E veja as notícias do Brasil e do ES com destaque nas suas buscas

Invasor voraz chega à Serra e pode provocar colapso no Rio Jacaraípe

Compartilhe:
Ciclídeo jaguar, peixe invasor na Serra, capturado na Lagoa Jacuném, sobre a grama com isca artificial azul
Ciclídeo jaguar capturado na Lagoa Jacuném ameaça espécies nativas da bacia do Rio Jacaraípe. Foto: Divulgação/Instituto Ibraff
Compartilhe:

Um peixe predador originário da América Central apareceu na Área de Proteção Ambiental (APA) da Lagoa Jacuném, na Serra, e acendeu um alerta entre ambientalistas. A captura do ciclídeo jaguar (Parachromis managuensis) aconteceu na semana passada. Segundo Claudiney Rocha, do Instituto Ibraff, a presença desse peixe invasor na Serra representa uma ameaça grave à bacia hidrográfica do Rio Jacaraípe.

De acordo com Claudiney, o jaguar é um predador de topo de cadeia e chega a ecossistemas delicados com enorme poder de estrago. Em ambientes de escala regional, como a bacia do Jacaraípe e seus alagados e manguezais, a espécie pode provocar um colapso na biodiversidade local, alerta o ambientalista.

Como o peixe invasor ameaça a bacia do Rio Jacaraípe

O primeiro risco apontado está no comportamento do animal. O ciclídeo jaguar caça de tocaia, é extremamente agressivo e defende seu território. Por isso, come em grande quantidade alevinos, lambaris e outros peixes nativos pequenos, além de crustáceos e larvas.

Na avaliação de Claudiney, o sumiço dessas espécies menores afeta toda a teia alimentar do Jacaraípe. Como resultado, aves aquáticas e predadores nativos perdem sua fonte de comida.

Outro fator que preocupa é a resistência do invasor. Conforme explica o representante do instituto, o jaguar suporta variações extremas de oxigenação, temperatura e turbidez da água. Além disso, prospera em trechos de fluxo lento, áreas alagadas e zonas de transição, justamente as características mais marcantes da bacia do Rio Jacaraípe.

Espécie invasora se multiplica rápido e expulsa peixes nativos

A reprodução também joga a favor do predador. Os ciclídeos desse gênero protegem ovos e filhotes contra outros peixes, o que garante uma sobrevivência da prole muito maior do que a de várias espécies nativas. Assim, a população cresce depressa e ocupa território em pouco tempo.

Ainda de acordo com Claudiney, o jaguar disputa espaço com os peixes da região. Ele desaloja outros ciclídeos e espécies locais das áreas onde costumam fazer seus ninhos.

Pescador não deve devolver o peixe invasor à água

O alerta mais direto do Instituto Ibraff vale para quem pesca na Serra. Segundo Claudiney, as diretrizes do Ibama e de órgãos ambientais orientam que espécies exóticas invasoras capturadas não voltem para a água.

Ele lembra também que soltar esses peixes, seja por aquaristas ou depois da pesca esportiva, é crime ambiental. Para o ambientalista, essa prática é a principal responsável pela dispersão do jaguar pelas bacias brasileiras.

O instituto divulgou o alerta nas redes sociais e pede que moradores e pescadores compartilhem a informação. Na visão de Claudiney, conhecer o peixe invasor é o primeiro passo para impedir que ele se espalhe pelo restante da bacia do Jacaraípe.

Foto de Yuri Scardini

Yuri Scardini

Yuri Scardini é jornalista, publisher e sócio-diretor do Jornal Tempo Novo, veículo fundado em 1983 na Serra (ES) e referência na cobertura da Serra e da Grande Vitória. Conduziu a transformação digital do jornal, que em 2025 foi eleito o melhor site estadual de notícias no Brasil Publisher Awards. No portal, assina a coluna Mestre Álvaro, com análises sobre política, economia, segurança pública, infraestrutura e meio ambiente, sempre com leitura crítica dos fatos e apoio em dados. Formado em Administração pela Ufes, é autor do livro Serra: a história de uma cidade (2024). Recebeu a Ordem do Mérito Domingos Martins e a Comenda Augusto Ruschi, da Assembleia Legislativa do ES, e a Comenda Nelson Mandela, da Câmara Municipal da Serra. Com leitura crítica dos fatos e uso de dados públicos, acompanha de perto a gestão municipal, as eleições e os temas que mexem com o dia a dia de quem vive na Serra. É autor do livro Serra: a história de uma cidade (2024), uma reconstituição jornalística da trajetória do município.

Leia também