Uma gigante do varejo brasileiro decidiu reduzir drasticamente sua estrutura após anos de crescimento acelerado. Em apenas três meses, a rede de supermercados fechou 30 estabelecimentos e retirou mais de 7 mil funcionários do quadro de empregados.
Os cortes alcançaram operações instaladas em diferentes cidades das regiões do Brasil. Portanto, a redução não atingiu apenas uma loja, um estado ou um formato específico de comércio.
A decisão surpreende pela dimensão da empresa. Afinal, o grupo fatura mais de R$ 40 bilhões por ano, administra centenas de unidades e ocupa uma das primeiras posições entre as maiores redes supermercadistas do Brasil.
A companhia responsável pela reorganização é o Grupo Mateus, proprietário de bandeiras como Mix Mateus, Mateus Supermercados e Eletro Mateus. Entre janeiro e março de 2026, a empresa encerrou 30 lojas e reduziu o quadro em 7 mil trabalhadores.
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Gigante dos supermercados corta 7 mil empregos
O Grupo Mateus encerrou 2025 com aproximadamente 47,9 mil funcionários. Entretanto, ao final do primeiro trimestre de 2026, a companhia mantinha cerca de 41,2 mil trabalhadores.
Desse modo, a rede eliminou cerca de 7 mil postos de trabalho em apenas três meses. A redução corresponde a quase 14% de todo o quadro de empregados existente no encerramento do ano anterior.
As demissões fizeram parte de um processo mais amplo de redução de custos. Depois de expandir rapidamente suas operações, o grupo passou a revisar a produtividade, as despesas e o desempenho financeiro de cada negócio.
Além disso, a companhia começou a concentrar investimentos nas unidades consideradas mais eficientes. A estratégia busca diminuir gastos sem abandonar os mercados nos quais o grupo ainda apresenta resultados positivos.
Segundo o presidente do conselho de administração, Ilson Mateus Rodrigues, a empresa pretende continuar reduzindo despesas. Contudo, a expectativa é de que os próximos ajustes não provoquem uma nova demissão em massa na mesma proporção.
Grupo Mateus fecha 30 lojas em várias cidades
A redução do número de funcionários ocorreu ao mesmo tempo em que o Grupo Mateus encerrou 30 estabelecimentos durante o primeiro trimestre de 2026.
Por outro lado, a empresa inaugurou quatro novas unidades no mesmo período. Assim, a companhia não interrompeu totalmente sua expansão, mas passou a escolher com maior cautela onde pretende investir, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Na prática, a rede adotou uma estratégia mais seletiva. Enquanto lojas com baixo desempenho encerram as atividades, novos pontos ainda podem abrir em regiões com maior potencial de vendas e rentabilidade.
Essa mudança representa uma nova etapa na trajetória do Grupo Mateus. Anteriormente, a companhia priorizava a expansão territorial e a abertura frequente de lojas. Agora, os projetos devem passar por avaliações mais rigorosas antes de receber novos investimentos.
Quais lojas foram atingidas pelos fechamentos?
O Grupo Mateus opera diferentes modelos de comércio. Por esse motivo, o fechamento de 28 estabelecimentos não significa necessariamente o encerramento de 28 supermercados tradicionais.
A companhia mantém supermercados, atacarejos, lojas de vizinhança, pontos de venda de móveis e eletrodomésticos, operações de atacado e unidades voltadas ao fornecimento de alimentos para empresas.
Entre as principais bandeiras administradas pelo grupo estão:
- Mateus Supermercados;
- Mix Mateus;
- Eletro Mateus;
- Armazém Mateus;
- Camiño Supermercados;
- Spazio Mateus;
- Bumba Meu Pão;
- Food Service Mateus.
O Mix Mateus concentra grande parte das operações de atacarejo. Nesse formato, o consumidor pode encontrar preços diferentes conforme a quantidade de produtos adquirida.
Já o Mateus Supermercados atua no varejo tradicional. Enquanto isso, a Eletro Mateus comercializa móveis, eletrônicos e eletrodomésticos.
Portanto, os fechamentos podem ter alcançado diferentes bandeiras e modelos de negócio. A empresa não apresentou uma relação completa com todas as cidades e unidades encerradas.
Por que o gigante dos supermercados fechou as lojas?
O Grupo Mateus ampliou rapidamente sua presença no Brasil durante os últimos anos. Nesse período, a companhia entrou em novos mercados, inaugurou unidades e fortaleceu principalmente o segmento de atacarejo.
Contudo, uma expansão dessa dimensão também eleva os custos. Cada estabelecimento exige funcionários, estoque, transporte, energia, aluguel, segurança, manutenção e suporte administrativo.
Quando uma unidade não alcança o volume de vendas necessário, as despesas podem comprometer o resultado de toda a operação. Por isso, a companhia decidiu encerrar estabelecimentos que não entregavam o retorno financeiro esperado.
Ao mesmo tempo, o grupo reduziu determinadas vendas de balcão realizadas dentro das lojas. A medida pretende priorizar negócios com margens de lucro maiores, mesmo que essa mudança provoque uma redução no faturamento bruto.
Com a reorganização, a empresa busca elevar a produtividade, controlar os investimentos, reduzir estoques e aumentar a geração de caixa.
Vendas pressionaram a rede de supermercados
O fechamento das lojas ocorreu em um momento de maior dificuldade para o varejo alimentar. Embora as famílias continuem comprando itens essenciais, muitos consumidores passaram a modificar seus hábitos.
Diante do orçamento apertado, parte da população começou a comprar quantidades menores, substituir marcas conhecidas por opções mais baratas e pesquisar promoções com maior frequência.
Além disso, o endividamento das famílias e os juros elevados prejudicam principalmente a venda de produtos mais caros. Esse cenário afeta setores como móveis, eletrodomésticos e eletrônicos, nos quais o Grupo Mateus também mantém operações.
A queda no preço de determinados alimentos também influencia o faturamento. Nesse caso, a empresa pode comercializar uma quantidade semelhante de produtos e, ainda assim, registrar uma receita menor.
Outro resultado chamou a atenção da companhia. As lojas que estavam abertas havia pelo menos um ano apresentaram queda de 7,3% nas vendas no primeiro trimestre.
Diante desse desempenho, o grupo decidiu diminuir a estrutura e concentrar esforços nas operações com maior capacidade de gerar lucro.
Rede de supermercados teve lucro de R$ 213 milhões
Apesar das demissões e do fechamento das lojas, o Grupo Mateus não enfrenta recuperação judicial e continua registrando lucro.
A companhia encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido próximo de R$ 213 milhões. Entretanto, o resultado ficou cerca de 22% abaixo do valor registrado no mesmo período do ano anterior.
O Ebitda, indicador utilizado para avaliar o desempenho operacional das empresas, também caiu. O resultado recuou 18,2% e terminou o trimestre em aproximadamente R$ 400 milhões.
Assim, os estabelecimentos não fecharam porque o grupo deixou de vender ou pretende abandonar o mercado brasileiro. A reorganização busca proteger as margens diante da desaceleração das vendas e do aumento das despesas.
Grupo está entre as maiores redes do Brasil
Mesmo após encerrar 28 unidades e demitir mais de 6 mil trabalhadores, o Grupo Mateus permanece entre as maiores empresas do varejo alimentar brasileiro.
A companhia ocupa a terceira posição no Ranking ABRAS 2026. Apenas o Carrefour Brasil e o Assaí Atacadista aparecem à frente da rede.
O levantamento considera o faturamento bruto das empresas supermercadistas. Em 2025, o Grupo Mateus alcançou uma receita aproximada de R$ 43,5 bilhões.
Além disso, a empresa ainda mantém mais de 41 mil funcionários e centenas de estabelecimentos em funcionamento. O grupo também administra centros de distribuição e estruturas próprias de produção de alimentos e itens de panificação.
Essa operação integrada permite que a companhia abasteça parte das lojas com produtos fabricados ou distribuídos pela própria rede.
Gigante dos supermercados ainda poderá inaugurar novas unidades
O fechamento dos 30 estabelecimentos não significa o encerramento definitivo da expansão do Grupo Mateus. Afinal, a empresa inaugurou quatro lojas durante o mesmo período em que realizou os cortes.
No entanto, o ritmo de crescimento deverá ser mais controlado. A companhia pretende analisar com maior rigor o custo, o volume de vendas e o potencial de retorno de cada novo empreendimento.
Dessa forma, a rede poderá continuar fechando operações pouco rentáveis enquanto inaugura unidades em mercados considerados mais promissores.
Para os 7 mil trabalhadores retirados do quadro, porém, o impacto da reorganização já aconteceu. O corte mostra que até empresas bilionárias e lucrativas estão reduzindo estruturas para enfrentar vendas mais fracas, controlar despesas e aumentar a rentabilidade.
