A Serra vai se beneficiar de duas obras que nem ficam no seu território. A Ecovias Capixaba iniciou nesta segunda-feira (8) a construção do Contorno de Ibiraçu, na BR-101, e avançou no licenciamento do Contorno de Fundão. Juntas, as duas intervenções vão eliminar os gargalos urbanos que hoje travam o fluxo de veículos entre a Região Metropolitana de Vitória e o litoral norte do Espírito Santo, abrindo um corredor contínuo que conecta a Serra diretamente a Aracruz e Linhares.
O problema que as obras resolvem
Quem percorre a BR-101 em direção ao norte do estado passa hoje, obrigatoriamente, pelo miolo urbano de Fundão e de Ibiraçu. As duas travessias geram congestionamentos crônicos, atrasam o transporte de cargas e funcionam como um freio real na fluidez do corredor. Para quem sai da Serra, isso significa mais tempo na estrada, mais custo logístico e menos atratividade para negócios que dependem dessa conexão.
Com os dois contornos, a BR-101 ganha alternativas que desviam o tráfego para fora das malhas urbanas. O resultado prático é um eixo desobstruído de Serra a Aracruz, passando por Fundão e Ibiraçu sem cruzar o centro de nenhuma das duas cidades.
Por que Aracruz importa para a Serra
O litoral norte do Espírito Santo vive um ciclo de investimentos que não tem paralelo recente. Aracruz concentra projetos de logística portuária e industrial de grande escala, somado a Sudene e ZPE; e a chegada da fábrica da GWM, montadora chinesa que promete instalar no estado uma planta voltada à nova geração de veículos eletrificados, coloca a região dentro da chamada indústria 5.0.
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Esse movimento cria demanda por fornecedores, serviços, transporte e mão de obra. A Serra, com sua malha industrial e sua posição geográfica na entrada sul desse corredor, tem condições reais de se inserir nessa cadeia. Mas a viabilidade dessa conexão depende de uma rodovia que funcione. Os contornos de Fundão e Ibiraçu são, nesse sentido, infraestrutura direta para a competitividade da Serra.
O Mestre Álvaro e o oeste que cresce
Há outro efeito que vale registrar. O Contorno do Mestre Álvaro, hoje incorporado à própria BR-101, já redistribuiu o fluxo da rodovia para o oeste da Serra, atraindo negócios e movimento para uma área que antes ficava à margem da dinâmica econômica da cidade. Esse processo tende a se intensificar com a maior fluidez do corredor norte.
Quando a BR-101 funciona bem do Mestre Álvaro até Aracruz, o trecho serrano da rodovia passa a valer mais, tanto para empresas que buscam localização estratégica quanto para empreendimentos que dependem do fluxo de carga e passageiros. E tudo isso acontece no lado oeste da Serra, sem pressionar a zona urbana consolidada entre o Mestre Álvaro e o litoral.
Os números das obras
O Contorno de Ibiraçu tem 3,18 quilômetros entre os quilômetros 210,9 e 215 da rodovia, com investimento de R$ 125 milhões e previsão de 900 empregos. O Contorno de Fundão será maior: 7,2 quilômetros, R$ 247 milhões e 1.700 postos de trabalho. Juntos, os dois empreendimentos somam mais de dez quilômetros de pista nova, R$ 373 milhões em investimento e 2.600 empregos diretos e indiretos. A conclusão está prevista para o final de 2028.