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Serra se prepara para ter polícia própria após aprovação da PEC da Segurança

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Gracimeri Gaviorno assina documento observada pelo prefeito Weverson Meireles; gestão discute polícia municipal na Serra
A vice-prefeita e secretária de Defesa Social, Gracimeri Gaviorno, ao lado do prefeito Weverson Meireles. Gestão se prepara para a polícia municipal na Serra. Crédito: Divulgação.
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A Guarda Civil Municipal da Serra (GCM) pode deixar de ser guarda e virar polícia. O caminho se abriu com a PEC da Segurança Pública, que o Senado aprovou por unanimidade na última terça-feira (3) e que agora aguarda promulgação pelo Congresso. Para a vice-prefeita e secretária de Defesa Social da Serra, delegada Gracimeri Gaviorno, a criação da polícia municipal é o maior avanço do texto do ponto de vista das cidades.

Na prática, a proposta autoriza os municípios a criarem polícias municipais de natureza civil, voltadas ao policiamento ostensivo e comunitário, e a transformarem os cargos de guarda em cargos de policial. A mudança, porém, não acontece de forma automática.

“Nenhum município tem polícia hoje. A PEC permite isso e permite transformar os cargos de guarda municipal em policiais”, explica Gracimeri.

O fim do debate sobre o papel da guarda

Segundo a secretária, as guardas já tinham previsão no artigo 144 da Constituição, mas conviviam com incertezas sobre até onde poderiam atuar. O Estatuto Geral das Guardas Municipais (Lei 13.022, de 2014) e a lei do Sistema Único de Segurança Pública (Lei 13.675, de 2018) já permitiam integração, troca de informações e uma base comum de registro de ocorrências. Mesmo assim, persistiam entendimentos diferentes sobre se a guarda era uma polícia ou apenas uma estrutura de proteção do patrimônio da prefeitura.

Com a PEC, essa discussão perde força. “A PEC é o reconhecimento da guarda como uma força de segurança. O que vamos acabar é com esse debate sobre competências. A guarda está ali para proteger o cidadão e os bens da população”, afirma.

De acordo com Gracimeri, o município já trata a corporação dessa forma. Criada em 2015, a Guarda da Serra passou a funcionar em 2017, depois da nomeação dos aprovados em concurso, e hoje atua diretamente junto a população.

Polícia municipal na Serra teria armamento de maior calibre

Entre as mudanças práticas, a secretária cita o acesso a armas de maior calibre e de uso restrito. Os agentes da Serra usam hoje pistola .40, e a transformação abriria caminho para a pistola 9 mm, por exemplo. Segundo ela, a guarda até consegue acesso a fuzil atualmente, mas o processo é bem mais difícil. Com o novo status, a corporação poderia usar o mesmo armamento da Polícia Militar.

Na avaliação de Gracimeri, o porte de arma dos agentes também deixaria de depender de autorização da Polícia Federal. Além disso, a cidade poderia ter uma central própria de atendimento emergencial ou firmar convênio com o Estado para incluir a guarda no 190.

A PEC ainda coloca na Constituição o fundo de segurança pública e facilita a transferência fundo a fundo. Para a secretária, isso torna mais rápido e ágil o repasse de recursos da União e do Estado para financiar a segurança.

Acreditação, dinheiro e regulamentação

Apesar do avanço, o caminho até a polícia municipal na Serra tem etapas. Primeiro, o município precisa de acreditação, uma espécie de autorização para ter a corporação. Quem concede é o Conselho Estadual de Segurança Pública, e esse é um ponto que Gracimeri critica, por se tratar de uma decisão fora do eixo municipal. Os critérios ainda dependem de regulamentação.

Também será preciso mudar a legislação local, comprovar capacidade financeira para manter uma corporação policial e seguir uma matriz curricular de formação. Pelo texto aprovado, as polícias municipais não farão investigação criminal e ficarão sujeitas ao controle externo do Ministério Público.

Segundo a secretária, a Serra já se prepara. “Já estamos criando condições para estar aptos a ser acreditados, tanto que estamos em estudo final sobre a criação do fundo municipal de segurança pública”, diz.

Homicídios em queda na Serra

A secretária pondera que a PEC não significa, necessariamente, menos crimes. Por outro lado, o texto melhora as condições de combate ao crime, a integração, o compartilhamento de informações e o financiamento das instituições.

Segundo ela, a Serra já vive uma trajetória de queda. Em 2008, a cidade registrou 432 homicídios e chegou a ser apontada como o município mais violento do Brasil. Já em 2025, foram 101 assassinatos, o menor número desde o início da série histórica, em 1996. A redução aconteceu mesmo com o crescimento da população, o que torna a queda proporcional ainda maior.

De acordo com Gracimeri, os crimes contra o patrimônio também caíram, e os dados de outubro deste ano, ainda em fechamento, apontam nova redução.

Entenda a PEC

A PEC 18/2025 passou no Senado com 73 votos no primeiro turno e 75 no segundo, sem nenhum voto contrário. Para entrar em vigor, precisa ser promulgada em sessão do Congresso Nacional, sem necessidade de sanção presidencial. A redução da maioridade penal ficou fora do texto e vai tramitar como proposta separada.

Além das polícias municipais, a PEC coloca o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição, mais participação do governo federal no setor, medidas mais duras contra facções e milícias, proteção às vítimas e mais recursos.

Para chefes de facção, o texto prevê pena obrigatória em presídio de segurança máxima, restrição à progressão de regime e a benefícios processuais e possibilidade de confisco de bens. A PRF passa a policiar também ferrovias e hidrovias federais. No dinheiro, os fundos de Segurança Pública, Penitenciário e da PF ficam protegidos contra bloqueios, e 10% do superávit do Fundo Social vai para o setor.

A redução da maioridade penal ficou fora. Ela foi desmembrada por 38 a 36 e vai tramitar como proposta separada. O texto também abre caminho para a criação do Ministério da Segurança Pública, promessa de campanha de Lula.

Foto de Yuri Scardini

Yuri Scardini

Yuri Scardini é jornalista, publisher e sócio-diretor do Jornal Tempo Novo, veículo fundado em 1983 na Serra (ES) e referência na cobertura da Serra e da Grande Vitória. Conduziu a transformação digital do jornal, que em 2025 foi eleito o melhor site estadual de notícias no Brasil Publisher Awards. No portal, assina a coluna Mestre Álvaro, com análises sobre política, economia, segurança pública, infraestrutura e meio ambiente, sempre com leitura crítica dos fatos e apoio em dados. Formado em Administração pela Ufes, é autor do livro Serra: a história de uma cidade (2024). Recebeu a Ordem do Mérito Domingos Martins e a Comenda Augusto Ruschi, da Assembleia Legislativa do ES, e a Comenda Nelson Mandela, da Câmara Municipal da Serra. Com leitura crítica dos fatos e uso de dados públicos, acompanha de perto a gestão municipal, as eleições e os temas que mexem com o dia a dia de quem vive na Serra. É autor do livro Serra: a história de uma cidade (2024), uma reconstituição jornalística da trajetória do município.

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