A maior dúvida do momento no arranjo partidário do Espírito Santo é o rumo que o PSD vai tomar. Até a semana passada, a legenda estava fechada com o pré-candidato a governador Lorenzo Pazolini (Republicanos). A aliança entre Pazolini e os bolsonaristas do PL, porém, deixou o partido sem espaço e o empurrou de volta à mesa de negociações.
O PSD tem peso no tradicional tempo de TV e rádio. Além disso, reúne nomes expressivos, como o deputado estadual Sérgio Meneguelli, o prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos, e o ex-governador Paulo Hartung.
Os caminhos do PSD
Com a união entre Pazolini e o PL, o PSD reabriu as conversas e se reúne nesta quarta-feira com o governador Ricardo Ferraço (MDB), pré-candidato à reeleição. Esse é apenas um dos caminhos possíveis. Os outros são voltar para Pazolini e aceitar o papel de mero coadjuvante na chapa ou apostar em um voo solo, com Serginho Meneguelli ao Senado e, numa hipótese bem menos provável, Hartung ao governo.
A sigla chega à negociação muito em cima do tempo. A principal demanda que deve colocar a Ricardo é a acomodação de Meneguelli em uma das vagas ao Senado. Isso significaria sacar a pré-candidatura de Rose de Freitas (MDB), um movimento complexo de executar.
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Outra demanda pode ser a indicação da médica Lívia Vasconcelos, esposa do prefeito de Colatina, para a vaga de vice na chapa de Ricardo. Esse caminho também é pra lá de complicado, já que existe uma fila de partidos aliados disputando exatamente o mesmo espaço.
Outro problema objetivo é Hartung. O ex-governador é um crítico assumido do governo de Renato Casagrande, a quem Ferraço sucedeu, e também um crítico da própria continuidade que essa candidatura representa.
A carta de Caiado a favor de Ferraço
A favor do PSD, no entanto, pesa a capacidade de resolver um problema real para Ricardo: a conjuntura nacional. Ferraço se declara de direita, mas não embarca no discurso extremista do bolsonarismo. Até agora, ele estava isolado nesse tabuleiro. O PSD entra em cena com o presidenciável Ronaldo Caiado, um político de perfil parecido com o do governador, e oferece a Ferraço um vínculo nacional à direita para ancorar a campanha.
O Espírito Santo é um dos estados mais simpáticos à direita no país, e Ferraço deve construir a campanha nessa direção. A diferença é que ele quer fazer isso sem o bolsonarismo, que cobra um preço alto, conta que Pazolini terá de pagar. Caiado, por outro lado, legitima Ferraço no espectro nacional da direita sem os arroubos do bolsonarismo.
Agora começa o exercício político no sentido mais clássico da palavra: atender ao desejo de todo esse leque partidário sem provocar rachas.
