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sábado, 23 de novembro de 2019

Serra perde mil empregos e recuo da produção em Tubarão pode ser causa

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Pátio de minério da Vale em Tubarão está com fluxo menor. (Foto: Divulgação/Vale)

A queda na produção de minério de ferro, pelotas e aço em Tubarão pode ser um dos motivos para o recuo dos empregos na cidade. A afirmação é do secretário de Trabalho, Emprego e Renda, Roberto Carlos, que foi questionado sobre quais seriam as razões do fechamento de mais de mil postos de trabalho com carteira assinada na Serra em julho.

“Os números, às vezes, são sazonais, e essa sazonalidade ocorre mais no setor de serviços, que foi exatamente onde houve. Ainda não conseguimos identificar as razões dessa queda, mas já temos pessoas trabalhando para tentar identificar o que houve. No momento, sabemos que a queda foi no estado todo e que um dos setores afetados foi o de metalmecânica, em que a Serra é forte”, explica.

Questionado se a redução na produção da Vale e o fechamento do alto-forno 2 da Arcelor para reforma poderia ser um dos causadores, ele confirmou. “Pode ser que tenha relação com a redução da produção de minério da Vale e a parada do alto-forno 2 da Arcelor sim, mas ainda estamos apurando”, disse.

O setor de metalmecânica é um dos principais prestadores de serviço ao complexo industrial de Tubarão (ArcelorMittal e Vale), que inclui os portos e outras empresas menores.

Em julho, foram fechados 1.025 postos de trabalho na Serra, considerando o saldo entre contratações (5.001) e desligamentos (6.026), de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Este foi o primeiro mês do ano em que a quantidade de trabalhadores demitidos na cidade superou o de contratados. O número é quase metade (46,2%) do total de postos abertos na cidade no 1º semestre (de janeiro a junho, a Serra abriu 2.219 vagas).

As maiores baixas em julho foram registradas no setor de serviços (965), indústria de transformação (215) e comércio (163). E como a Serra é a locomotiva econômica do Espírito Santo, o mau desempenho dos empregos na cidade também foi notado no estado, que perdeu 4.177 vagas (28.297 admissões e 32.414 demissões). As vagas fechadas na Serra são quase um quarto (24,5%).

O ES e a Serra seguiram na contramão dos dados nacionais e regionais: no Brasil, julho foi o quarto mês consecutivo que abriu vagas (43,8 mil) e na região sudeste, o saldo também foi positivo (23,8 mil).

Vale e Arcelor reduziram atividades no ES

Em abril, a Vale admitiu que sua produção de minério no país caiu 24% após o rompimento da barragem de Brumadinho e a revisão dos protocolos de segurança que paralisou a extração em diversas minas. No entanto, a mineradora não revelou quanto reduziu a produção em Tubarão. Mas documentos da empresa revelam que a exportação de minério caiu mais de 36% em Tubarão entre março e abril.

E em julho, o Gerente de Sustentabilidade e Relações Institucionais da ArcelorMittal Tubarão, João Bosco Reis da Silva, afirmou que a produção reduziu por conta da parada programada para obras do alto-forno 2, sendo que essa medida foi antecipada em dois meses em função da elevação do preço do minério em decorrência da queda de oferta do produto no mercado, como efeito do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG). Na ocasião, afirmou que o consumo de pelotas fornecidos pela Vale reduzira 15% na unidade fabril da Serra.

No entanto, há a perspectiva de geração de empregos nas duas gigantes da siderurgia por conta de obras para a redução do pó preto, conforme acordo firmado com Estado e Ministério Público. Na Vale, serão 3,2 mil empregos até 2021. Na Arcelor, 3,8 mil vagas nos próximos cinco anos. Nos dois casos, a maior parte das vagas será temporária, pois serão empregadas durante as obras.

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