Com 361.293 pessoas aptas a votar em 2026, o que representa 12% do eleitorado capixaba, a Serra é um território sedutor para os candidatos. Por isso, nesta altura do campeonato, com a eleição batendo à porta, já é possível avaliar alguns cenários. A disputa por uma vaga de deputado estadual na Serra é a mais concorrida, com muita gente brigando pelo voto do mesmo eleitor.
Trata-se de um cargo importante para a cidade, que demanda uma fatia expressiva do orçamento estadual diante dos seus desafios sociais, de serviços públicos e de infraestrutura. O deputado estadual funciona, muitas vezes, como elo entre o município e o estado. Aqui vai uma análise geral do panorama.
Ao todo, são 30 vagas em disputa, e a Serra sozinha deve colocar em campo pelo menos 15 nomes com potencial real de voto. São sete vereadores em mandato, cinco deputados estaduais que buscam a reeleição, um ex-prefeito, um ex-deputado e sindicalistas, entre outros nomes que já se movimentam nos bastidores.
Na Câmara da Serra, dos 23 vereadores em exercício, ao que tudo indica, sete devem sair candidatos nesta eleição a estadual. São eles, em ordem alfabética: Agente Dias (Republicanos), Marcelo Leal (MDB), Paulinho do Churrasquinho (PDT), Pastor Dinho (PL), Professor Rurdiney (PSB), Raphaela Moraes (PP) e Thiago Peixoto (PSOL). A avaliação do meio político é positiva quanto às chances de alguns deles.
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Pastor Dinho (PL)
Dinho e Peixoto carregam forte carga ideológica na onda da polarização nacional. Dinho é visto como um nome com potencial de votos: tem uma rede que gera audiência nacional, o que pode inflar seus números. Ainda assim, é forte porque tem capilaridade no bolsonarismo capixaba e está bem articulado dentro do PL, partido que já tem chapa estruturada. Dinho é histriônico, busca o conflito para fazer suas narrativas fluírem e se inflama com facilidade, tudo que o bolsonarismo valoriza. Quanto mais a polarização nacional descer para o Espírito Santo, melhor, eleitoralmente, para candidatos como Dinho.
Thiago Peixoto (PSOL)
A candidatura de Peixoto também está confirmada, segundo informou o vereador. Sabe-se que ele é muito ligado à deputada estadual Camila Valadão, que disputará reeleição. Porém, como candidato, Peixoto fortalece a chapa do PSOL e dá mais garantias de legenda. Além disso, é um projeto eleitoral que pode engrenar. Nos últimos anos o PT perdeu protagonismo na Serra e deixou um vácuo à esquerda. Peixoto é um vereador combativo em suas pautas, mas assumiu o mandato há pouco tempo. É médico, servidor público da Serra, tem capilaridade em votos de minorias e é o primeiro vereador assumidamente gay da história política da Serra. Esse conjunto de oportunidades e desafios pode gerar algum resultado.
Agente Dias (Republicanos)
Agente Dias tem uma rede social forte, que já se mostrou eficaz eleitoralmente. Diferente de Dinho, sua rede é mais local, o que é melhor num contexto de eleição a deputado estadual. Dias tem pautas concretas, especialmente ligadas à segurança pública. A decisão de disputar o cargo estadual surpreendeu, já que ele vinha cotado para federal. Más-línguas apontam um conflito com o atual deputado Pablo Muribeca, situação que Dias nega.
Paulinho do Churrasquinho (PDT)
Paulinho é muito forte na região da Serra Sede e deve ser o único candidato da base a concentrar atuação por lá. Conta com o apoio do vereador Sérgio Peixoto (PDT), também da Serra Sede, e tem grande histórico de apoio ao PDT e ao ex-prefeito Sérgio Vidigal. Vai precisar do partido para ajudá-lo a romper as divisas eleitorais de sua região.
Professor Rurdiney (PSB)
Depois de abrir mão da candidatura na eleição passada, em favor de uma boa relação com o partido, que na época priorizou outros nomes na Serra, o vereador Rurdiney será candidato este ano. Seu mandato está vinculado à educação, segmento grande e importante que, historicamente, rende resultados em eleições. Rurdiney tem o apoio do ex-vice-governador Givaldo Vieira, que chancelou seu nome dentro do partido. Rurdiney é visto como alguém equilibrado, técnico e atuante em seu segmento.
Raphaela Moraes (PP)
Raphaela Moraes será outra novidade na urna este ano. Em seu segundo mandato como vereadora, ela quer levar sua bandeira da proteção animal para o front estadual, pauta com enorme capilaridade entre o eleitorado. Advogada de formação e cursando veterinária, é vista como um quadro técnico da Câmara da Serra, defende com força as causas femininas e tem histórico combativo em favor de políticas para minorias, protagonizando embates nesse sentido no mandato atual. O PP é um partido grande, com chapa forte.
Marcelo Leal (MDB)
Marcelo Leal, que assumiu o mandato recentemente, colocou seu nome à disposição do MDB e vem sendo cotado como candidato, embora a candidatura ainda careça de definições partidárias. Leal atua na região de Serra Dourada e parece animado para a disputa.
Saindo da Câmara e indo para a própria Assembleia Legislativa, todos os atuais deputados com domicílio eleitoral na Serra vão disputar a reeleição: Alexandre Xambinho (Podemos), Bruno Lamas (PSB), Fábio Duarte (PDT), Pablo Muribeca (Republicanos) e Vandinho Leite (MDB). Nesse grupo, há diferenças importantes.
Alexandre Xambinho (Podemos)
Xambinho montou a base de lideranças mais consistente entre os “candidatos da Serra”. Estão com ele os vereadores George Guanabara, Jefinho do Balneário e Henrique Lima, todos do Podemos, além de Renato Ribeiro (PDT), Cabo Rodrigues (MDB), Stefano Andrade (PV) e William da Elétrica (PDT). Hoje, Xambinho exerce influência direta sobre um terço da Câmara da Serra e conta ainda com lideranças comunitárias e dos meios cultural e empresarial da cidade. Nos últimos anos, ele interiorizou o mandato e ganhou presença em outras cidades, somando apoios municipais e estaduais.
Xambinho vai disputar o terceiro mandato de deputado estadual, e o entendimento de muita gente no meio político é de que ele chega para esta disputa melhor articulado do que nas últimas vezes, quando foi eleito muito próximo do limite.
Vandinho Leite (MDB)
Vandinho talvez seja quem mais pulverizou o mandato nos últimos anos, como estratégia para depender cada vez menos de um único lugar ou segmento. Ele já vinha avançando nesse processo e ganhou força ao se tornar líder do governo na Assembleia, o que lhe deu mais capacidade de articulação junto ao Poder Executivo, responsável, de fato, pelos investimentos e pelo atendimento às demandas. Vandinho tem um grupo considerável de prefeitos ao seu lado. Além disso, tem uma pauta muito engenhosa ligada ao consumidor.
Na Serra, Vandinho optou por trazer para seu lado lideranças que não se elegeram à Câmara em 2024, mas que se mostraram expressivas em votos, como os ex-vereadores Anderson Muniz, Professor Arthur e Alex Bulhões. Está com ele também o vereador Leandro Ferraço, bem avaliado nas regiões de Bairro de Fátima e Pequeno do Gás.
Vandinho é uma figura expressiva no âmbito estadual: já esteve entre os cotados para presidir a Assembleia em duas ocasiões, e até a atual conjuntura política do Espírito Santo carrega o DNA dele. Em 2022, o PSDB, então presidido por ele, segurou até o último momento a definição de apoio ao governador. Foi naquele momento que Vandinho indicou Ricardo Ferraço, hoje governador após a renúncia de Renato Casagrande. Aliado próximo de Ricardo, Vandinho tem sua candidatura vista como prioridade pelo MDB, e o meio político o enxerga como um nome forte, com boas chances de figurar entre os mais votados.
Bruno Lamas (PSB)
O deputado diplomado Bruno Lamas também se encarregou de pulverizar suas ações nos últimos anos. Com experiência no Poder Executivo, a mais recente à frente da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Profissional, ele ganhou visibilidade em outros municípios e passou a depender menos da Serra. Na avaliação de muita gente do meio político, Bruno chega forte, com votos mais espalhados e entregas reais, especialmente em uma pauta perene na vida das pessoas: a qualificação profissional. A chapa do PSB está favorável e garante a ele segurança de legenda, além da expectativa de figurar entre os mais bem avaliados. Um retorno de Bruno à Assembleia é visto como bastante factível.
Fábio Duarte (PDT)
Diferente dos três anteriores, Fábio Duarte e Pablo Muribeca dependem mais dos eleitores da Serra. O primeiro tem uma estrutura de apoios e aliados mais consistente, embora tenha tido menos tempo para se organizar.
Fábio tem como base sua esposa, a vereadora Andrea Duarte (PP), que funciona como articuladora central, e seu tio, o ex-vereador Edilson Duarte, como apoiador. Soube capitalizar bem os conflitos recentes na Câmara da Serra e é visto como herdeiro do espólio deixado pelo vereador afastado Saulinho da Academia, que articulava sua própria candidatura a deputado estadual antes de ser afastado do processo.
Entre seus principais aliados estão o presidente da Câmara, William Miranda (UB), o vereador Rafael Estrela do Mar, e boa parte do movimento popular representado pela Fams e liderado por Mara Gomes. Entre os articuladores da campanha está Flávio Serri, conhecido no meio político por sua capacidade de fazer eleição. Um dos pontos que mais preocupam é o próprio PDT, que sofreu reveses na composição da chapa e precisará redobrar os esforços para fazer legenda.
Pablo Muribeca (Republicanos)
Pablo, por sua vez, será o candidato com mandato mais isolado na Serra em termos de alianças e apoios. Ainda assim, segue com boa expectativa em torno de seu nome, muito por conta do resultado de 2024, quando foi ao segundo turno na disputa a prefeito. Pablo depende muito do eleitor da Serra, em um cenário concorrido, com muita gente na disputa.
Sua plataforma de campanha é de oposição extrema ao grupo do ex-prefeito Sergio Vidigal e do atual prefeito Weverson Meireles. Até semanas atrás, entendia-se que o vereador Agente Dias iria apoiá-lo, mas o meio político foi pego de surpresa com o anúncio do vereador de que seria candidato ao mesmo cargo. Informações de bastidores apontam que, no dia do episódio, Pablo estava cuspindo marimbondo na Assembleia, ainda que Dias negue qualquer racha.
Audifax Barcelos (PP)
Existem outros nomes, uns mais conhecidos entre os eleitores, outros menos. O candidato sem mandato com maior recall é, de longe, o ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos (PP). Será uma eleição dura para ele, com estrutura enxuta e resultados anteriores ruins. Seu grupo político foi diluído, a própria candidatura de Raphaela e Fábio explicitam isso. Mas é também uma oportunidade de se reposicionar e ocupar espaço no debate público, já que carrega um papel de peso na história da cidade. Audifax e a Serra são indissociáveis. E é o que dizem: “um leão ferido continua sendo um leão”.
Roberto Carlos (PT) Marquinhos Jiló (PDT)
Quem busca retornar é o Professor Roberto Carlos (PT), para reocupar o espaço que já lhe pertenceu no passado. Ele conta com o senador Fabiano Contarato (PT), a quem assessora, como vetor de transferência de votos, e o meio político avalia que ele está animado com esta eleição. Existe também certa expectativa em torno de Marquinhos Jiló (PDT), presidente do Sindirodoviários: há quem diga que ele pode surpreender.
Entre outros nomes possíveis, esta é uma análise pessoal deste colunista, baseada no que se sabe, se observa e se conversa nos bastidores. Mas uma eleição tem como característica basilar a imprevisibilidade. O comportamento do eleitor é guiado por tantas variáveis quanto a imaginação puder supor.
