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Correios (finalmente) dá primeiro passo para vender área milionária na Serra

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Terreno dos Correios na Serra visto da avenida, cercado por muro e mato
Vista da avenida mostra o terreno dos Correios na Serra, cercado por muro pichado e tomado pelo mato.
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Um dos terrenos mais valorizados da Serra pertence aos Correios e começa a sair da inércia. A estatal selecionou a área, de 57.910 metros quadrados, no bairro Laranjeiras, para estudos técnicos que podem resultar em leilão nos próximos meses. Pelo valor médio de mercado, de R$ 1.500 o metro quadrado, o terreno soma cerca de R$ 87 milhões.

Terreno dos Correios ocupa esquina estratégica na Serra

Vista aérea do terreno dos Correios na Serra, na esquina com avenida movimentada
Vista aérea mostra o terreno dos Correios na Serra, tomado por mato e vegetação, na esquina de Laranjeiras.

A localização explica o valor. O imóvel fica numa esquina entre a Avenida Mestre Álvaro, antiga BR-101, e a Avenida Eldes Scherrer de Souza, que corta Laranjeiras e liga ao CIVIT II. A Mestre Álvaro deixou de ser federal e passou para a gestão da Prefeitura da Serra, mudança que reduziu a burocracia para ocupação da área. Antes, a via estava sob concessão da Eco-101 e sob regras federais, o que travava projetos na região. Com a municipalização, o cenário mudou.

Área tem potencial para construção civil e comércio

O tamanho e a localização tornam o terreno atrativo tanto para a construção civil quanto para grandes empreendimentos comerciais. Segundo informações de bastidores do setor imobiliário, a rede Havan andou sondando a área, embora nenhuma negociação tenha sido confirmada oficialmente. Enquanto isso, o imóvel segue nas mãos dos Correios, sem uso definido.

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Fase de estudos técnicos

Segundo dados divulgados pela própria estatal, o imóvel identificado pelo código 14001874 está entre os que passam por estudos técnicos e análises internas, com vistas a uma futura inclusão em processos de alienação. Os Correios reforçam que o terreno ainda não está disponível para venda ou licitação e que a destinação pode mudar conforme critérios técnicos, operacionais e estratégicos da empresa. Caso avance, a venda deve ocorrer por licitação ou leilão, com publicidade e concorrência abertas.

Terreno ocioso já serviu de abrigo para moradores de rua

Enquanto aguarda definição, a área permanece ociosa há anos. O terreno chegou a servir de passagem e, em alguns momentos, de abrigo para pessoas em situação de rua. A movimentação dos Correios em direção a um possível leilão pode mudar essa realidade e destravar um dos maiores potenciais imobiliários da Serra.

Correios já negaram interesse em vender o terreno em 2023

Não é a primeira vez que o terreno movimenta o noticiário. Em março de 2023, o Tempo Novo publicou que rumores de leilão da área haviam circulado na cidade, mas os Correios desmentiram a informação na época. A estatal afirmou que não tinha previsão de venda do imóvel e que a movimentação identificada no local era apenas uma limpeza semestral, feita quinze dias antes da resposta ao jornal. À época, os Correios chegaram a esclarecer, em nota, que o terreno era de sua propriedade e que não havia previsão para alienação.

Na ocasião, o terreno também era descrito como abandonado e sem cercamento adequado, usado por moradores de rua, além de servir de esconderijo para criminosos e ponto de tráfico de drogas, segundo relatos de moradores e comerciantes da região. Passados quase três anos, o discurso mudou. Os Correios agora incluem oficialmente o imóvel entre os que passam por estudos técnicos com vistas a uma futura venda.

Correios enfrentam rombo recorde e precisam de caixa

A expectativa é que o processo não se arraste. Isso porque os Correios enfrentam um prejuízo recorde e precisam de caixa. Para isso, a estatal lançou um plano de recuperação para voltar ao azul até 2027, sustentado por um empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia da União.

Mesmo com demissões voluntárias, fechamento de unidades e venda de ativos, o resultado negativo persiste. Só no primeiro trimestre de 2026, a empresa registrou prejuízo de R$ 3,16 bilhões, quase o dobro do resultado negativo do mesmo período do ano anterior. Portanto, diante desse cenário, ativos como o terreno de Laranjeiras tendem a ganhar prioridade nos planos de venda dos Correios.

Foto de Yuri Scardini

Yuri Scardini

Yuri Scardini é diretor de jornalismo do Jornal Tempo Novo e colunista do portal. À frente da coluna Mestre Álvaro, aborda temas relevantes para quem vive na Serra, com análises aprofundadas sobre política, economia e outros assuntos que impactam diretamente a vida da população local. Seu trabalho se destaca pela leitura crítica dos fatos e pelo uso de dados para embasar reflexões sobre o município e o Espírito Santo.

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