Uma das marcas de carros de luxo mais conhecidas do mundo entrou na reta final de sua produção no Brasil. Depois de anos tentando manter uma fábrica nacional, a Land Rover decidiu encerrar a montagem de veículos em Itatiaia, no Rio de Janeiro.
A decisão acendeu o alerta entre os funcionários da unidade. Atualmente, a fábrica mantém 371 empregos diretos, mas o futuro dos trabalhadores ainda depende das próximas negociações envolvendo a empresa, o sindicato e uma possível nova fabricante interessada no local.
Nos bastidores, a informação é que os últimos carros já foram produzidos. Agora, os modelos aguardam apenas a distribuição para as concessionárias, prevista para ocorrer até meados de julho.
Land Rover encerra produção no Brasil após dez anos
A fábrica da Land Rover em Itatiaia completou cerca de uma década de funcionamento. No entanto, a operação nunca conseguiu atingir o desempenho esperado pela montadora.
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A unidade produzia modelos como Discovery Sport e Range Rover Evoque. Mesmo assim, o volume de vendas ficou abaixo do necessário para sustentar a operação industrial no país.
A montadora informou que a produção seguiu normalmente durante o mês de junho, dentro do planejamento previsto. Porém, a empresa não divulgou novos detalhes sobre o futuro da unidade.
Com isso, trabalhadores e representantes sindicais seguem aguardando uma definição oficial sobre os próximos passos.
Vendas baixas pesaram na decisão da montadora
O desempenho comercial da marca no Brasil ajuda a explicar a mudança. Em 2025, a Land Rover vendeu apenas 757 veículos no mercado nacional.
Além disso, entre janeiro e maio deste ano, os modelos Discovery Sport e Evoque somaram 264 emplacamentos. O número foi considerado baixo para manter uma fábrica dedicada à montagem desses veículos no Brasil.
Outro ponto importante está no modelo de operação da unidade. A fábrica funcionava no sistema SKD, em que grande parte das peças vinha do exterior praticamente pronta. No Brasil, os veículos passavam pela etapa final de montagem.
Na prática, isso limitava o nível de nacionalização da produção e tornava a operação mais dependente de componentes importados.
Funcionários podem perder o emprego
A situação mais delicada envolve os trabalhadores da fábrica. Segundo o Sindireal, sindicato que representa metalúrgicos de Itatiaia e Porto Real, a unidade possui 371 empregos diretos.
Mesmo com o fim da produção, os funcionários continuam participando de cursos de especialização. A medida ocorre enquanto a categoria aguarda uma resposta sobre a continuidade dos postos de trabalho.
O diretor administrativo do sindicato, Bruno Mendonça Streva, afirmou que a principal preocupação é garantir os empregos caso a negociação com outra montadora avance.
A entidade também destacou que a JLR possui acordo coletivo em vigor e vem cumprindo as obrigações trabalhistas. Ainda assim, o sindicato defende garantias formais para evitar demissões em massa.
Fabricante chinesa negocia assumir fábrica
Enquanto a Land Rover se prepara para deixar a produção nacional, uma nova fase pode começar no mesmo endereço. A fabricante chinesa Chery negocia a compra da fábrica, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Representantes da empresa já participaram de reunião virtual com a Prefeitura de Itatiaia. Durante a conversa, a montadora formalizou pedido para aderir a incentivos fiscais.
As tratativas também envolvem o Governo do Estado do Rio de Janeiro e a Assembleia Legislativa. O principal ponto em discussão está ligado a questões tributárias e às condições para viabilizar a nova operação.
Caso o acordo avance, a unidade poderá passar por adaptação para receber a produção da nova fabricante.
Fábrica pode produzir até 100 mil carros por ano
O plano discutido prevê uma capacidade de produção próxima de 100 mil veículos por ano a partir do segundo semestre de 2027.
Antes disso, a unidade poderia ser preparada para fabricar até 87 mil carros anuais. Essa adaptação inicial estaria prevista nos compromissos negociados com os governos locais.
Portanto, apesar do encerramento da produção da Land Rover, a fábrica ainda pode ganhar uma nova função dentro da indústria automotiva brasileira.
No entanto, até que a negociação seja concluída, os trabalhadores seguem em meio à incerteza. O principal impasse é saber se a chegada de uma nova montadora vai preservar todos os empregos ou se parte dos funcionários será desligada.