Farejos políticos de 2020

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Por Yuri Scardini

É hora de dar adeus a 2018 e olhar para 2019. O que esperar desse ano no campo político da Serra?  Nesse início é hora de reorganizar as forças no tabuleiro. Mas há muitas dúvidas, naturalmente. O certo é que 2019 será tempo de ganhar musculatura política-eleitoral e viabilizar as condições para chegar competitivo em 2020.

O prefeito Audifax (Rede) olha com lupa o orçamento e a máquina pública. Ele sabe que as entregas de obras e uma gestão de resultados são cláusulas sine qua non para entrar firme na disputa pela Prefeitura através de um sucessor político. Ele conta com algumas cartas na manga. Entre elas, a boa condição fiscal do município, que permite a tomada de empréstimos. 2019 deve ser ano da Serra se transformar em canteiro de obras com dopping de R$ 300 milhões em investimentos, fruto de operação de crédito.

Nesse início de ano Audifax exonerou todos os quase 1000 comissionados e oxigena a máquina pública com novos e até velhos nomes. Entre eles, coronel Nylton Rodrigues para a Defesa Social é o favorito no grupo do prefeito para tomar a rédea da sucessão. A partir de algo o militar tem que provar sua viabilidade eleitoral. Mas a conjuntura política atual permite sonhar com essa possibilidade.

Já no campo adversário, o deputado federal Sérgio Vidigal (PDT) teve um 2018 péssimo. Processos na Justiça e decisão do Tribunal de Contas podem deixá-lo inelegível. Além disso, o Ministério Público questiona suas contas de campanha. Politicamente se isolou devido ao equívoco de lançar a esposa para deputado estadual, e por tabela, candidatura que falhou nas urnas. Vidigal precisa reciclar o discurso, as práticas e reorganizar seu grupo que desmantelou. Mas ele ainda é o Vidigal, uma das forças mais consideráveis do Estado.

Emergente é Bruno Lamas (PSB). Recém-anunciado como Secretário Estadual de Desenvolvimento Social, num contexto de aumento da pobreza e desmanche das políticas sociais. Bruno quer surfar rumo a Prefeitura empurrado pelo aliado, o governador Renato Casagrande, dono da caneta de R$ 18 bilhões em orçamento. Ainda é uma incógnita a relação Bruno e Audifax, mas sabe-se que não haverá meio termo. Ou são aliados ou adversários.

Outras forças expressivas desenham seu espaço no tabuleiro. O deputado Vandinho Leite (PSDB) come quieto e costura pelo bastidor. Pensa em política 24h e sabe enxergar as melhores oportunidades. Vai estar no jogo.

Dúvida é o PSL, partido do presidente Bolsonaro que se organiza para abocanhar prefeituras, mas estará condicionado a resultados minimamente aceitáveis a nível nacional. Será que se sustenta o raso discurso de dualidade entre direita e esquerda numa eleição local?

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