Uma multinacional com mais de 12 mil funcionários no Brasil decidiu encerrar a produção de uma fábrica histórica. A medida interrompe uma atividade industrial mantida por mais de sete décadas e afeta diretamente mais de 100 famílias.
Além dos empregados da unidade, a mudança preocupa fornecedores, transportadoras, profissionais terceirizados e empresas que prestavam serviços à operação. Afinal, a fábrica movimentava uma ampla cadeia ligada à produção, à manutenção e à logística.
A companhia continuará responsável pelo imóvel. No entanto, o endereço deixará de funcionar como indústria e assumirá uma nova função dentro da estrutura da multinacional.
A decisão envolve a Isover, marca pertencente ao Grupo Saint-Gobain. A empresa encerra a fabricação de lã de vidro em Santo Amaro, na zona Sul de São Paulo, e retira do Brasil essa etapa da produção.
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Multinacional tem mais de 12 mil funcionários no Brasil
A Saint-Gobain mantém uma das maiores estruturas empresariais do setor de materiais para construção no país. Segundo a própria companhia, o grupo emprega mais de 12 mil funcionários somente no Brasil.
A multinacional atua em diferentes segmentos e controla marcas voltadas à construção civil, à indústria, à mobilidade e aos materiais de alto desempenho.
Por isso, o fechamento da fábrica da Isover não representa a saída completa da Saint-Gobain do mercado brasileiro. O grupo continuará com outras operações industriais, comerciais e logísticas no país.
A mudança atinge especificamente a unidade responsável pela fabricação de lã de vidro. Esse material aparece em projetos de isolamento térmico e acústico de casas, edifícios, veículos, instalações industriais e obras de infraestrutura.
Fábrica encerra produção depois de mais de 70 anos
A unidade de Santo Amaro iniciou sua trajetória industrial há mais de sete décadas. Desde então, atravessou diferentes períodos da economia brasileira e acompanhou a expansão do mercado da construção.
Agora, porém, a Isover encerra definitivamente a fabricação no endereço. A companhia tomou a decisão após firmar um acordo com o Ministério Público de São Paulo e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, a Cetesb.
O documento estabeleceu um cronograma para a paralisação da fábrica. Conforme o acordo, a empresa deveria interromper a produção de lã de vidro até 4 de julho de 2026.
Depois dessa etapa, a multinacional ganhou prazo até 31 de julho para desligar o forno utilizado na fusão do vidro. O equipamento representa uma das principais estruturas do processo industrial e permanecia em funcionamento contínuo.
Com o desligamento, a empresa encerra a atividade fabril mantida durante mais de 70 anos no local.
Produção da multinacional sai do Brasil
A fábrica de Santo Amaro concentrava a produção nacional de lã de vidro da Isover. Portanto, o encerramento retira essa etapa produtiva do território brasileiro.
Apesar disso, a marca continuará vendendo seus produtos no país. Para manter o abastecimento dos clientes, a companhia deverá trazer materiais produzidos em outras unidades internacionais do grupo.
Na prática, a Isover deixa de fabricar lã de vidro no Brasil, mas preserva sua presença comercial no mercado nacional.
Essa diferença ajuda a entender o alcance da decisão. A Saint-Gobain não encerrará todas as atividades no país, tampouco abandonará suas demais marcas. Entretanto, o Brasil perde uma fábrica histórica e passa a depender de produção realizada no exterior para esse segmento.
A companhia informou ao Portal Tempo Novo que assinou o acordo e que cumprirá o cronograma previsto para a desativação industrial.
Fábrica será transformada em centro de distribuição
Embora encerre a fabricação, a Isover não pretende abandonar o endereço. A multinacional transformará o imóvel em um centro de distribuição de produtos.
Dessa maneira, o local continuará recebendo mercadorias e atendendo às necessidades logísticas da empresa. Contudo, não manterá fornos nem linhas destinadas à produção de lã de vidro.
A transformação muda completamente o perfil da unidade. Antes, a fábrica recebia matérias-primas, mantinha equipamentos industriais e realizava diferentes etapas de fabricação. Agora, o espaço ficará concentrado no armazenamento e na distribuição.
Além disso, um centro logístico normalmente exige uma estrutura menor do que uma fábrica. Por esse motivo, trabalhadores e prestadores de serviços demonstram preocupação com a quantidade de postos que permanecerá no endereço.
A empresa ainda não informou quantos empregados poderão continuar na nova operação. Também não detalhou quantos trabalhadores receberão propostas de transferência ou deixarão o quadro.
Fechamento de fábrica afeta mais de 100 famílias
Mais de 100 famílias dependem diretamente dos empregos mantidos pela fábrica. Portanto, o encerramento da produção provoca apreensão entre os profissionais da unidade.
Muitos trabalhadores construíram uma longa trajetória dentro da indústria. Alguns acompanharam diferentes fases da operação e desenvolveram atividades especializadas na fabricação de lã de vidro.
No entanto, os impactos podem ultrapassar os portões da empresa. Transportadoras, fornecedores, equipes de manutenção, prestadores de serviços e trabalhadores terceirizados também dependiam da rotina industrial.
Com a paralisação, parte dessas empresas poderá perder contratos ou registrar queda na demanda. Consequentemente, o número de pessoas afetadas pode superar o total de empregados contratados diretamente pela Isover.
A multinacional afirmou que aproveitará o período de transição para tentar reduzir os impactos sociais da medida. Ainda assim, a empresa não apresentou publicamente todos os detalhes sobre o futuro dos trabalhadores.
Reclamações de moradores antecederam o acordo
O encerramento da produção ocorre depois de anos de reclamações feitas por moradores dos bairros próximos à fábrica.
A população relatava problemas relacionados à fumaça, ao mau cheiro e aos ruídos provocados pela operação industrial. Segundo os moradores, os incômodos aconteciam durante o dia e também na madrugada.
Além disso, alguns relatos mencionavam ardência nos olhos, irritação na pele, dificuldade para respirar e desconforto provocado pelas emissões da chaminé.
As denúncias ganharam força em 2023. Naquele ano, moradores encaminharam uma petição à Cetesb e cobraram uma fiscalização mais rigorosa sobre as atividades da indústria.
Depois disso, o Ministério Público passou a acompanhar o caso. O assunto também chegou a reuniões e audiências públicas com representantes da comunidade e autoridades municipais e estaduais.
Durante os encontros, moradores voltaram a relatar a presença de fumaça, odores e barulho nas residências próximas à unidade.
Multinacional adotou plano de melhoria ambiental
Antes do acordo que determinou o encerramento, a Isover colocou em prática um Plano de Melhoria Ambiental.
Segundo a companhia, o programa reuniu investimentos em isolamento acústico e tecnologias voltadas à redução das emissões de vapor de água. A empresa também criou canais de comunicação para receber reclamações e esclarecer dúvidas da comunidade.
Além disso, a Isover afirmou que sempre cumpriu a legislação brasileira. A multinacional declarou que seguia padrões de sustentabilidade, segurança e proteção à saúde reconhecidos por instituições nacionais e internacionais.
Mesmo após a adoção das medidas, a empresa, o Ministério Público e a Cetesb chegaram a um entendimento para interromper a fabricação no endereço.
Assim, o acordo encerrou as discussões sobre a continuidade da operação industrial e definiu os próximos passos para a área.
Multinacional terá que cumprir obrigações ambientais
O desligamento dos equipamentos não encerra as responsabilidades da multinacional sobre o imóvel.
A Isover deverá administrar possíveis áreas contaminadas, tratar resíduos e garantir a destinação adequada dos materiais encontrados no local. Além disso, precisará acompanhar as condições ambientais da propriedade depois da paralisação.
As autoridades também poderão fiscalizar o cumprimento das obrigações previstas no acordo.
Portanto, a transformação em centro de distribuição não elimina o histórico industrial da área. A empresa continuará responsável pelas medidas necessárias para impedir riscos ambientais e preparar o imóvel para a nova atividade.
Moradores dos bairros próximos também deverão acompanhar o processo de desativação, principalmente após anos de reclamações sobre o funcionamento da fábrica.
Encerramento marca nova fase da multinacional no país
Com a mudança, a Isover encerra uma trajetória industrial de mais de 70 anos em Santo Amaro. A unidade deixa de produzir lã de vidro e passa a desempenhar apenas atividades de armazenamento e distribuição.
Ao mesmo tempo, a companhia transfere para fora do Brasil a fabricação dos produtos destinados ao mercado nacional.
A Saint-Gobain continuará atuando no país por meio de outras marcas, fábricas e negócios. Entretanto, o encerramento representa uma perda importante para a produção industrial brasileira e para as famílias que dependiam da unidade.
Agora, trabalhadores, moradores e autoridades aguardam as próximas etapas da desativação. Entre os principais pontos estão o desligamento completo dos equipamentos, o futuro dos empregados e o cumprimento das medidas ambientais.
Depois de mais de sete décadas, a antiga fábrica inicia uma nova fase: deixa de fabricar, reduz sua estrutura e passa a funcionar somente como centro de distribuição.