A indústria capixaba fechou abril de 2026 com uma marca que poucos estados conseguem exibir: 12 meses consecutivos de crescimento de dois dígitos na produção industrial. O resultado de abril, 32,9% acima do mesmo mês de 2025, foi o maior do Brasil e superou com folga a média nacional, que ficou em 2,7%.
Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e compilados pelo Observatório FINDES. O crescimento de abril também está entre os dez maiores registrados na série histórica da pesquisa, que começou em 2003.
Nesse cenário, a Serra ocupa um lugar estratégico. O município abriga a maior malha industrial do Espírito Santo, com empresas de grande e médio porte distribuídas nos principais polos industriais do Estado. O desempenho da indústria capixaba passa diretamente pelo chão de fábrica serrano.
Motor do crescimento: petróleo, gás e minério
O principal motor do resultado foi a indústria extrativa, que cresceu 49,9% em abril na comparação com 2025. A produção de petróleo no Espírito Santo atingiu 293,6 mil barris por dia no mês, alta de 76,5% frente ao mesmo período do ano anterior e o maior volume desde março de 2019.
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O avanço do campo de Wahoo, operado pela PRIO, e a operação da FPSO Maria Quitéria, da Petrobras, ambos no litoral sul do Estado, foram decisivos para esse salto. Só a Maria Quitéria produziu 76,2 mil barris diários de petróleo e 2,9 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia em abril.
A produção de gás natural também bateu recordes recentes: 8,1 milhões de metros cúbicos por dia, resultado 106,1% superior ao de abril de 2025 e o maior volume desde janeiro de 2019.
Indústria de transformação também avança
A indústria de transformação capixaba voltou ao terreno positivo em abril, com alta de 0,4% na comparação anual, interrompendo dois meses seguidos de queda. A metalurgia, setor muito ligado à Serra através da ArcelorMittal Tubarão, cresceu 3,0%, puxada pelo aumento na produção de ferro-gusa e de produtos de aço. A fabricação de produtos de minerais não-metálicos avançou 2,5%, com destaque para pedras de construção trabalhadas e granito talhado ou serrado, outro segmento com forte predominância da Serra.
No acumulado de janeiro a abril de 2026, o Espírito Santo registrou crescimento de 25,3% frente ao mesmo período de 2025, também o melhor resultado do país. Pernambuco aparece em segundo lugar, com 19,7%. No acumulado dos últimos 12 meses, o ES cresceu 21,9%, contra apenas 0,7% da média nacional.
Liderança que exige atenção
Para o presidente da FINDES, Paulo Baraona, os números confirmam a força da indústria capixaba, mas o cenário exige olhar cuidadoso. “Completar 12 meses seguidos de alta em dois dígitos é um resultado muito expressivo. Esse desempenho gera impacto na economia, movimenta cadeias produtivas e cria oportunidades para os capixabas”, avaliou.
Baraona ressalta que manter o ritmo depende de avanços em infraestrutura, qualificação profissional, inovação e ambiente de negócios.
A economista-chefe da FINDES, Marília Silva, lembra que o resultado positivo convive com um ambiente econômico mais difícil. “Os juros elevados e as tensões geopolíticas pressionam os custos. Os preços dos produtos industriais acumularam alta de 5,12% entre janeiro e abril, o que já começa a ser repassado ao consumidor”, alertou.
O Espírito Santo terminou abril no topo do ranking do IBGE, à frente de Rio de Janeiro (+10,1%), Goiás (+6,2%), Rio Grande do Sul (+5,3%) e Minas Gerais (+3,7%).
