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Fim da linha: Oi entra em falência após ficar sem dinheiro e com dívida de R$ 45 bilhões

A empresa conhecida no setor de telecomunicações entrou em falência.
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A empresa conhecida no setor de telecomunicações entrou em falência. Crédito: Divulgação
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Uma das empresas mais conhecidas do setor de telecomunicações do Brasil chegou a um novo capítulo de sua longa crise financeira. Depois de anos de renegociações, vendas de ativos e duas recuperações judiciais, a Oi voltou a ter sua falência decretada pela Justiça.

Nesta terça-feira (25), a Primeira Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro retomou o julgamento de recursos ligados ao processo da companhia. Com isso, o tribunal restabeleceu a falência da antiga gigante da telefonia.

Além disso, os números mostram o tamanho da crise. Em outubro de 2025, o administrador judicial apontou cerca de R$ 45,5 bilhões em dívidas com credores externos.

A Oi também acumulava aproximadamente R$ 1,7 bilhão em obrigações assumidas depois do início da recuperação judicial.

Por outro lado, o patrimônio da companhia continuou se deteriorando. Em março de 2026, o Grupo Oi registrava patrimônio líquido negativo superior a R$ 22,6 bilhões.

Justiça restabelece falência da Oi

A crise judicial da Oi não começou agora. Em novembro de 2025, a 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro decretou a falência da empresa após concluir que a companhia já não conseguia equilibrar suas contas, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Naquele momento, a Justiça entendeu que a Oi não tinha capacidade financeira suficiente para manter a recuperação judicial.

Porém, a decisão durou poucos dias.

Itaú e Bradesco, que figuram entre os credores da companhia, recorreram ao Tribunal de Justiça. Os bancos conseguiram suspender temporariamente os efeitos da falência.

Assim, a Oi voltou para a recuperação judicial enquanto o tribunal analisava os recursos.

Mais tarde, a Primeira Câmara de Direito Privado iniciou o julgamento do caso. Em junho, o desembargador Augusto Alves Moreira Junior pediu vista e interrompeu a análise.

Agora, com a retomada do julgamento nesta terça-feira, o tribunal voltou a reconhecer a falência da companhia.

Dívida da Oi chegou a R$ 45 bilhões

A situação financeira ajuda a explicar por que a Oi chegou novamente à falência.

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Segundo relatório do administrador judicial, a companhia acumulava aproximadamente R$ 45,5 bilhões em dívidas com credores externos em outubro de 2025.

Além disso, a empresa tinha cerca de R$ 1,7 bilhão em novas obrigações.

Ao mesmo tempo, a Oi enfrentava dificuldades para conseguir dinheiro suficiente para manter suas operações.

Nos meses seguintes, o problema se agravou. A empresa passou a depender cada vez mais da venda de ativos para pagar despesas e manter serviços essenciais.

Por isso, a falta de compradores para alguns negócios importantes pressionou ainda mais o caixa.

Oi chegou perto de ficar sem dinheiro

A redução do dinheiro disponível também aumentou a pressão sobre a empresa.

Inicialmente, a administração judicial trabalhava com uma projeção de aproximadamente R$ 88,1 milhões em caixa. Depois, porém, a estimativa caiu para cerca de R$ 19,6 milhões.

A queda ocorreu principalmente porque algumas operações que deveriam gerar recursos não avançaram como a companhia esperava.

Entre elas estava a venda da Oi Soluções, considerada um dos ativos mais importantes do grupo.

O primeiro leilão da empresa terminou sem propostas. Dessa forma, a Oi deixou de receber um recurso que considerava importante para sustentar sua operação.

Além disso, a companhia enfrentou dificuldades para concluir operações envolvendo sua participação na V.tal.

Outra venda envolvia a UPI Serviços Telefônicos, em uma negociação estimada em aproximadamente R$ 60 milhões.

No entanto, atrasos e disputas judiciais impediram que esses recursos entrassem rapidamente no caixa.

Oi passou por duas recuperações judiciais

A crise financeira da Oi já dura quase uma década.

A empresa entrou com seu primeiro pedido de recuperação judicial em 2016. Na época, o processo envolvia mais de 55 mil credores e um passivo próximo de R$ 65 bilhões.

Depois disso, a companhia iniciou uma ampla reestruturação.

A Oi vendeu empresas, renegociou dívidas e reduziu sua estrutura. Além disso, transferiu operações importantes para outras companhias.

A primeira recuperação judicial terminou em dezembro de 2022.

No entanto, a melhora durou pouco.

Em março de 2023, menos de três meses depois, a Oi entrou novamente com pedido de recuperação judicial. Na ocasião, a companhia declarou cerca de R$ 43,7 bilhões em dívidas.

Posteriormente, os credores aprovaram um novo plano em 2024.

A estratégia previa renegociação das dívidas, entrada de novos recursos e venda de ativos. Mesmo assim, a empresa não conseguiu recuperar sua capacidade de gerar dinheiro.

O que aconteceu com a antiga Oi?

Ao longo dos últimos anos, a Oi perdeu grande parte da estrutura que a transformou em uma das maiores operadoras do país.

Primeiro, a companhia vendeu sua operação de telefonia móvel.

Claro, TIM e Vivo dividiram os clientes e ativos desse negócio.

Além disso, a Oi também deixou de controlar sua antiga operação de internet por fibra. Atualmente, a Nio assumiu esse serviço.

Enquanto isso, a companhia passou a concentrar suas atividades principalmente no segmento empresarial, por meio da Oi Soluções.

A empresa também continuou responsável por alguns serviços de telefonia fixa em localidades específicas.

No começo de 2026, a Oi avançou ainda mais na redução de sua estrutura. A companhia encerrou seus postos de atendimento presencial em 31 de janeiro.

Falência da Oi significa fim imediato dos serviços?

Apesar da falência, os serviços que ainda dependem da Oi não necessariamente acabam de forma imediata.

Isso acontece porque parte da operação atende serviços considerados essenciais.

Por isso, quando decretou a falência pela primeira vez, em novembro de 2025, a Justiça determinou uma liquidação organizada da companhia.

Na prática, o processo busca evitar uma interrupção repentina de serviços de telecomunicações.

Além disso, a Anatel acompanha a situação para garantir a continuidade das atividades necessárias.

Algumas localidades ainda dependem da Oi para determinados serviços de telefonia. Há também estruturas que atendem órgãos públicos e serviços de emergência.

Portanto, a decretação da falência não significa que todos os serviços desaparecerão de um dia para o outro.

Falência encerra longa tentativa de salvar a Oi

Durante quase dez anos, a Oi tentou reorganizar suas contas e evitar a falência.

Nesse período, a companhia passou por duas recuperações judiciais, vendeu sua operação de telefonia móvel e negociou diversos ativos.

Além disso, a empresa reduziu drasticamente sua estrutura.

Mesmo com todas essas medidas, a situação financeira continuou piorando.

A dívida permaneceu na casa dos bilhões de reais. Ao mesmo tempo, o patrimônio líquido ficou negativo e o dinheiro disponível diminuiu.

Agora, com a nova decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, a antiga gigante das telecomunicações entra novamente no processo de falência.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos do Brasil e temas de interesse público nacional.

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