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Serra, 15 de dezembro de 2018

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Mestre Álvaro

por Eci Scardini

Serra, 9 de Março de 2018 às 9:32

Vale o serrano abrir os olhos


Bruno Lyra

Em junho do ano passado, a Vale aprovou proposta de reestruturação societária para tirar o controle da empresa das mãos do Valepar, formado por fundos de pensão de empresas estatais, dentre eles o Previ e Funcef (Banco do Brasil), Funcesp (Cia Energética de São Paulo) e Petros (Petrobras), além do banco privado Bradesco e a da japonesa Mitsui.

Mudança que veio na esteira da chegada do presidente da Vale, Fabio Schvartsman. E que gerou eco nas atividades da empresa no estado, quando em fevereiro último, o diretor de Operações Logísticas no ES, Fábio Brasileiro, pediu demissão. Fábio era considerado o capixaba mais graduado na Vale e teria deixado o cargo por não concordar com a nova estrutura da companhia, considerada mais centralizada.

Coisas de mercado e gestão coorporativa? Sim, mas podem ser decisivas no cotidiano dos territórios onde a maior mineradora do planeta atua. É o caso da Serra, cuja explosão populacional  se deu quando a empresa começou a se instalar na ponta de Tubarão, no final dos anos 1960.

Além de parte do Complexo de Tubarão, bairros da Serra são cortados por ferrovia operada pela Vale. Na área rural, em Aroaba, tem um pátio de ferro-gusa e oficina de máquinas da empresa. Todos os acessos rodoviários para veículos pesados à Tubarão são pela Serra. A Vale é a 2ª maior consumidora individual de água (perde só para sua “vizinha de parede” ArcelorMittal) do principal rio que atende a população da cidade, o Santa Maria.

A Serra é também uma das que mais sofre com o pó preto. E com as descargas industriais no mar, como em dezembro passado, e o derramamento de óleo da oficina de locomotivas na lagoa e casas de Hélio Ferraz em outubro de 2014.

De impostos, a Vale deixa quase nada aqui. Suas operações em Tubarão (incluindo os portos) são tributadas para Vitória, exceto a oficina de locomotivas. Mas para fazer política social, a empresa usa dinheiro do contribuinte serrano. A prefeitura banca R$ 1,1 milhão para a Estação Conhecimento todo ano.

Será que esse redesenho da gestão da Vale vai se traduzir em mais empregos ou demissões em Tubarão? Vai ter mais investimento em gestão ambiental ou menos ainda? As políticas de responsabilidade social vão dar um salto ou continuar na dependência do dinheiro público?

São respostas que dependem ainda de outra variável: o fortalecimento da mineração da empresa no Norte do país contrastando com o crescente desgaste da empresa no Sudeste, sobretudo após o desastre/crime ambiental de Mariana.




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