Uma montadora de carros de luxo colocou fim à produção nacional e deixou centenas de trabalhadores em situação de incerteza. A decisão encerra um ciclo industrial que começou há cerca de dez anos e acende um alerta sobre o futuro dos empregos na unidade.
O caso envolve a Jaguar Land Rover, dona de marcas conhecidas no mercado premium. A fábrica fica em Itatiaia, no Rio de Janeiro, e montava modelos da Land Rover, como o Discovery Sport e o Range Rover Evoque.
Agora, com a produção paralisada, a principal preocupação está dentro da própria fábrica. Segundo o sindicato que acompanha a situação, a unidade reúne 371 trabalhadores diretos. No entanto, ainda não existe garantia pública de que todos seguirão empregados em uma possível troca de comando.
Montadora fecha fábrica no Brasil
A fábrica da Jaguar Land Rover em Itatiaia foi inaugurada em 2016 e marcou a expansão da empresa fora do Reino Unido. Na época, o projeto chamou atenção pelo investimento alto e pela promessa de fortalecer a produção nacional de SUVs premium.
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No entanto, a operação brasileira perdeu força ao longo dos anos. A fábrica produzia em volumes baixos e dependia de um mercado restrito, voltado a veículos mais caros.
Além disso, os modelos montados no Brasil passaram a vender pouco. Com isso, a estrutura industrial deixou de fazer sentido dentro da estratégia da montadora.
A unidade funcionava no sistema SKD, modelo em que partes do veículo chegam do exterior praticamente prontas e a montagem final acontece no país. Dessa forma, a fábrica tinha menor nacionalização e seguia muito dependente de componentes importados.
Crise nas vendas pesou na decisão
O baixo desempenho comercial ajuda a explicar o fim da produção. Entre janeiro e maio deste ano, os modelos Discovery Sport e Range Rover Evoque somaram apenas 264 emplacamentos no Brasil.
O número ficou distante do necessário para sustentar uma fábrica dedicada à montagem desses veículos. Por isso, a operação entrou na reta final.
Na prática, a montadora passou a concentrar esforços em produtos mais rentáveis e em uma estratégia global mais enxuta. Enquanto isso, a fábrica brasileira perdeu relevância dentro do planejamento da empresa.
A Jaguar Land Rover informou anteriormente que a produção seguia dentro do planejamento operacional. Porém, a paralisação da unidade em Itatiaia já movimenta trabalhadores, sindicato, governo e possíveis interessados na fábrica.
Funcionários vivem medo de demissão
O fim da produção aumentou a tensão entre os funcionários. A fábrica tem 371 trabalhadores diretos, de acordo com o Sindireal, sindicato que representa metalúrgicos de Itatiaia e Porto Real.
A entidade afirma que acompanha as negociações e cobra garantias para preservar os postos de trabalho. Além disso, o sindicato informou que a empresa mantém acordo coletivo vigente e vem cumprindo as obrigações trabalhistas.
Mesmo assim, a preocupação continua. Sem produção da Land Rover, parte dos trabalhadores pode ser desligada caso não haja uma transição para outra fabricante.
Por enquanto, funcionários seguem em cursos de especialização. A medida pode ajudar em uma eventual mudança de operação, mas ainda não garante a permanência de todo o quadro.
Chery negocia assumir fábrica
Uma possível saída para evitar o fechamento definitivo da unidade envolve a Chery. O grupo chinês, dono das marcas Omoda e Jaecoo, negocia assumir a fábrica de Itatiaia para iniciar uma nova fase de produção no Brasil.
A empresa chinesa tem planos de crescer no mercado nacional e busca uma estrutura já pronta para montar veículos no país. Por isso, a unidade deixada pela Jaguar Land Rover aparece como uma alternativa estratégica.
Representantes da Chery já trataram do assunto com autoridades locais. As conversas envolvem a Prefeitura de Itatiaia, o Governo do Rio de Janeiro e discussões sobre incentivos fiscais.
No entanto, o acordo ainda depende de ajustes. Questões tributárias e garantias para viabilizar a operação seguem no centro das negociações.
Fábrica pode ganhar nova vida
Caso a negociação avance, a antiga fábrica da Land Rover pode passar por uma transformação. A ideia da Chery é usar a estrutura para produzir modelos das marcas Omoda e Jaecoo, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Em uma primeira etapa, a unidade poderia receber adaptações para ampliar a capacidade produtiva. Depois, o plano poderia elevar a produção para perto de 100 mil veículos por ano.
A mudança seria grande. A fábrica da Jaguar Land Rover tinha capacidade instalada menor e operava com volumes bem abaixo do potencial. Portanto, a entrada de uma nova montadora poderia mudar completamente o ritmo da unidade.
Além disso, a produção nacional poderia atender o mercado brasileiro e também países vizinhos. Esse ponto interessa ao grupo chinês, que busca fortalecer sua presença na América Latina.
Futuro dos empregos ainda é incerto
Apesar da possibilidade de uma nova operação, os trabalhadores ainda vivem um período de espera. A fábrica deixou de produzir os SUVs da Land Rover, mas a chegada da Chery ainda não virou garantia concreta para todos os funcionários.
Por isso, o sindicato defende que qualquer negociação inclua proteção aos empregos. A prioridade é evitar demissões em massa durante a transição.
Enquanto isso, a cidade de Itatiaia acompanha o caso de perto. A unidade tem peso econômico para a região e movimenta uma cadeia de fornecedores, serviços e trabalhadores indiretos.
Assim, o fim da produção da Jaguar Land Rover no Brasil não significa, necessariamente, o fechamento definitivo da fábrica. No entanto, até a conclusão das negociações, os funcionários seguem sem saber se a nova fase vai preservar os empregos ou abrir caminho para cortes.