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Rede de farmácias é condenada a pagar R$ 10 milhões por pedir CPF de cliente

A maior rede de farmácias do Brasil foi condenada pela Justiça a pagar R$ 10 milhões.
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Rede de farmácias justiça CPF de cliente
A maior rede de farmácias do Brasil foi condenada pela Justiça a pagar R$ 10 milhões. Crédito: Divulgação
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A prática de pedir CPF no caixa da farmácia para liberar descontos virou alvo da Justiça. A Raia Drogasil, considerada a maior rede de farmácias do Brasil, foi condenada a pagar R$ 10 milhões por danos morais coletivos após uma decisão que questiona a forma como a empresa coleta dados de consumidores.

A sentença saiu no Maranhão e reacendeu uma dúvida comum entre clientes: a farmácia pode condicionar promoções e preços menores ao fornecimento do CPF?

Para a Justiça, a resposta é não. O entendimento do juiz Douglas de Melo Martins, da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís, é que a rede não pode obrigar o consumidor a informar dados pessoais para ter acesso a descontos.

Com isso, a decisão determina que os preços promocionais também cheguem aos clientes que não desejam informar CPF, aderir a cadastro ou participar de programas de fidelidade.

Justiça condena rede de farmácias por descontos atrelados ao CPF

O caso começou por meio de uma ação civil pública movida pelo Centro de Promoção da Cidadania e Defesa dos Direitos Humanos Padre Josimo e pelo Instituto de Cidadania, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social do Maranhão (ICDESCA).

Na decisão, o juiz entendeu que a empresa criava uma espécie de pressão sobre o consumidor ao vincular descontos ao fornecimento do CPF. Na prática, o cliente que não entregava seus dados podia pagar mais caro pelo mesmo produto.

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Esse ponto pesou na sentença. Para a Justiça, o consumidor só pode compartilhar informações pessoais quando toma essa decisão de forma livre, consciente e bem informada.

No entanto, quando o desconto depende do CPF, essa liberdade fica comprometida. Afinal, o cliente pode se sentir obrigado a fornecer os dados para economizar, principalmente em compras de medicamentos, itens de saúde e produtos de higiene.

Desconto em farmácia não pode depender de cadastro, diz decisão

A sentença classificou a prática como abusiva, coercitiva e desleal. Além disso, o juiz destacou que produtos ligados à saúde não devem servir como instrumento para forçar a entrega de informações pessoais.

Com a condenação, a Raia Drogasil terá que parar de exigir CPF como condição para conceder descontos. A empresa também deverá garantir que todos os consumidores tenham acesso aos preços promocionais, mesmo sem cadastro.

A decisão ainda obriga a rede a adotar uma política clara de consentimento em até 60 dias. Ou seja, a farmácia precisa explicar de forma objetiva por que coleta os dados, por quanto tempo guarda essas informações e se compartilha o conteúdo com terceiros.

Essas explicações deverão aparecer antes da adesão do cliente a programas de desconto, fidelidade ou sistemas semelhantes, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Multa pode chegar a R$ 100 mil por dia

Além da indenização milionária, a sentença fixou multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento.

O valor de R$ 10 milhões deverá ir para o Fundo Estadual de Proteção dos Direitos Difusos (FEPDD). Esse tipo de fundo recebe recursos de condenações ligadas a danos coletivos e direitos da sociedade.

Na prática, a decisão manda um recado ao varejo: descontos não podem funcionar como uma forma indireta de coleta obrigatória de dados pessoais.

Portanto, programas de fidelidade e cadastros promocionais devem ser opcionais. Antes de aceitar, o cliente precisa entender como suas informações serão usadas.

Caso pode afetar outras redes de farmácias e lojas

A condenação chama atenção porque envolve uma das maiores empresas do varejo farmacêutico do país. Por isso, a decisão pode influenciar discussões semelhantes em outras redes de farmácias, supermercados, postos de combustíveis e lojas que pedem CPF em troca de desconto.

Nos últimos anos, esse tipo de prática se tornou comum no Brasil. Em muitos estabelecimentos, o consumidor ouve a pergunta antes mesmo de saber o preço final: “CPF na nota?” ou “Tem cadastro para desconto?”.

Contudo, a sentença reforça que o cliente precisa ter liberdade real de escolha. Ele pode aceitar participar de um programa de benefícios, mas não deve enfrentar prejuízo financeiro apenas por preferir não entregar seus dados.

O tema ganha ainda mais força no setor farmacêutico. Isso porque farmácias lidam com informações sensíveis, já que compras de medicamentos podem revelar hábitos de saúde e condições pessoais do consumidor.

O que muda para o consumidor?

Com a decisão, a Justiça determina que a Raia Drogasil ofereça descontos e promoções também a quem não informar CPF. Além disso, a rede deverá deixar mais claro como coleta, armazena e utiliza os dados dos clientes.

Ainda cabe recurso. Mesmo assim, a condenação já se tornou uma das decisões mais relevantes sobre proteção de dados, consumo e programas de desconto em farmácias.

O que diz a Raia Drogasil?

O Portal Tempo Novo entrou em contato com a Raia Drogasil, mas ainda não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestação da empresa.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos da cidade da Serra e temas de interesse público estadual.

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