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Porte de arma é aprovado e será liberado para novas profissões no Brasil; veja quem terá direito

O porte de arma foi aprovado e será liberado para novas profissões.
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Porte de arma aprovado para profissões
O porte de arma foi aprovado e será liberado para novas profissões. Crédito: Divulgação
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O Congresso Nacional abriu caminho para ampliar o porte de arma de fogo a novas categorias profissionais no Brasil. Projetos aprovados em comissões da Câmara dos Deputados e do Senado contemplam trabalhadores expostos a ameaças, fiscalizações, deslocamentos para lugares isolados e contato frequente com desconhecidos.

Entre os profissionais alcançados pelas propostas estão advogados, corretores de imóveis, agentes de trânsito, fiscais ambientais, vigilantes, médicos veterinários, auditores fiscais e integrantes da advocacia pública.

As mudanças, entretanto, ainda não estão valendo. Os textos precisam concluir a tramitação no Congresso e, dependendo do projeto, também passar pela sanção da Presidência da República.

Além disso, a carteira profissional não garantirá uma autorização automática para andar armado. Os interessados continuarão sujeitos a requisitos como capacidade técnica, aptidão psicológica, idoneidade e regularidade profissional.

Porte de arma avança para novas profissões

As propostas aprovadas buscam reconhecer determinadas atividades como profissões de risco. Dessa forma, o próprio trabalho poderá justificar a concessão do porte de arma, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Atualmente, o Estatuto do Desarmamento restringe o porte no país. Em regra, o cidadão interessado precisa demonstrar uma necessidade efetiva, comprovar capacidade técnica para manusear o armamento e passar por avaliação psicológica.

Os projetos em discussão pretendem criar previsões específicas para profissões que envolvem abordagens, fiscalizações, visitas a imóveis vazios, atuação em propriedades rurais, apreensão de produtos e participação em operações contra atividades ilegais.

Cada proposta, porém, tramita separadamente. Por isso, as regras, os beneficiários e as etapas restantes não são iguais para todas as categorias.

Quais profissionais poderão ter porte de arma?

Projetos já aprovados por pelo menos uma comissão do Congresso alcançam as seguintes categorias:

  • advogados;
  • corretores de imóveis;
  • agentes de trânsito que exercem atividades externas e ostensivas;
  • agentes de fiscalização ambiental;
  • vigilantes e agentes de segurança privada;
  • instrutores de armamento e tiro;
  • médicos veterinários;
  • auditores-fiscais da Receita Federal;
  • auditores-fiscais do Trabalho;
  • auditores e técnicos federais agropecuários;
  • integrantes da advocacia pública federal e estadual.

A aprovação em comissão representa apenas uma parte do processo legislativo. Portanto, esses profissionais ainda não receberam uma liberação geral para circular armados.

Corretores poderão portar arma durante o trabalho

Uma das aprovações mais recentes beneficia os corretores de imóveis. A Comissão de Segurança Pública da Câmara aprovou um projeto que inclui esses profissionais entre as categorias com direito ao porte funcional.

A proposta contempla corretores registrados no Conselho Regional de Corretores de Imóveis, o Creci. O texto considera que a profissão exige visitas a casas, apartamentos, terrenos e imóveis desocupados, muitas vezes acompanhadas por pessoas desconhecidas.

O corretor também pode precisar entrar sozinho em propriedades localizadas em áreas afastadas ou com pouca circulação de pessoas.

Pelo texto aprovado, o porte ficará restrito ao exercício profissional. Isso significa que o corretor não poderá usar a autorização para permanecer armado durante atividades particulares ou fora do serviço.

Além do registro no Creci, o interessado deverá comprovar capacidade técnica e aptidão psicológica. O projeto segue agora para a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois, ainda dependerá da aprovação da Câmara e do Senado.

Advogados entram na lista de beneficiados

Os advogados também poderão conquistar uma regra específica para o porte de arma de fogo.

A Comissão de Segurança Pública do Senado aprovou uma proposta que altera o Estatuto da Advocacia e o Estatuto do Desarmamento. O texto busca permitir o porte para advogados regularmente inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil.

Os defensores da mudança argumentam que esses profissionais podem receber ameaças durante a atuação em processos criminais, conflitos familiares, cobranças, disputas patrimoniais e outras ações judiciais marcadas por tensão.

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Apesar da aprovação, a medida não entrou em vigor. O projeto permanece em tramitação e aguarda análise na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado.

Portanto, a inscrição na OAB ainda não concede porte de arma ao advogado. Até que o Congresso conclua a votação e uma nova lei seja publicada, continuam valendo as regras atuais.

Agentes de trânsito poderão ter porte de arma

A ampliação também alcança agentes de trânsito que trabalham nas ruas e rodovias.

A Comissão de Segurança Pública do Senado aprovou o projeto que cria a Lei Geral dos Agentes de Trânsito. Entre as medidas, o texto autoriza o porte de arma para servidores que realizam atividades externas e ostensivas.

A proposta contempla profissionais envolvidos em fiscalização, policiamento de trânsito e patrulhamento viário. Funcionários que exercem apenas atividades internas ou administrativas não receberão o mesmo direito.

O texto prevê porte válido em todo o país, inclusive fora do serviço. A autorização, no entanto, dependerá de formação em escola de polícia e da criação de mecanismos de fiscalização e controle interno.

Após a aprovação na Comissão de Segurança Pública, o projeto seguiu para a Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

Fiscais ambientais poderão andar armados

Outra proposta aprovada contempla os agentes de fiscalização ambiental que participam de ações externas.

Esses servidores realizam inspeções, vistorias e operações em florestas, rios, reservas, propriedades rurais e áreas afastadas. Durante o trabalho, podem combater desmatamento, garimpo clandestino, retirada ilegal de madeira, pesca irregular e ocupações em áreas protegidas.

A Comissão de Segurança Pública da Câmara aprovou a inclusão da categoria no Estatuto do Desarmamento. O texto alcança os agentes que atuam diretamente em ações de fiscalização, inspeção, vistoria ou apuração de infrações ambientais.

O projeto ainda será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça. Para entrar em vigor, também precisará da aprovação das duas Casas do Congresso.

Vigilantes terão porte de arma

Os vigilantes e agentes de segurança privada também aparecem entre os profissionais beneficiados por uma proposta aprovada na Câmara.

Atualmente, o uso de armas na segurança privada permanece vinculado principalmente ao serviço, às condições da empresa e ao armamento disponibilizado para a atividade profissional.

O novo texto reconhece a segurança privada como atividade de risco e permite o porte pessoal de arma, inclusive fora do horário de trabalho. A justificativa considera que vigilantes podem sofrer perseguições ou retaliações por causa de ocorrências registradas durante o serviço.

A medida também alcança os instrutores de armamento e tiro.

Para receber o porte, o vigilante deverá comprovar o exercício regular da profissão, apresentar a Carteira Nacional do Vigilante válida, realizar os cursos exigidos e demonstrar aptidão psicológica.

O uso de uma arma funcional ou particular para cometer crime poderá provocar demissão por justa causa e perda da autorização.

A Comissão de Segurança Pública da Câmara aprovou a proposta, que agora precisa passar pela Comissão de Constituição e Justiça. Depois, o texto ainda dependerá do Senado e da sanção presidencial.

Veterinários também poderão solicitar o porte de arma

Os médicos veterinários formam outra categoria contemplada por projeto aprovado na Câmara.

A proposta considera que parte desses profissionais trabalha em fazendas, propriedades rurais, matadouros, estradas, locais de fiscalização sanitária e regiões com baixo patrulhamento policial.

Durante a rotina, o veterinário também pode transportar medicamentos, equipamentos e outros materiais de valor. Em alguns casos, participa de fiscalizações que provocam conflitos com responsáveis por estabelecimentos ou propriedades.

O projeto aprovado pela Comissão de Segurança Pública permite o porte de arma de uso permitido para veterinários registrados no conselho profissional.

Pelo texto, a Polícia Federal concederá a autorização, com validade de cinco anos e possibilidade de nova emissão. O porte terá validade em todo o território nacional.

O interessado deverá comprovar:

  • registro profissional;
  • exercício da medicina veterinária;
  • residência fixa;
  • certidões criminais negativas;
  • capacidade técnica;
  • aptidão psicológica.

A proposta ainda passará pela Comissão de Constituição e Justiça. Depois, poderá seguir diretamente para o Senado, caso não seja apresentado recurso para votação no Plenário da Câmara.

Auditores fiscais e advogados públicos são incluídos

Uma aprovação mais recente ampliou ainda mais a relação de carreiras que poderão ter porte de arma.

A Comissão de Segurança Pública da Câmara aprovou uma proposta que reconhece como atividades de risco determinadas funções de fiscalização federal e da advocacia pública.

O texto inclui:

  • auditores fiscais federais agropecuários;
  • técnicos de fiscalização federal agropecuária;
  • auditores-fiscais da Receita Federal;
  • auditores-fiscais do Trabalho;
  • integrantes da advocacia pública federal;
  • integrantes da advocacia pública estadual.

A proposta permite o porte durante e fora do serviço, conforme as regras que ainda serão regulamentadas. Mesmo assim, os servidores precisarão cumprir requisitos técnicos e passar por avaliação psicológica.

O projeto seguirá para as comissões de Agricultura e de Constituição e Justiça. Para virar lei, ainda dependerá da aprovação da Câmara e do Senado.

Fiscais do Procon ainda aguardam aprovação

Os servidores efetivos do Procon também podem ser beneficiados futuramente. Nesse caso, porém, o projeto ainda não recebeu a mesma aprovação alcançada pelas demais categorias.

A proposta autoriza a posse e o porte de arma para servidores que realizam fiscalização, inspeção e apuração de infrações contra consumidores.

O autor argumenta que esses profissionais podem enfrentar resistência durante apreensões de mercadorias, interdições de estabelecimentos e operações contra empresas clandestinas.

O projeto ainda será analisado pelas comissões de Segurança Pública e de Constituição e Justiça. Portanto, os fiscais do Procon não devem ser apresentados como uma categoria que já teve o porte aprovado.

Porte de arma não será automático

Mesmo quando os projetos forem transformados em lei, o trabalhador não receberá o porte simplesmente por apresentar uma carteira profissional.

Cada categoria deverá cumprir as regras estabelecidas no respectivo texto e na regulamentação posterior. Em vários casos, a Polícia Federal continuará responsável por analisar os pedidos e expedir as autorizações.

Entre os documentos e requisitos que podem ser exigidos estão:

  • comprovação do exercício profissional;
  • registro ativo no conselho ou órgão de classe;
  • certidões de antecedentes criminais;
  • comprovação de ocupação lícita;
  • teste de capacidade técnica;
  • avaliação de aptidão psicológica;
  • curso de formação ou capacitação;
  • declaração ou comprovação da necessidade;
  • documentação da arma que será utilizada.

A Polícia Federal já exige capacidade técnica e aptidão psicológica em diferentes procedimentos relacionados à aquisição e ao porte de armas.

O órgão responsável poderá negar o pedido quando o interessado não cumprir os requisitos, apresentar antecedentes incompatíveis ou reprovar nas avaliações.

Qual é a diferença entre posse e porte?

A posse permite que o proprietário mantenha a arma em um local autorizado, como a residência ou o estabelecimento profissional declarado no registro.

O porte permite transportar e carregar a arma fora desses locais, dentro das condições estabelecidas na autorização.

Por isso, ter uma arma registrada não significa que o proprietário possa andar armado nas ruas. A pessoa precisa possuir uma autorização específica para o porte.

Os projetos que avançaram no Congresso tratam justamente da possibilidade de determinadas categorias profissionais conquistarem esse direito em condições especiais.

Quando as novas regras começarão a valer?

Não existe uma data definida para a liberação.

As propostas tramitam separadamente e ainda podem receber emendas, sofrer alterações ou permanecer paradas nas comissões. Algumas dependem da Câmara, outras avançam no Senado e nenhuma das medidas citadas criou uma autorização nacional imediata.

Quando Câmara e Senado aprovam versões diferentes de um mesmo projeto, o texto precisa retornar à Casa que iniciou a tramitação. Somente depois da aprovação definitiva a proposta segue para a Presidência da República.

O presidente poderá sancionar o projeto, vetar determinados trechos ou rejeitar integralmente a medida.

Até que esse processo termine e a nova lei seja publicada, advogados, corretores, veterinários, vigilantes, agentes de trânsito e fiscais deverão obedecer às regras atuais do Estatuto do Desarmamento.

Portanto, o Congresso aprovou avanços importantes para ampliar o porte de arma a novas profissões, mas os trabalhadores ainda não podem usar essas decisões das comissões como autorização para andar armados.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos da cidade da Serra e temas de interesse público estadual.

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