ano, os modelos Discovery Sport e Range Rover Evoque somaram apenas 264 emplacamentos no Brasil.
O número é considerado baixo para sustentar uma fábrica dedicada à montagem desses veículos. Por isso, a operação industrial deixou de fazer sentido dentro da estratégia da montadora.
A Jaguar Land Rover informou que a produção seguiu normalmente em junho, dentro do planejamento da empresa. No entanto, a companhia não apresentou novos detalhes sobre o futuro da unidade.
Enquanto isso, funcionários seguem aguardando uma definição. A principal dúvida é se haverá transição para uma nova montadora ou se a fábrica passará por uma redução drástica no quadro de trabalhadores.
Funcionários de montadora podem ser demitidos
A situação mais delicada envolve os 371 empregos diretos da fábrica. Mesmo com o fim da produção da Land Rover, os trabalhadores continuam participando de cursos de especialização.
Segundo o Sindireal, sindicato dos metalúrgicos de Itatiaia e Porto Real, a prioridade é preservar os postos de trabalho. A entidade acompanha as negociações e cobra garantias para os funcionários.
O sindicato também informou que a JLR possui acordo coletivo em vigor e vem cumprindo as obrigações trabalhistas. Ainda assim, a preocupação continua porque o encerramento da produção pode abrir caminho para demissões.
Por isso, a possível chegada de uma nova fabricante ao local passou a ser vista como a principal chance de manter os empregos.
Chery negocia assumir fábrica no Brasil
Uma saída em negociação envolve a Chery, grupo chinês que tem ampliado sua presença no mercado automotivo brasileiro. A empresa estuda assumir a fábrica de Itatiaia para produzir veículos das marcas Omoda e Jaecoo.
Representantes da Chery já participaram de reunião com a Prefeitura de Itatiaia. Durante as conversas, a montadora apresentou interesse em aderir a programas de incentivos fiscais.
As tratativas também envolvem o Governo do Estado do Rio de Janeiro e a Assembleia Legislativa. O principal impasse está ligado a questões tributárias e às condições necessárias para viabilizar a nova operação.
Caso o acordo avance, a fábrica deverá passar por adaptações para receber uma produção maior e mais nacionalizada.
Fábrica pode produzir até 100 mil carros por ano
O plano em discussão pode mudar completamente o futuro da fábrica. Em uma primeira fase, a nova montadora poderia adaptar a unidade para produzir até 87 mil veículos por ano.
Depois disso, a capacidade poderia chegar a cerca de 100 mil carros anuais a partir do segundo semestre de 2027.
Além disso, a proposta prevê a nacionalização de modelos da Omoda e Jaecoo. A fábrica também poderia abrir espaço para outros veículos do grupo Chery nos próximos anos.
Com isso, a produção atenderia o mercado brasileiro e também países vizinhos. Portanto, o fim da operação da Land Rover não significa, necessariamente, o encerramento definitivo da fábrica.
No entanto, os trabalhadores ainda vivem um período de incerteza. Até a conclusão das negociações, ninguém sabe se a nova montadora vai manter todos os empregos ou se parte dos funcionários será desligada durante a transição.