Uma tradicional companhia do setor supermercadista entrou em falência depois de acumular centenas de milhões de reais em dívidas e não conseguir avançar com sua tentativa de recuperação financeira.
Ao longo de sua história, o grupo chegou a administrar 96 lojas próprias e empregou mais de 5 mil funcionários. Além disso, construiu uma forte presença no varejo alimentar e expandiu seus negócios para dezenas de municípios.
Nos últimos anos, porém, a situação financeira começou a mudar. O aumento dos custos, a concorrência mais intensa e as dificuldades para renegociar compromissos pressionaram cada vez mais o caixa.
Ao mesmo tempo, unidades começaram a fechar e a operação perdeu força. Com isso, a tentativa de reorganização financeira acabou chegando à Justiça.
Leia também
A empresa é o Grupo Ricoy, companhia paulista responsável por diferentes negócios do varejo, entre eles o Vencedor Atacadista.
Justiça decreta falência do gigante dos supermercados
A Justiça decretou a falência de 33 empresas ligadas ao Grupo Ricoy após o fracasso da recuperação judicial.
Inicialmente, a companhia buscava reorganizar suas dívidas e manter as atividades. No entanto, os credores rejeitaram o plano apresentado durante o processo.
Depois disso, surgiu uma segunda alternativa. Um grupo de credores apresentou outra proposta para tentar evitar a falência.
Ainda assim, o plano não conseguiu apoio suficiente para avançar. Por isso, a administradora judicial passou a defender o encerramento da recuperação.
Dessa forma, a Justiça decretou a falência do grupo, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Dívida do grupo ultrapassa R$ 461 milhões
O tamanho da dívida ajuda a explicar a dimensão da crise.
Ao todo, os créditos relacionados ao processo ultrapassam R$ 461 milhões. Esse valor inclui débitos com trabalhadores, fornecedores, empresas e outros credores.
Além disso, somente os créditos trabalhistas chegam a aproximadamente R$ 50,7 milhões.
A lista reúne 2.824 credores trabalhistas. Portanto, milhares de trabalhadores ainda possuem valores relacionados ao processo.
Já outra parcela expressiva da dívida está concentrada entre credores comuns. Nesse grupo, os valores chegam a aproximadamente R$ 385,9 milhões.
Enquanto isso, microempresas e empresas de pequeno porte possuem cerca de R$ 24,6 milhões em créditos.
Com uma dívida desse tamanho, encontrar uma solução capaz de preservar toda a estrutura ficou ainda mais difícil.
Rede de supermercados chegou a ter 96 lojas e 5 mil funcionários
Antes da crise financeira, o Grupo Ricoy viveu um forte período de expansão.
Ao longo dos anos, a companhia incorporou diferentes operações e ampliou sua presença principalmente no estado de São Paulo.
Como resultado, o grupo chegou a administrar 96 lojas próprias espalhadas por mais de 70 municípios.
Além disso, a operação chegou a empregar diretamente mais de 5 mil funcionários.
O grupo também administrou diferentes bandeiras do varejo alimentar. Entre elas estavam Amais, Economax, Pão de Mel, Gimenez e outras marcas.
Posteriormente, a empresa também ampliou sua atuação no atacarejo por meio do Vencedor Atacadista.
Assim, o conglomerado passou a reunir supermercados, atacarejos, distribuidoras e outras empresas ligadas ao setor.
O que levou a gigante dos supermercados à crise?
A crise financeira foi resultado de uma combinação de fatores.
Primeiramente, o aumento da concorrência pressionou as margens da companhia. Ao mesmo tempo, os juros elevados aumentaram os custos financeiros.
Além disso, despesas logísticas e tributárias passaram a pesar ainda mais sobre as operações.
Outro fator importante foi a expansão realizada nos anos anteriores.
A aquisição do Grupo Russi, por exemplo, trouxe impactos financeiros e tributários para a empresa. Posteriormente, essas obrigações contribuíram para aumentar a pressão sobre o caixa.
Enquanto isso, alguns fornecedores reduziram os prazos oferecidos para pagamento.
Dessa maneira, a companhia passou a ter menos espaço financeiro para sustentar suas operações.
Lojas começaram a fechar
Com o agravamento da crise, a estrutura do grupo começou a encolher.
Algumas unidades fecharam as portas enquanto a empresa ainda tentava avançar com a recuperação judicial.
Além disso, a administradora judicial encontrou dificuldades para obter determinados documentos financeiros, trabalhistas e operacionais.
Durante o processo, também surgiram questionamentos sobre máquinas de cartão utilizadas em estabelecimentos do grupo.
Segundo informações apresentadas no processo, alguns equipamentos direcionavam pagamentos para empresas que não integravam formalmente a recuperação judicial.
Diante desse cenário, a situação ficou ainda mais complicada.
Em agosto, visitas realizadas pela administração judicial indicaram que nenhuma das operações inspecionadas funcionava plenamente.
Por isso, a possibilidade de uma recuperação efetiva ficou cada vez mais distante.
Credores rejeitaram tentativa de recuperação
O Grupo Ricoy havia recorrido à recuperação judicial para tentar reorganizar as contas.
A estratégia poderia permitir a renegociação das dívidas e, consequentemente, a continuidade das atividades.
Porém, o plano precisava receber o apoio necessário dos credores.
Isso não aconteceu.
Depois da rejeição da primeira proposta, credores ainda tentaram apresentar uma solução alternativa.
No entanto, os apoiadores do novo plano representavam apenas uma pequena parcela dos créditos presentes na assembleia.
Consequentemente, a proposta não atingiu o percentual necessário para seguir adiante.
Sem uma alternativa viável, a recuperação judicial acabou convertida em falência.
O que acontece agora com a rede de supermercados?
A partir da decretação da falência, o processo entra em uma nova etapa.
Antes, o objetivo principal era tentar recuperar as empresas. Agora, porém, a prioridade passa a ser levantar recursos para pagar os credores.
Para isso, bens e ativos ligados às companhias poderão ser arrecadados.
Posteriormente, esses patrimônios podem ser vendidos conforme as regras do processo falimentar.
Com os recursos obtidos, a Justiça realizará os pagamentos seguindo a ordem de prioridade prevista na legislação.
Os trabalhadores também fazem parte dessa lista de credores.
Portanto, o encerramento da recuperação não significa que todos receberão imediatamente. O pagamento dependerá dos recursos obtidos com os ativos e das regras estabelecidas para a falência.
Assim, a decisão encerra a tentativa de recuperação de um grupo que chegou a administrar 96 lojas, empregar mais de 5 mil funcionários e construir uma operação relevante no setor supermercadista brasileiro.