Usina faz adubo com resto de poda e comida

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Atualmente a usina processa 30 toneladas por dia, mas tem capacidade para 300 toneladas. Só não faz isso por falta de coleta seletiva. Foto: Divulgação
Atualmente a usina processa 30 toneladas por dia, mas tem capacidade para 300 toneladas. Só não faz isso por falta de coleta seletiva. Foto: Divulgação

Bruno Lyra

Sabe aqueles restos de capim, galhos e folhas que sobram após a limpeza de canteiros, praças e ruas da cidade? Eles estão virando adubo para a agricultura. Tudo por conta da usina de compostagem da Organobom, que segundo seus proprietários é a maior do tipo em operação no Espírito Santo. A usina fica em Putiri, região rural do município.

O diretor Francisco Junger diz que o adubo já é vendido para produtores rurais do ES e também para fruticultores do Vale do São Francisco, no sertão do Nordeste. Na Serra, é aplicado para o fortalecimento das plantas que compõe o cinturão verde de uma siderúrgica.

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Além dos materiais de poda, também já estão restos de alimentos descartados de feiras livres e restaurantes de algumas empresas.

Segundo Francisco, a tecnologia utilizada permite que a decomposição da matéria orgânica usada como matéria prima seja antecipada para um intervalo de 48h à 72h, ao invés dos três meses que gastaria para fazer o processo. O material é triturado, adicionado às leiras (um tipo de serragem) com 4 metros de base, 1,6 m de altura e 80 m de comprimento.

“Aí controlamos umectação e areação por 72h. O que não decompõe volta para a trituração e reinicia o processo”, explica.

O empresário explica que o adubo conseguido é de melhor qualidade que outros orgânicos vendidos no mercado. “É um adubo livre de material inerte, com mais de 2% de nitrogênio e 47% de matéria orgânica compostável. Hoje o setor agrícola tem preocupação com a falta de adubo orgânico”, frisa. 

A usina funciona há um ano e foi criada para dar destinação aos materiais coletados pela Emec, empresa do mesmo grupo e que detém o contrato de limpeza urbana junto à prefeitura da Serra.  Segundo Francisco foram investidos R$ 3 milhões no empreendimento, que gera cerca de 50 empregos diretos, contando coletores, motoristas e a turma que trabalha na usina.

A maior dificuldade da empresa é a falta de matéria prima. “Hoje processamos cerca de 30 toneladas por dia, mas nossa capacidade é de 300 toneladas. É preciso fazer valer a lei que obriga geradores de matéria orgânica a destinarem seus resíduos para a compostagem e não para aterros sanitários, pois além de perda econômica degrada o meio ambiente”, completa o filho e parceiro de Francisco nos negócios, Francis Junger.  

Foto de Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli é repórter e chefe de redação do Jornal Tempo Novo, com 25 anos de atuação na equipe. Ao longo de sua trajetória, já contribuiu com diversas editorias do portal e hoje se destaca também à frente da coluna Divirta-se.

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