Quem quer ser um estadista?

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Yuri Scardini

A eleição de 2020 pode trazer uma novidade: a ausência dos dois principais líderes políticos locais das últimas duas décadas. Trata-se do prefeito Audifax Barcelos (Rede), que não pode se reeleger – uma vez que já o fez em 2016 -, e também a possibilidade de o deputado federal Sérgio Vidigal (PDT) não ser candidato, como ele sugere em entrevista publicada pelo Tempo Novo nesta edição.

É fato consumado que esse cenário é sedutor para lideranças externas. E isso tem deixado o mercado político local pensativo. Será que a “nova” geração vai dar conta de segurar o boi pelo chifre e impedir o crescimento de projetos desconectados com as raízes da Serra?

É uma dúvida plausível. Afinal de contas, a eleição de 2018 priorizou o discurso do “novo”, em um processo crescente e demagógico de demonização/negação da política, como se esta não fosse inerente à vida em sociedade. Além disso,demonstrou a força do populismo – impulsionado pelas redes sociais – e valorizou os discursos extremistas e pouco aplicáveis.

Resumidamente, o justo sentimento de revolta da população que gerou a crise de representatividade foi canalizado na degola dos caciques políticos e trouxe quadros que ainda suscitam dúvidas sobre a capacidade de compreensão da dinâmica de uma sociedade tão plural quanto à brasileira. Portanto, o campo é fértil para o surgimento de um fenômeno outsider na Serra em 2020.

Pelas mãos de Audifax e Vidigal, a Serra nos últimos 30 anos foi a cidade que mais cresceu no Espírito Santo e hoje é a locomotiva econômica. Agora, chegou a hora de passar o bastão. Por mais que uma parcela expressiva da população possa demonstrar cansaço com o nome dos dois, são absolutamente inegáveis seus respectivos legados. Em perspectiva histórica, Audifax e Vidigal sempre serão mais do que quadros na parede; estão entre os protagonistas pela Serra como fenômeno urbano.

Sinais muito fortes dão a entender que pode haver um entendimento nesse sentido entre Audifax e Vidigal: “a missão não acabou”. Talvez eles nunca cheguem a apertar as mãos, mas pode haver uma composição de consenso que vai gerar um nome comum a ambos e com identidade e raízes na Serra. Pode ser um caminho interessante para o município desviar de aventureiros duvidosos.

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