Uma das maiores redes de supermercados do Brasil promoveu uma ampla redução em suas operações em 2026. Em apenas três meses, a companhia fechou 29 lojas e cortou mais de 6 mil funcionários.
A reorganização atingiu unidades instaladas em diferentes cidades de várias regiões do Brasil. Além disso, os cortes alcançaram vários formatos de lojas, desde supermercados tradicionais até atacarejos e pontos de venda de eletrodomésticos.
Mesmo após diminuir a estrutura, a empresa continua entre as líderes do varejo alimentar brasileiro. O grupo também permanece lucrativo, administra centenas de estabelecimentos e não pretende abandonar o mercado nacional.
A companhia responsável pela mudança é o Grupo Mateus. Em apenas três meses de 2026, a rede encerrou 29 lojas e reduziu o quadro de funcionários em 6.673 pessoas.
Leia também
Rede de supermercados elimina mais de 6 mil empregos
O Grupo Mateus terminou 2025 com aproximadamente 47,9 mil trabalhadores. No entanto, três meses depois, o número de funcionários havia recuado para cerca de 41,2 mil.
Portanto, a companhia eliminou 6.673 postos de trabalho durante o primeiro trimestre de 2026. A redução atingiu mais de 13% de todo o quadro da empresa.
O corte ocorreu durante uma revisão das operações mantidas pelo grupo. Depois de vários anos de crescimento acelerado, a direção passou a analisar com mais rigor os custos, as vendas e a produtividade de cada unidade.
A partir dessa avaliação, a empresa decidiu reduzir despesas permanentes e concentrar recursos nos negócios que apresentam maior potencial de lucro.
Durante a apresentação dos resultados financeiros, o presidente do conselho de administração, Ilson Mateus Rodrigues, afirmou que o grupo ainda pretende cortar gastos. Porém, segundo o executivo, os próximos ajustes não devem provocar outra redução tão expressiva no número de trabalhadores.
Rede fecha 29 lojas em apenas três meses
Além de demitir milhares de funcionários, o Grupo Mateus encerrou 28 estabelecimentos entre janeiro e março de 2026.
Entretanto, a rede não suspendeu completamente os planos de crescimento. No mesmo período, a empresa inaugurou quatro novas unidades, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Na prática, o grupo substituiu a estratégia de expansão acelerada por um modelo mais seletivo. Agora, a companhia pretende fechar operações com desempenho abaixo do esperado e priorizar investimentos em cidades consideradas mais promissoras.
Antes, o Grupo Mateus buscava ampliar rapidamente sua presença territorial. Para isso, abria novas lojas e avançava principalmente no segmento de atacarejo.
Agora, cada projeto deverá passar por uma análise mais detalhada. A direção pretende observar o custo de implantação, o volume esperado de vendas, a concorrência e o prazo necessário para recuperar o investimento.
Fechamentos atingem diferentes formatos de lojas
Os 28 encerramentos não envolvem apenas grandes supermercados tradicionais. Afinal, o Grupo Mateus atua em vários segmentos do comércio varejista e atacadista.
A companhia administra supermercados, atacarejos, lojas de eletrodomésticos, estabelecimentos de bairro, operações de atacado e unidades especializadas em serviços de alimentação.
Por isso, a redução alcançou diferentes modelos de negócio. A empresa decidiu manter os estabelecimentos com melhor desempenho e cortar estruturas que pressionavam os resultados financeiros.
Entre as principais marcas controladas pelo Grupo Mateus estão:
- Mateus Supermercados;
- Mix Mateus;
- Eletro Mateus;
- Armazém Mateus;
- Camiño Supermercados;
- Spazio Mateus;
- Bumba Meu Pão;
- Food Service Mateus.
O Mix Mateus concentra grande parte das operações de atacarejo. Nesse modelo, o cliente encontra preços diferentes de acordo com a quantidade adquirida.
Já o Mateus Supermercados atua no varejo tradicional. Por sua vez, a Eletro Mateus comercializa móveis, eletrônicos e eletrodomésticos.
Por que a rede de supermercados fechou tantas lojas?
A decisão está relacionada ao crescimento acelerado registrado nos últimos anos. Durante esse período, o Grupo Mateus abriu lojas, entrou em novas cidades e ampliou sua presença principalmente no Norte e no Nordeste.
Porém, cada novo estabelecimento aumenta as despesas da companhia. Uma loja precisa de funcionários, estoque, energia, transporte, segurança, manutenção, aluguel e suporte administrativo.
Quando uma unidade não alcança o volume de vendas necessário, os gastos começam a comprometer a rentabilidade de toda a operação. Por isso, o grupo decidiu encerrar os pontos que não entregavam o retorno esperado.
Além disso, a empresa reduziu algumas vendas de balcão realizadas dentro das lojas. Com essa estratégia, a companhia pretende priorizar negócios com margens maiores, mesmo que a mudança diminua parte do faturamento bruto.
Dessa forma, o Grupo Mateus busca aumentar a produtividade, controlar as despesas e fortalecer a geração de caixa.
Consumo pressiona o setor
A reorganização também ocorre em um momento de maior dificuldade para o comércio. Embora as famílias continuem comprando alimentos e produtos básicos, muitos consumidores mudaram o comportamento diante do orçamento apertado.
Parte dos clientes passou a comprar quantidades menores, trocar marcas tradicionais por alternativas mais baratas e pesquisar promoções com maior frequência.
Além disso, os juros elevados e o endividamento das famílias diminuem a procura por produtos de maior valor. Esse cenário afeta principalmente as vendas de móveis, eletrônicos e eletrodomésticos, setores nos quais o Grupo Mateus também atua.
A redução dos preços de alguns alimentos também interferiu nos resultados. Nesse caso, a empresa pode vender praticamente a mesma quantidade de mercadorias, mas registrar um faturamento menor.
Outro indicador reforçou o sinal de alerta. As lojas que já funcionavam havia pelo menos um ano apresentaram queda de 7,3% nas vendas durante o primeiro trimestre.
Diante desse desempenho, o grupo preferiu reduzir a estrutura para proteger as margens de lucro e recuperar a rentabilidade das operações.
Rede de supermercados continua lucrativa apesar dos cortes
O fechamento das lojas e a demissão de milhares de trabalhadores não ocorreram porque o Grupo Mateus entrou em recuperação judicial ou deixou de lucrar.
A companhia encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido próximo de R$ 213 milhões. Entretanto, o resultado ficou 22% abaixo do valor registrado no mesmo período do ano anterior.
O Ebitda, indicador utilizado para medir o desempenho operacional das empresas, também recuou. O resultado caiu 18,2% e terminou o trimestre em aproximadamente R$ 400 milhões.
Portanto, a companhia decidiu diminuir a estrutura antes que a desaceleração das vendas comprometesse ainda mais os resultados.
Ao mesmo tempo, o Grupo Mateus pretende reduzir estoques, controlar novos investimentos e transformar uma parcela maior das vendas em dinheiro disponível para a operação.
Grupo permanece entre os maiores do Brasil
Apesar de fechar 28 unidades e cortar mais de 6 mil empregos, o Grupo Mateus continua entre as maiores redes supermercadistas do país.
A companhia aparece na terceira posição do Ranking ABRAS 2026. Apenas Carrefour Brasil e Assaí Atacadista ocupam colocações superiores.
O levantamento considera o faturamento bruto das empresas. Em 2025, o Grupo Mateus movimentou aproximadamente R$ 43,5 bilhões.
O resultado demonstra a dimensão da companhia dentro do varejo nacional. Mesmo depois das demissões, o grupo ainda emprega mais de 41 mil trabalhadores e mantém centenas de estabelecimentos em funcionamento.
Além das lojas, a empresa administra centros de distribuição e estruturas próprias de produção de alimentos e panificação. Assim, o grupo consegue abastecer parte da rede por meio de uma operação integrada.
Rede de supermercados ainda pretende inaugurar novas lojas
O encerramento dos 28 estabelecimentos não representa o fim da expansão do Grupo Mateus. Afinal, a companhia inaugurou quatro unidades durante o mesmo trimestre em que promoveu os fechamentos.
Contudo, a rede deverá adotar um ritmo mais cauteloso a partir de agora. A direção pretende analisar com maior rigor o potencial de retorno de cada novo empreendimento.
Com isso, o grupo seguirá duas estratégias ao mesmo tempo. De um lado, encerrará lojas que não atingirem as metas de vendas e rentabilidade. Do outro, poderá abrir unidades em mercados considerados mais atrativos.
Para os funcionários desligados, porém, o impacto já ocorreu. A eliminação de 6.673 empregos mostra que até grupos bilionários estão reduzindo estruturas diante do consumo mais fraco, da queda nas vendas e da disputa cada vez maior por preços no setor supermercadista.