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Montadora de luxo vai demitir 4 mil funcionários e pode fechar fábrica de R$ 750 milhões no Brasil

Fábrica no Brasil pode ser fechada e montadora confirmou 4 mil demissões.
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Montadora de luxo
Fábrica no Brasil pode ser fechada e montadora confirmou 4 mil demissões. Crédito: Divulgação
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Uma das maiores montadoras de carros de luxo do mundo anunciou uma forte redução no quadro de funcionários enquanto enfrenta um processo de reestruturação global. Cerca de 4 mil postos de trabalho serão eliminados nos próximos dois anos, número que representa quase 10% de toda a força de trabalho da companhia.

A empresa é a Jaguar Land Rover (JLR), responsável pelas marcas Range Rover, Defender, Discovery e Jaguar. O anúncio chama atenção também no Brasil. Isso porque a única fábrica da montadora no país está com a produção paralisada e há meses enfrenta incertezas sobre seu futuro.

Desde o primeiro semestre, diferentes veículos especializados apontam negociações para que a chinesa Chery, por meio das marcas Omoda & Jaecoo, assuma a unidade de Itatiaia. Apesar disso, a JLR nunca confirmou oficialmente o fechamento definitivo da fábrica brasileira.

Agora, diante do anúncio das milhares de demissões no exterior, a reportagem procurou a Jaguar Land Rover para saber se o plano poderá atingir trabalhadores brasileiros e também pediu uma atualização sobre a situação da fábrica.

A montadora, no entanto, não esclareceu se haverá cortes no Brasil.

“A Jaguar Land Rover (JLR) Brasil reforça que a operação local segue focada na estratégia de longo prazo da companhia e no fortalecimento e posicionamento de suas quatro marcas, Defender, Range Rover, Discovery e Jaguar, no mercado brasileiro.

A Jaguar Land Rover (JLR) Brasil não tem comentários adicionais a fazer neste momento”, informou a empresa.

Montadora de luxo anuncia demissão de 4 mil funcionários

A Jaguar Land Rover confirmou na segunda-feira (7) um programa para demitir aproximadamente 4 mil funcionários durante os próximos dois anos, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Atualmente, a empresa mantém cerca de 43 mil trabalhadores em todo o mundo. Portanto, a redução corresponde a quase 10% do quadro global. Aproximadamente 34 mil funcionários trabalham no Reino Unido.

Nesta primeira etapa, a JLR pretende realizar os cortes principalmente por meio de um programa de desligamento voluntário direcionado a trabalhadores assalariados e cargos de gestão. As funções diretamente ligadas às linhas de produção não aparecem como o principal alvo inicial do plano.

Mesmo assim, a companhia não detalhou publicamente todos os países e unidades que poderão sentir os efeitos da reestruturação. Dessa forma, não existe confirmação de demissões relacionadas a esse programa na operação brasileira.

A empresa pretende economizar aproximadamente 1,7 bilhão de libras, cerca de US$ 2,3 bilhões, durante os próximos dois anos. Além disso, quer reduzir seu ponto de equilíbrio para aproximadamente 300 mil veículos por ano.

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Montadora de luxo enfrenta mudança nas vendas e pressão nos custos

O corte acontece depois de um período bastante difícil para a Jaguar Land Rover.

No ano fiscal encerrado em março de 2026, a receita da montadora chegou a 22,9 bilhões de libras, queda de 20,9% em relação ao exercício anterior. O lucro antes de impostos e itens excepcionais ficou em apenas 14 milhões de libras.

A própria companhia relaciona a piora dos resultados a diferentes fatores. Entre eles aparecem as novas tarifas comerciais sobre veículos vendidos nos Estados Unidos, condições mais difíceis no mercado chinês e os efeitos de um grande ataque cibernético ocorrido em 2025.

O incidente obrigou a empresa a interromper sistemas e paralisar temporariamente a produção global. Segundo o relatório anual da JLR, as linhas ficaram sem produzir por cerca de cinco semanas e começaram a retornar em 8 de outubro de 2025. A normalização ocorreu em meados de novembro.

Além disso, a montadora enfrenta uma concorrência cada vez maior de fabricantes chinesas, justamente em um momento no qual precisa investir bilhões na eletrificação de seu portfólio.

Apesar do corte de empregos, a JLR pretende investir entre 15 bilhões e 18 bilhões de libras nos próximos cinco anos em áreas como eletrificação, tecnologia digital e modernização industrial.

Fábrica no Brasil está parada

Enquanto a reestruturação ocorre no exterior, a situação da JLR no Brasil permanece cercada de dúvidas.

A fábrica fica em Itatiaia, no Rio de Janeiro, e iniciou suas atividades em 2016. A montadora investiu cerca de R$ 750 milhões inicialmente no projeto, que nasceu com capacidade para fabricar até 24 mil veículos por ano.

Nos últimos anos, porém, a unidade trabalhou muito abaixo desse limite.

Em 2024, por exemplo, a produção diária oscilava entre apenas oito e 36 veículos, segundo levantamento da Automotive Business. Naquele momento, aproximadamente 200 funcionários atuavam diretamente na operação industrial.

Mais recentemente, o Sindicato dos Metalúrgicos de Itatiaia e Porto Real informou que a operação reunia 371 empregos diretos.

A fábrica montava principalmente o Range Rover Evoque e o Discovery Sport.

Rumores sobre fechamento começaram a ganhar força

As primeiras informações mais consistentes sobre uma possível saída da JLR da fábrica surgiram há alguns meses.

A CNN Brasil informou que a Omoda & Jaecoo, pertencente ao Grupo Chery, negociava assumir a estrutura de Itatiaia. A reportagem apontava que a produção da Jaguar Land Rover terminaria no meio do ano e daria lugar à operação chinesa.

Pouco depois, outros veículos especializados também passaram a acompanhar as negociações.

Em junho, o UOL informou, com base em fontes ligadas à companhia, que existia uma carta de intenções para que a Chery assumisse a fábrica. Paralelamente, representantes da fabricante chinesa mantiveram conversas com autoridades locais sobre incentivos e as condições para um novo projeto industrial.

Naquele momento, entretanto, a Jaguar Land Rover evitava confirmar o encerramento.

Montadora de luxo negou fechamento e falou em parada planejada

Quando aumentaram os relatos sobre o fim da fabricação, a versão oficial seguiu mais cautelosa.

No começo de julho, informações obtidas junto a sindicatos apontaram que a produção havia terminado na virada entre junho e julho. Entretanto, o Sindicato dos Metalúrgicos de Itatiaia e Porto Real informou que a empresa havia programado uma parada no mês para treinamentos e capacitação dos trabalhadores.

Questionada na época, a própria JLR afirmou que, com base no planejamento então confirmado, a operação seguia normalmente. Porém, acrescentou que não havia confirmações sobre planos ou iniciativas futuras.

Portanto, a montadora não anunciou oficialmente o fechamento definitivo da unidade.

Na prática, porém, reportagens posteriores passaram a informar que a produção de veículos em Itatiaia não havia sido retomada.

Chery continua negociando fábrica no Brasil

O destino da estrutura voltou ao centro das atenções em agosto.

No dia 6 daquele mês, a AutoData informou que a fábrica de Itatiaia havia deixado de produzir em junho, mas destacou que a Chery ainda não confirmava oficialmente a aquisição. A fabricante chinesa dizia estudar diferentes possibilidades para começar a produzir seus veículos no país.

No fim de agosto, novas informações indicaram avanço nas tratativas.

Reportagens baseadas em apuração da Autoesporte apontaram que a transferência da unidade estaria próxima de um anúncio e dependeria de ajustes finais com a matriz chinesa. A produção da JLR continuava parada.

Contudo, a própria Omoda & Jaecoo continua evitando tratar o negócio como concluído.

Em entrevista publicada em 31 de agosto, o vice-presidente da empresa no Brasil, Roger Corassa, confirmou a preferência por iniciar a produção nacional utilizando uma fábrica já existente. Questionado diretamente sobre Itatiaia, porém, respondeu que “não há nada fechado”.

Assim, até o momento, nenhuma das duas empresas anunciou oficialmente a transferência definitiva da fábrica.

O que acontece com os funcionários da fábrica brasileira?

Esse continua sendo um dos principais pontos sem resposta.

Antes da paralisação, o Sindireal apontava a existência de 371 empregos diretos na unidade. O sindicato também afirmou que acompanhava a situação e defendia garantias para esses trabalhadores caso outra empresa assumisse a operação.

Agora, a JLR também não esclareceu se o recém-anunciado programa internacional de redução de 4 mil postos poderá produzir algum efeito no Brasil.

É importante destacar que não existe confirmação de que os 4 mil cortes incluam os trabalhadores da fábrica brasileira. A companhia anunciou um plano global de redução de custos, mas não divulgou uma relação completa das unidades e países atingidos.

Por outro lado, a situação industrial brasileira permanece indefinida independentemente desse programa.

A produção em Itatiaia está parada, a possibilidade de transferência da estrutura para o Grupo Chery continua no radar e nenhuma das empresas envolvidas anunciou oficialmente a conclusão do negócio.

Diante dos questionamentos da reportagem sobre o futuro da fábrica e os possíveis efeitos das demissões no país, a JLR limitou-se a afirmar que sua operação brasileira permanece voltada à estratégia de longo prazo e ao fortalecimento das marcas Defender, Range Rover, Discovery e Jaguar.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos do Brasil e temas de interesse público nacional.

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