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Serra, 1 de julho de 2019 às 13:43

Professor da Serra acusado de assédio sexual vai depor em CPI da Assembleia

Por Gabriel Almeida
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Professor será ouvido em reunião conjunta de comissões presididas por Pazolini e Vandinho. Foto: Ellen Campanharo

Após um grupo de alunas da Escola Estadual Clóvis Borges Miguel, que fica em Serra Sede, acusar um professor da unidade de assédio sexual, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Crimes Cibernéticos da Assembleia Legislativa (Ales) convocou o profissional acusado para prestar depoimento na próxima terça-feira (2). 

As denúncias de assédio sexual foram feitas pelas estudantes, inicialmente, através de cartas que foram espalhadas pela escola. Mas ganhou forte repercussão pelas redes sociais no último dia 25. Ainda na internet, as estudantes dizem que a direção da escola foi omissa quando recebeu as denúncias. Após a repercussão do caso, o professor foi afastado das suas funções. 

Na carta espalhada pela escola, as alunas disseram que não aguentavam mais os assédios constantes e afirmam o professor chegava a tocar no corpo delas.“Queremos agradecer o quanto você é incrivelmente babaca, escroto, nojento, etc. Em nome da grande parte das meninas da escola declaramos o quão abusado você é”, afirma a carta.

De acordo com a assessoria de imprensa da Ales, a decisão sobre a convocação do professor acusado foi tomada depois que duas mães procuraram a Assembleia para apresentar depoimentos à Comissão de Proteção à Criança e ao Adolescente. As vítimas confirmaram as denúncias feitas pelas alunas.

Segundo os depoimentos feitos pelas alunas e suas mães, o professor teria pedido para encontrar as vítimas fora da escola, além de fazer elogios e pedir beijo. “Ele tentava seduzir as vítimas e criava uma situação constrangedora. Há relato em que ele solicitou que uma aluna tocasse o órgão sexual dele sob pretexto de pegar uma régua”, contou Pazolini.

O presidente da Comissão de Educação, deputado Vandinho Leite (PSDB) disse que durante a semana passada enviou servidores à escola para colher informações e solicitou formalmente as atas das reuniões em que as alunas teriam feito as denúncias. “O que a gente viu foi uma tentativa de abafar o caso. O afastamento do professor, inclusive, só aconteceu depois que a imprensa noticiou”, avaliou.

Vandinho leite destacou ainda a preocupação com novos depoimentos que estão surgindo de alunas e ex-alunas do professor acusado e mais: “Já temos informações de que há relatos de abuso praticado por outro professor e que temos também postagens nas redes sociais de novas vítimas da mesma escola e de outras instituições do Estado”.

Sobre os acusados, o presidente do colegiado de Educação foi enfático: “Vamos dar amplo direito de defesa e ouvir todos envolvidos. Eles são obrigados a vir. Vamos cobrar o que a lei determina e uma das ferramentas que podem ser usadas pela CPI é condução coercitiva”, explicou.

As vítimas de assédio podem entrar em contato e agendarem depoimentos à CPI dos Crimes Cibernéticos nos telefones (27) 3382-3590 e 3382-5202.

Suposta omissão da escola será apurada 

O deputado Delegado Lorenzo Pazolini (sem partido), que é o presidente da Comissão de Proteção à Criança e Adolescente explicou que as vítimas confirmaram as denúncias feitas por duas alunas nas redes sociais no início da semana. Ainda de acordo com ele, tudo indica que houve omissão da escola, pois os fatos já seriam de conhecimento da diretora e da superintendência desde a semana passada.

“Estamos apurando eventual crime de prevaricação desses agentes que deveriam ter tomado providência e não tomaram. Importante destacar que o professor confirmou esses atos na presença dos pais e nada foi feito”. Ainda segundo Pazolini, a escola teria negado, inclusive a cessão das atas das reuniões. “A mãe tentou obter a ata que é um direito dela e a escola além de negar, teria acionado a guarda municipal e a Polícia Militar”.

O que diz a Sedu 

No dia 25 de junho, por nota, a Secretaria de Estado da Educação (Sedu), informou que “A Superintendência Regional (SRE) de Carapina esclarece que assim que a Direção da Escola tomou conhecimento da situação pela rede social, conversou com as alunas e seus responsáveis e que já está dialogando também com os profissionais citados, no intuito de apurar o suposto assédio.

A Sedu enfatiza que não compactua com este tipo de conduta, por isso que está apurando o fato e que, se for comprovado algum comportamento inadequado de servidor, as medidas cabíveis serão adotadas. A SRE informa, ainda, que em momento nenhum exigiu a retirada das posts”.




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