Tensão comercial entre EUA e Brasil por causa do Pix pode impactar setor bilionário da Serra

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As decisões de Trump em Washington podem chegar com força aos galpões de beneficiamento de rochas da Serra. Prazo para definição é 15 de julho. Foto: Bloomberg

O Pix, criado para facilitar a vida de brasileiros comuns, virou peça numa disputa comercial que pode chegar até os galpões de beneficiamento de rochas da Serra. A cidade é o maior exportador de rochas naturais do Brasil. Em 2025, o setor movimentou US$ 381,7 milhões em exportações, respondendo por 25,7% de tudo que o país vendeu ao exterior nesse segmento.

Desse total, aproximadamente dois terços foram destinados aos Estados Unidos: US$ 252,1 milhões apenas no mercado americano. É sobre esse volume que paira uma proposta de sobretaxa que, no pior cenário, pode chegar a 37,5% sobre parte dos produtos.

Entenda a proposta de taxação

O Escritório de Comércio dos Estados Unidos, o USTR, apresentou duas propostas de sobretaxas sobre produtos brasileiros. O prazo para a decisão final é 15 de julho, e as medidas ainda dependem de aprovação do governo americano. Mas o setor já acompanha o processo com atenção.

A primeira proposta prevê uma sobretaxa de 25% sobre importações brasileiras e tem origem numa investigação conduzida no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que apura práticas consideradas restritivas ao comércio americano. Entre os argumentos usados pelo governo dos EUA para justificar a medida está o Pix. O sistema de pagamentos instantâneos brasileiro foi classificado no relatório como “injusto e discriminatório” contra empresas americanas, sob o argumento de que é operado e regulado pela mesma instituição, o Banco Central, o que configuraria, na visão americana, um conflito de interesses. 

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A segunda proposta é mais ampla: envolve 60 países e está relacionada ao combate ao comércio de produtos originados em trabalho forçado. Nesse caso, a tarifa sugerida pode chegar a 12,5%. Se as duas medidas forem aplicadas de forma cumulativa, alguns produtos podem enfrentar uma carga tarifária de até 37,5%.

O que ficou de fora, e o que ainda preocupa

Para o Espírito Santo, há um alívio parcial. Vários dos principais produtos da pauta exportadora capixaba foram excluídos de imediato da primeira proposta: petróleo, minério de ferro e celulose, por exemplo. No setor de rochas, os quartzitos também ficaram fora da lista. Mas granitos, mármores, ardósias e outras categorias seguem na mira. Segundo a Centrorochas, 45% do faturamento das exportações brasileiras de rochas naturais está potencialmente exposto aos efeitos da medida.

A proporção exata do impacto sobre a Serra ainda não está calculada, mas os dados disponíveis dão a dimensão do risco. Se dois terços das exportações de rochas da cidade têm os EUA como destino, e quase metade do setor está sob ameaça de taxação, o volume em jogo é expressivo.

O setor se movimenta

A Centrorochas diz que acompanha o processo de perto, com atuação em Washington e interlocução com entidades empresariais, representantes políticos e especialistas em comércio internacional. As audiências do USTR estão previstas para julho, mesmo mês em que a decisão final deve sair.

Para a Serra, o desfecho dessas negociações envolve empresas que vão do Jacuhy ao Pólo Serra Norte, empregos e um arranjo que levou décadas para se consolidar como o maior do país.

Foto de Yuri Scardini

Yuri Scardini

Yuri Scardini é diretor de jornalismo do Jornal Tempo Novo e colunista do portal. À frente da coluna Mestre Álvaro, aborda temas relevantes para quem vive na Serra, com análises aprofundadas sobre política, economia e outros assuntos que impactam diretamente a vida da população local. Seu trabalho se destaca pela leitura crítica dos fatos e pelo uso de dados para embasar reflexões sobre o município e o Espírito Santo.

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