O Super El Niño que ganhou força ao longo de 2026 deverá atingir seu período de máxima intensidade ainda neste ano. As projeções climáticas mais recentes apontam que o pico ocorrerá entre novembro e dezembro, justamente quando o aquecimento do Oceano Pacífico equatorial deverá alcançar seus maiores níveis.
O cenário aumentou a atenção dos principais centros meteorológicos do mundo. Além de indicar um evento excepcionalmente intenso, algumas projeções colocam o El Niño de 2026/2027 entre os maiores já registrados e levantam a possibilidade de o fenômeno superar episódios observados ao longo dos últimos 150 anos.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) calcula uma probabilidade superior a 90% de ocorrência de um El Niño muito forte durante o fim de 2026 e o inverno de 2026/2027 no Hemisfério Norte.
Enquanto isso, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) prevê uma intensificação contínua nos próximos meses e aponta novembro e dezembro como o período esperado para o pico. A projeção média para a região Niño 3.4 chega a aproximadamente 3,6°C acima do normal no trimestre entre setembro e novembro.
Leia também
Super El Niño deverá atingir pico entre novembro e dezembro
O aquecimento do Pacífico ainda não terminou. Apesar de o El Niño já apresentar intensidade elevada, os modelos climáticos indicam espaço para um avanço adicional durante as próximas semanas.
A projeção da OMM mostra que o fenômeno continuará se fortalecendo durante a primavera no Hemisfério Sul antes de alcançar o máximo perto do encerramento de 2026.
Isso significa que novembro e dezembro se tornaram os meses centrais para acompanhar a evolução do fenômeno e verificar até onde as temperaturas do Pacífico poderão chegar.
O termo “Super El Niño” não corresponde a uma classificação meteorológica oficial. Especialistas e centros de pesquisa costumam utilizá-lo informalmente para descrever eventos que alcançam intensidade excepcional, muito acima dos limites usados para caracterizar um El Niño forte, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Pacífico apresenta aquecimento excepcional
As medições mais recentes ajudam a explicar por que o episódio atual chama tanta atenção.
Dados divulgados pelo International Research Institute for Climate and Society (IRI), da Universidade de Columbia, mostram que o índice Niño 3.4 chegou a aproximadamente 3°C acima da média em meados de setembro.
Poucas semanas antes, em agosto, a média mensal estava em cerca de 2,52°C acima do normal. A diferença mostra como o aquecimento avançou rapidamente durante o período.
Os modelos também apresentam um nível elevado de concordância. Os 22 modelos analisados pelo IRI projetam a manutenção de um El Niño classificado como muito forte até o começo de 2027.
Além disso, boa parte das simulações aponta anomalias próximas ou superiores a 3°C na região Niño 3.4 justamente durante os meses em que o fenômeno deverá atingir sua força máxima.
Calor armazenado abaixo do oceano preocupa especialistas
Os cientistas também acompanham o que acontece abaixo da superfície do Pacífico.
Uma quantidade significativa de água muito mais quente do que o normal permanece armazenada nas camadas mais profundas do oceano. Esse calor funciona como uma espécie de reserva capaz de continuar alimentando o aquecimento da superfície.
A NOAA identificou durante agosto extensas áreas abaixo da superfície com temperaturas que ultrapassavam em mais de 10°C os valores considerados normais para determinadas profundidades.
Para os pesquisadores, esse grande volume de calor representa um dos elementos que podem sustentar a intensificação do fenômeno durante os próximos meses.
Assim, mesmo depois de alcançar níveis muito elevados em setembro, o Pacífico ainda apresenta condições capazes de favorecer novos aumentos nas anomalias.
El Niño de 2026 pode ser o maior em pelo menos 150 anos
As projeções mais extremas colocam o episódio atual diante de uma marca histórica.
Análises apresentadas por pesquisadores durante 2026 indicam que o atual El Niño pode superar grandes eventos registrados desde o fim do século XIX.
A revista científica Nature informou em julho que pesquisadores consideram o fenômeno em trajetória para se tornar o maior em pelo menos 150 anos, caso as previsões de intensidade se confirmem nos próximos meses.
O cenário ganhou ainda mais força conforme novas medições mostraram a rápida elevação da temperatura do Pacífico.
Entretanto, o recorde ainda não pode ser tratado como definitivamente estabelecido. Os cientistas precisarão analisar a temperatura média registrada durante vários meses e também a resposta da atmosfera antes de determinar oficialmente a intensidade final do episódio.
Portanto, as projeções indicam potencial para um El Niño histórico, mas a confirmação dependerá do comportamento do oceano durante o pico entre novembro e dezembro.
Fenômeno continuará durante 2027
O fim do pico não significará o desaparecimento imediato do El Niño.
As projeções divulgadas em setembro pelo IRI indicam 100% de probabilidade de permanência do fenômeno até o trimestre fevereiro-março-abril de 2027.
Depois desse período, as probabilidades começam a cair gradualmente. Mesmo assim, os modelos ainda mantêm chances elevadas de El Niño durante parte do primeiro semestre do próximo ano.
A Organização Meteorológica Mundial também considera praticamente certa a permanência do fenômeno durante o fim de 2026 e os primeiros meses de 2027.
Dessa forma, os efeitos sobre temperaturas e regimes de chuva poderão continuar mesmo depois de o Pacífico ultrapassar seu período de maior aquecimento.
O que um Super El Niño pode provocar no Brasil?
No Brasil, a intensidade do fenômeno aumenta a atenção para mudanças na distribuição das chuvas e para temperaturas acima do normal.
Historicamente, episódios de El Niño podem favorecer um aumento da chuva em áreas do Sul do país, enquanto partes das regiões Norte e Nordeste ficam mais sujeitas à redução das precipitações.
Um evento muito intenso também pode ampliar condições favoráveis a períodos de calor forte e irregularidade das chuvas em diferentes áreas do território brasileiro.
No Sul, o principal risco envolve episódios de chuva volumosa, temporais e enchentes. Já em áreas mais ao norte do país, períodos prolongados de calor e menor precipitação podem elevar a preocupação com secas e queimadas.
Ainda assim, a intensidade do El Niño não determina sozinha o que acontecerá em cada cidade ou estado.
Outros fenômenos oceânicos e atmosféricos também interferem na formação das chuvas, na chegada de frentes frias e nas ondas de calor. Por isso, um Super El Niño não significa que todas as regiões enfrentarão eventos extremos ao mesmo tempo.
Próximos meses serão decisivos
Com o pico projetado para novembro e dezembro de 2026, os próximos meses deverão definir se o atual fenômeno realmente alcançará uma marca histórica.
O aquecimento já observado no Pacífico, a quantidade de calor armazenada abaixo da superfície e a concordância entre diferentes modelos colocam o episódio de 2026/2027 em uma condição excepcional.
Agora, os cientistas acompanharão principalmente a evolução do índice Niño 3.4 e a interação entre o oceano e a atmosfera.
Se as projeções de maior intensidade se confirmarem, o Super El Niño de 2026 poderá entrar para os registros como um dos maiores, e possivelmente o mais forte, dos últimos 150 anos.