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Maior rede de supermercados do Brasil fecha 28 lojas e manda demitir 6 mil funcionários em vários estados

A rede de supermercados fechou 28 lojas e mandou demitir 6 mil funcionários.
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Rede de supermercados lojas funcionários
Crédito: Divulgação
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Uma das maiores redes de supermercados do Brasil realizou um corte de grandes proporções em sua estrutura. Em apenas três meses, a companhia fechou dezenas de estabelecimentos e retirou mais de 6 mil trabalhadores do quadro de funcionários.

A reorganização atingiu operações instaladas em vários estados das regiões Norte e Nordeste. Dessa forma, os impactos não ficaram concentrados em uma única cidade ou tipo de estabelecimento.

O movimento chama atenção por envolver um grupo bilionário, que administra centenas de unidades e aparece entre os líderes do varejo alimentar nacional. Mesmo com os cortes, a empresa continua lucrativa e não anunciou qualquer plano para deixar o mercado brasileiro.

A rede responsável pelas mudanças é o Grupo Mateus. Entre janeiro e março de 2026, a companhia encerrou 28 lojas e reduziu o quadro em 6.673 trabalhadores.

Rede de supermercados corta mais de 6 mil funcionários

O Grupo Mateus terminou 2025 com aproximadamente 47,9 mil funcionários. Entretanto, ao final do primeiro trimestre de 2026, esse número havia recuado para cerca de 41,2 mil.

Assim, a empresa eliminou 6.673 postos de trabalho em poucos meses. O corte representa uma redução superior a 13% no quadro total de empregados.

As demissões fizeram parte de uma revisão ampla das operações. Após vários anos de expansão acelerada, o grupo passou a avaliar custos, produtividade e desempenho de cada unidade.

Com isso, a companhia decidiu manter uma estrutura menor e direcionar os recursos para os negócios considerados mais rentáveis, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Durante a divulgação dos resultados, o presidente do conselho de administração, Ilson Mateus Rodrigues, informou que o grupo ainda pretende reduzir despesas. Contudo, segundo ele, os próximos ajustes não devem provocar outro corte expressivo de funcionários.

Rede de supermercados fecha 28 lojas em três meses

Além de diminuir o número de trabalhadores, o Grupo Mateus encerrou 28 estabelecimentos no primeiro trimestre de 2026.

Ao mesmo tempo, a companhia inaugurou quatro novas unidades. Portanto, a rede não interrompeu completamente seus projetos de crescimento.

Na prática, o grupo adotou uma estratégia mais seletiva. A empresa passou a fechar pontos com desempenho abaixo do esperado e, ao mesmo tempo, manteve investimentos em regiões com maior potencial de retorno.

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Essa mudança marca uma nova fase para a companhia. Antes, o Grupo Mateus priorizava a expansão territorial e a abertura frequente de lojas. Agora, cada projeto deve passar por uma análise mais rígida de custos, vendas e rentabilidade.

Fechamentos atingem diferentes tipos de estabelecimento

O Grupo Mateus atua em vários formatos do comércio varejista e atacadista. Por isso, o encerramento das 28 unidades não significa necessariamente o fechamento de 28 grandes supermercados tradicionais.

A empresa administra atacarejos, supermercados, lojas de eletrodomésticos, operações de atacado e estabelecimentos de vizinhança.

Dessa maneira, os cortes alcançaram diferentes modelos de negócio mantidos pelo grupo. A companhia concentrou esforços nas unidades que conseguem entregar melhores resultados financeiros.

Entre as principais marcas administradas pelo Grupo Mateus estão:

  • Mateus Supermercados;
  • Mix Mateus;
  • Eletro Mateus;
  • Armazém Mateus;
  • Camiño Supermercados;
  • Spazio Mateus;
  • Bumba Meu Pão;
  • Food Service Mateus.

O Mix Mateus concentra boa parte das operações de atacarejo. Nesse formato, os consumidores encontram preços diferentes conforme a quantidade comprada.

Já o Mateus Supermercados trabalha com o modelo tradicional de varejo. Por sua vez, a Eletro Mateus vende móveis, eletrônicos e eletrodomésticos.

Por que a rede de supermercados decidiu fechar lojas?

Nos últimos anos, o Grupo Mateus ampliou rapidamente sua presença no Brasil. A empresa abriu unidades, entrou em novos mercados e fortaleceu principalmente as operações de atacarejo.

Porém, uma expansão desse tamanho também aumenta as despesas. Cada novo estabelecimento exige estoque, funcionários, transporte, aluguel, energia, segurança, manutenção e suporte administrativo.

Quando uma loja não alcança o volume necessário de vendas, os gastos começam a pressionar os resultados de toda a companhia. Por isso, o grupo decidiu fechar operações que não apresentavam o retorno esperado.

Além disso, a empresa reduziu algumas vendas de balcão realizadas dentro das lojas. A estratégia busca priorizar negócios com margens maiores, mesmo que isso diminua parte do faturamento bruto.

Com essas medidas, o Grupo Mateus pretende aumentar a produtividade, controlar despesas e melhorar a geração de caixa.

Decisão da rede de supermercados

A reorganização ocorre em um momento mais desafiador para os supermercados. Embora as famílias continuem comprando alimentos e produtos essenciais, muitos consumidores mudaram seus hábitos.

Parte da população passou a comprar quantidades menores, trocar marcas conhecidas por opções mais baratas e procurar promoções com maior frequência.

Além disso, os juros e o endividamento das famílias afetam as vendas de produtos mais caros. Esse cenário atinge principalmente setores como móveis, eletrodomésticos e eletrônicos, áreas nas quais o Grupo Mateus também atua.

A empresa ainda enfrentou a redução dos preços de alguns alimentos. Nesse caso, o supermercado pode vender uma quantidade semelhante de produtos, mas registrar um valor menor no faturamento.

Outro indicador também acendeu o alerta. As lojas que já funcionavam havia pelo menos um ano registraram queda de 7,3% nas vendas durante o primeiro trimestre.

Diante desse cenário, a companhia escolheu diminuir a estrutura para proteger as margens e tentar recuperar a rentabilidade.

Lucro do grupo de supermercados

Apesar do fechamento das lojas e das milhares de demissões, o Grupo Mateus continuou no lucro.

A companhia encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido próximo de R$ 213 milhões. Entretanto, o valor ficou 22% abaixo do resultado registrado no mesmo período do ano anterior.

O Ebitda, indicador que mede o desempenho operacional da empresa, também apresentou queda. O resultado recuou 18,2% e terminou o trimestre em aproximadamente R$ 400 milhões.

Portanto, a rede não fechou estabelecimentos porque deixou de vender ou entrou em recuperação judicial. Os cortes fazem parte de uma estratégia para melhorar os resultados diante da desaceleração das vendas.

Além disso, o grupo pretende reduzir estoques, controlar novos investimentos e aumentar a geração de caixa.

Rede permanece entre as maiores do Brasil

Mesmo após fechar 28 unidades e eliminar mais de 6 mil empregos, o Grupo Mateus continua entre as maiores redes supermercadistas do país.

A companhia ocupa a terceira colocação no Ranking ABRAS 2026. Apenas Carrefour Brasil e Assaí Atacadista aparecem à frente.

O levantamento considera o faturamento bruto das empresas. Em 2025, o Grupo Mateus registrou aproximadamente R$ 43,5 bilhões.

Esse resultado mostra a dimensão da companhia no varejo brasileiro. Atualmente, o grupo ainda emprega mais de 41 mil pessoas e mantém centenas de estabelecimentos em funcionamento.

Além das lojas, a empresa administra centros de distribuição e estruturas próprias de produção de alimentos e panificação. Dessa forma, o grupo consegue abastecer parte das unidades por meio de uma operação integrada.

Grupo ainda pretende abrir novas lojas

O fechamento de 28 estabelecimentos não representa o fim da expansão do Grupo Mateus. Afinal, a companhia abriu quatro novas unidades durante o mesmo trimestre.

Contudo, o ritmo deve ser diferente a partir de agora. A empresa pretende avaliar com maior cuidado o custo e o potencial de retorno de cada projeto.

Assim, o grupo seguirá dois caminhos ao mesmo tempo. De um lado, fechará operações que não entregam os resultados esperados. Do outro, poderá abrir unidades em locais considerados mais promissores.

Para os trabalhadores desligados, entretanto, o impacto já se tornou realidade. A redução de 6.673 empregos mostra que até empresas bilionárias estão diminuindo estruturas para enfrentar o consumo mais fraco e a forte disputa por preços no setor supermercadista.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos da cidade da Serra e temas de interesse público estadual.

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