O artista e arquiteto Luiz Paulo Comério conquistou o principal prêmio do XVI Salão Internacional de Artes Visuais Sinap/AIAP/Unesco, realizado em São Paulo. Morador da Serra, ele também integra a exposição que celebra os 25 anos da Associação dos Ceramistas do Espírito Santo (Cerames), em Vitória. O reconhecimento nacional veio com a instalação “(Des)construção Coletiva”, formada por centenas de tijolos de cerâmica. De um lado, as peças apresentam palavras como empatia, gentileza, honestidade e prudência. No verso, aparecem termos com significados opostos.
Luiz Paulo criou a obra para permitir a participação direta dos visitantes. Durante a mostra, cada pessoa podia levar um dos tijolos para casa. Dessa forma, o público modificava a instalação e ajudava a construir novos significados para o trabalho.
A obra ficou exposta na Galeria Olido, em São Paulo, durante o salão promovido pelo Sindicato Nacional dos Artistas Plásticos de São Paulo (Sinap-ESP). A proposta garantiu ao artista o Grande Prêmio da exposição.

Barcos de barro se desfazem durante exposição
Além da premiação nacional, Luiz Paulo participa da mostra “Alquimia do Barro – Revolver-se nessa Terra”, que celebra os 25 anos da Cerames. A exposição reúne trabalhos de 32 artistas na Casa Porto das Artes Plásticas, no Centro de Vitória.
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Logo na entrada do espaço, o público encontra a instalação “Desmanche Programado”. A obra apresenta pequenos barcos de barro colocados dentro de um espelho d’água. Com o passar do tempo, as embarcações começam a se desfazer diante dos visitantes.
Segundo o artista, a instalação aborda a perda de tradições culturais e homenageia o trabalho manual desenvolvido pelas comunidades pesqueiras artesanais. Esses grupos, conforme explica, enfrentam uma redução contínua de seus territórios e espaços de atuação.
Para produzir a instalação, Luiz Paulo realizou diversos testes até descobrir o tempo necessário para que os barcos começassem a perder a forma.
Durante a exposição, um visitante apresentou uma interpretação que chamou a atenção do artista. “Para mim, a obra retrata a perda da beleza. No início, o barco está perfeito e depois vai se desmanchando”, comentou.
Luiz Paulo acompanha as reações do público enquanto as peças se dissolvem lentamente na água. Em vez de determinar uma explicação única, ele prefere observar os diferentes sentidos que cada pessoa atribui à instalação. “Gosto de ver como as pessoas interagem com a minha obra. A arte não precisa ficar distante do público”, afirma ao TN.
Para o artista, o trabalho se completa quando deixa de pertencer exclusivamente ao autor e passa a incorporar também o olhar dos visitantes.

Arquiteto encontrou liberdade artística no barro
Formado em Arquitetura e Urbanismo, Luiz Paulo trabalhou durante anos com normas, medidas, cálculos, projetos e demandas de clientes. Na cerâmica, encontrou um espaço de liberdade para experimentar, cometer erros e desenvolver criações sem limites previamente definidos.
Ele começou a frequentar aulas de cerâmica após receber o incentivo de uma amiga. As primeiras experiências aconteceram com a ceramista Águeda Valentim, fundadora da Cerames.
O que começou como uma atividade paralela ganhou cada vez mais espaço em sua vida. Há seis anos, Luiz Paulo decidiu mudar definitivamente de carreira e passou a se dedicar profissionalmente à arte.
O artista afirma que a convivência com os integrantes da Cerames e a participação nas exposições promovidas pela associação foram fundamentais para seu amadurecimento e para que desenvolvesse mais segurança em relação ao próprio trabalho.
Serviço
- Exposição: Alquimia do Barro – Revolver-se nessa Terra
- Local: Casa Porto das Artes Plásticas, Centro de Vitória
- Visitação: até 16 de agosto de 2026
- Entrada: gratuita
- Realização: Cerames
- Curadoria: Lindomberto Ferreira Alves
- Curadoria adjunta: Amanda Amaral
