O cenário político para a disputa ao Palácio Anchieta começa a ganhar contornos mais claros nos bastidores, e o PDT capixaba decidiu entrar de vez no jogo. A legenda articula para ocupar a vaga de vice na chapa governista e aposta no ex-prefeito da Serra, Sergio Vidigal, como seu principal nome para a composição.
A movimentação não é isolada. Dirigentes do partido já alinharam internamente a estratégia e devem formalizar o debate em reunião da Executiva estadual nos próximos dias.
Ainda que a discussão oficial esteja por vir, o direcionamento já está consolidado: o PDT quer indicar o vice de Ricardo Ferraço (MDB). As informações foram confirmadas por Alessandro Comper, presidente estadual do partido.
Entre os líderes da sigla, a avaliação é de que há ambiente favorável para sustentar essa posição. O argumento central passa pelo peso político que o partido carrega, especialmente na Serra, município que concentra o maior número de eleitores do Espírito Santo, com mais de 356 mil votantes, segundo dados recentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
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A força eleitoral da Serra é tratada como um diferencial competitivo dentro da base aliada. O entendimento interno é de que o desempenho político na cidade pode influenciar diretamente o resultado na Grande Vitória.
Nesse contexto, o nome de Vidigal ganha relevância. Com trajetória consolidada, que inclui quatro mandatos como prefeito da Serra, além de passagens pelo Legislativo municipal, estadual e federal, ele é visto como uma liderança com capacidade de ampliar a adesão ao projeto governista.
Força política de Vidigal na Grande Vitória
Além do peso político na Serra, outro fator entra na equação envolvendo o nome de Sergio Vidigal. Levantamentos recentes de intenção de voto indicam que Ricardo Ferraço tem melhor desempenho no interior do Espírito Santo. Por outro lado, o cenário aponta crescimento de seu principal adversário, Lorenzo Pazolini, ex-prefeito de Vitória, especialmente em outras regiões.
Nesse contexto, a presença de Vidigal passa a ser vista como um ativo estratégico. Principal liderança política da Serra, maior município em número de habitantes do Estado, ele pode ampliar a capilaridade da campanha de Ferraço na Grande Vitória, equilibrando forças e fortalecendo a articulação eleitoral em uma das regiões mais decisivas do Espírito Santo.
Esse capital político foi testado recentemente. Nas eleições municipais de 2024, o grupo liderado por Vidigal conseguiu eleger Weverson Meireles (PDT) à Prefeitura da Serra. O então candidato iniciou a disputa com baixo índice nas pesquisas e terminou vitorioso no segundo turno, com mais de 60% dos votos.
Vice de Ricardo Ferraço pode ser futuro governador do ES
Mais do que um espaço simbólico, a vaga de vice-governador é tratada como estratégica a médio prazo. Caso o grupo de Ricardo Ferraço vença as eleições, o cenário de 2030 já entra no radar.
Pelas regras eleitorais, Ricardo Ferraço não poderá disputar uma nova reeleição consecutiva, o que abre caminho para a construção de um sucessor dentro da própria base. Nesse contexto, o vice tende a largar em posição privilegiada.
Diante desse quadro, a escolha do nome que ocupará a vice não deve considerar apenas o impacto eleitoral imediato, mas também a capacidade de continuidade política do projeto que hoje comanda o Estado.
