Uma nova técnica cirúrgica capaz de tratar, simultaneamente, o glaucoma e a catarata, será incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS). O tratamento dessas doenças permitirá a remoção do cristalino e a desobstrução do canal de drenagem ocular em uma única intervenção.
A nova técnica é direcionada para casos leves a moderados de glaucoma primário de ângulo aberto e será menos invasiva que as opções atuais. A recuperação será mais rápida, com redução no risco de complicações e melhor controle da pressão intraocular, que pode causar cegueira se não for tratada.
Atualmente, o tratamento inicial do glaucoma na rede pública é orientado pelo uso de colírios para reduzir a pressão intraocular. Quando os medicamentos não apresentam o efeito esperado ou o paciente encontra dificuldades para seguir o uso regular, o tratamento passa a incluir intervenções a laser ou cirurgias, como o implante de drenagem oftalmológico, conhecido como iStent.
Já o novo procedimento, que será incluído no PCDT, abrange duas possibilidades cirúrgicas: a feita por meio de uma pequena incisão na córnea, chamado de goniotomia excisional, ou a partir de um microcateter ou fio cirúrgico introduzido no canal natural de drenagem do olho, a trabeculotomia transluminal.
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Glaucoma e catarata
O glaucoma é uma doença crônica que afeta o nervo óptico, estrutura responsável por conduzir as imagens do olho ao cérebro. A condição provoca a perda progressiva de células da retina e limita gradualmente a visão periférica, que é a capacidade de enxergar ao redor. Segundo dados da Conitec, a doença já é a segunda maior causa de cegueira no mundo, atrás apenas da catarata.
Existem dois tipos principais do glaucoma: o glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA), caracterizado por um avanço lento e silencioso, e o glaucoma primário de ângulo fechado (GPAF), que costuma surgir de forma mais súbita e aguda.
A doença acomete até 3% da população brasileira acima de 40 anos, sendo o GPAA a variante mais prevalente, com cerca de 60% dos diagnósticos no país.
Já a catarata é caracterizada pela perda de transparência (opacificação) do cristalino, que fica opaco, o que reduz a capacidade visual e afeta principalmente a população idosa.