Uma das maiores fabricantes de eletrodomésticos do mundo decidiu fechar uma importante fábrica de geladeiras e concentrar a produção em unidades consideradas mais modernas e eficientes.
A mudança não ocorrerá de uma só vez. Pelo contrário, a empresa adotará um cronograma gradual para desmontar as linhas industriais, transportar equipamentos e transferir parte dos fornecedores envolvidos na fabricação dos produtos.
Com a reorganização, a companhia pretende reduzir despesas fixas e aproveitar melhor a capacidade das plantas que continuarão funcionando. Além disso, a estratégia busca simplificar toda a operação ligada ao segmento de refrigeração.
A responsável pela decisão é a Whirlpool Corporation, multinacional que controla marcas conhecidas dos consumidores brasileiros, como Brastemp, Consul e KitchenAid.
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Apesar da ligação direta com essas marcas, a medida não atinge as fábricas instaladas no Brasil. O encerramento acontecerá no México e faz parte de uma reestruturação internacional da companhia.
Dona da Brastemp e Consul fecha fábrica de geladeiras
A Whirlpool encerrará a operação da Supsa, fábrica localizada em Apodaca, no estado de Nuevo León. Atualmente, a unidade concentra parte da produção de refrigeradores da multinacional no território mexicano.
A empresa pretende concluir o fechamento no segundo trimestre de 2027. Até lá, reduzirá o ritmo das atividades de forma progressiva.
Durante esse período, a Whirlpool transferirá máquinas, linhas de montagem e outras estruturas industriais. Dessa maneira, poderá redistribuir a fabricação sem suspender completamente o abastecimento do mercado.
A companhia comunicou oficialmente a decisão no dia 1º de julho de 2026. Segundo a multinacional, a medida integra um plano mais amplo para transformar sua operação de refrigeração.
Portanto, a empresa não abandonará a produção de geladeiras no México. A principal mudança será a concentração das atividades em um número menor de fábricas.
Produção de geladeiras da Brastemp e Consul
A unidade de Ramos Arizpe, no estado de Coahuila, receberá a maior parte da produção atualmente realizada em Apodaca.
Além disso, outras plantas industriais e fornecedores poderão assumir etapas específicas da fabricação dos eletrodomésticos. A companhia organizará essa transferência em diferentes fases, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Com esse modelo, a Whirlpool pretende evitar atrasos nas entregas e reduzir o risco de falta de produtos nas lojas. Ao mesmo tempo, a empresa poderá adaptar as fábricas responsáveis por receber as novas linhas.
Na prática, a multinacional substituirá uma estrutura mais descentralizada por uma operação concentrada em unidades com maior capacidade produtiva.
A companhia acredita que a mudança tornará a fabricação mais eficiente. Consequentemente, espera diminuir custos permanentes e aproveitar melhor máquinas, trabalhadores e espaços industriais.
Fechamento vai custar US$ 165 milhões
Embora a reorganização tenha como objetivo gerar economia no futuro, a Whirlpool precisará assumir despesas elevadas durante a execução do projeto.
A empresa estima que o encerramento da fábrica e a transferência das operações poderão custar até US$ 165 milhões.
Desse valor, aproximadamente US$ 95 milhões estão relacionados à redução do valor contábil de imóveis, equipamentos, máquinas e outros ativos utilizados na unidade.
Além disso, a Whirlpool calcula até US$ 30 milhões em gastos ligados aos funcionários. O montante poderá cobrir rescisões, benefícios e outros pagamentos decorrentes do fechamento.
A multinacional também separou cerca de US$ 40 milhões para despesas operacionais, industriais e logísticas. Entre os custos previstos estão o transporte das máquinas e a preparação das fábricas que receberão a produção.
Ao todo, a companhia prevê desembolsar aproximadamente US$ 70 milhões durante a execução do plano. Paralelamente, poderá registrar cerca de US$ 100 milhões em despesas ainda em 2026.
No entanto, a própria Whirlpool informa que os valores poderão sofrer alterações conforme o avanço da transferência e o encerramento definitivo da unidade.
Empresa ainda não revelou número de demissões
A Whirlpool não informou quantos trabalhadores perderão os empregos com o fechamento da fábrica de Apodaca.
Também não há confirmação sobre a possibilidade de parte dos funcionários receber propostas para atuar em Ramos Arizpe ou em outras instalações da companhia.
Ainda assim, a previsão de até US$ 30 milhões em despesas trabalhistas indica que a reorganização deverá provocar desligamentos e pagamentos de indenizações.
A multinacional declarou que oferecerá suporte aos profissionais durante o período de transição. Entretanto, ainda não apresentou publicamente os detalhes desse atendimento.
Como o fechamento acontecerá somente em 2027, a empresa poderá divulgar novas informações sobre os trabalhadores ao longo das próximas etapas do projeto.
Fábricas da Brastemp e Consul no Brasil continuam funcionando
A decisão anunciada pela Whirlpool atinge exclusivamente a estrutura produtiva da empresa no México. Portanto, as fábricas brasileiras não fazem parte do plano de encerramento.
No Brasil, a multinacional mantém unidades industriais em Joinville, em Santa Catarina; Manaus, no Amazonas; e Rio Claro, no interior de São Paulo.
A operação nacional também conta com escritórios, laboratórios e centros voltados ao desenvolvimento de produtos e tecnologias.
Dessa forma, o fechamento da fábrica mexicana não interromperá a fabricação nem a comercialização de eletrodomésticos das marcas Brastemp e Consul no mercado brasileiro.
A reorganização faz parte de uma estratégia global da Whirlpool para reduzir custos, concentrar linhas de montagem e aumentar o aproveitamento das fábricas que permanecerão em atividade.