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Seca aperta e rio que leva água às torneiras da Serra perde 85% da vazão em oito dias

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Rio Santa Maria da Vitória corre entre pedras e vegetação, manancial do abastecimento de água na Serra
Rio Santa Maria da Vitória, um dos mananciais que abastecem a Serra, está abaixo do nível de referência
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O abastecimento de água na Serra entrou em zona de atenção. O Rio Santa Maria da Vitória, um dos mananciais que abastecem a cidade e boa parte da Grande Vitória, voltou a correr abaixo do nível de referência usado para identificar períodos de seca. Segundo o boletim mais recente da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh), a vazão medida na Fazenda Santa Rosa caiu para 4.347 litros por segundo na segunda-feira (12).

A queda foi rápida. Em 4 de outubro, depois das chuvas do início do mês, o rio chegou a cerca de 30 mil litros por segundo no mesmo ponto. Em apenas oito dias, portanto, perdeu quase 85% da vazão.

O indicador técnico usado pela Agerh é a Q90, a vazão que o rio costuma superar em 90% do tempo. Quando o volume fica abaixo dela, o manancial está em condição de seca. Além disso, o Santa Maria da Vitória passou maio, junho, julho e agosto abaixo da média histórica.

Reservatórios do Santa Maria da Vitória perto do limite

Os dois reservatórios que regulam o rio também preocupam. Na terça-feira (13), a PCH Rio Bonito estava 1,47 metro acima da cota-limite definida em protocolo entre Agerh, Cesan e Statkraft, empresa que opera as usinas. Já a UHE Suíça estava a menos de 1 metro dessa marca, apenas 0,97 metro acima.

Chegar ao limite não significa falta de água imediata. Nesse ponto, as usinas deixam de baixar o reservatório para gerar energia, e a água restante fica reservada para o abastecimento da Grande Vitória. Pela Lei Estadual 10.179, de 2014, o consumo humano e a dessedentação animal têm prioridade em situações de escassez.

Estiagem e calor castigam o Espírito Santo

O cenário na Serra reflete uma crise maior. Com o El Niño em atividade no Brasil, o Espírito Santo enfrenta dias de calor intenso e vegetação seca. Nas estações monitoradas pela Agerh, as máximas chegaram a 35,6°C em Marilândia e 35°C em Alegre, enquanto quase nenhuma chuva caiu no período.

Segundo a Agerh, a falta de chuva vem desde abril. Ao mesmo tempo, o calor acelera a perda de água do solo e da vegetação. Como resultado, quase todo o estado vive déficit hídrico há meses.

No interior, o problema já chegou às torneiras: Mantenópolis, no Noroeste capixaba, enfrenta racionamento. Na Grande Vitória, o Rio Jucu, que abastece outra parte da região metropolitana, também está abaixo da vazão de referência. Em todos os meses de junho a setembro, aliás, ele correu com menos água que no mesmo período de 2025.

Chuva prevista pode aliviar o abastecimento de água na Serra

Por outro lado, a previsão traz algum alívio. Modelos do Simepar, contratados pela Agerh, indicam chuva no Espírito Santo na segunda metade da semana. Com isso, as vazões dos principais rios devem subir a partir do dia 16, com os volumes mais expressivos entre 17 e 19 de outubro.

A própria agência, no entanto, alerta que a incerteza sobre a quantidade de chuva aumenta justamente nesses dias. Por isso, ainda não dá para saber se a água prevista será suficiente para recuperar o Santa Maria da Vitória e afastar o risco para o abastecimento na Serra.

Rio Reis Magos também preocupa

O Santa Maria da Vitória não é a única fonte do abastecimento de água na Serra. Parte da cidade, incluindo a região das praias e a Serra Sede, recebe água do Rio Reis Magos. Esse manancial, porém, costuma enfrentar uma defasagem de vazão ainda maior em períodos de estiagem.

O Reis Magos não aparece entre os rios monitorados no boletim da Agerh. Por isso, não há dados oficiais recentes sobre a situação dele nesta semana. Ainda assim, o histórico do rio acende um alerta extra: se a chuva prevista não vier, esses bairros podem ser os primeiros a sentir o impacto.

Foto de Yuri Scardini

Yuri Scardini

Yuri Scardini é jornalista, publisher e sócio-diretor do Jornal Tempo Novo, veículo fundado em 1983 na Serra (ES) e referência na cobertura da Serra e da Grande Vitória. Conduziu a transformação digital do jornal, que em 2025 foi eleito o melhor site estadual de notícias no Brasil Publisher Awards. No portal, assina a coluna Mestre Álvaro, com análises sobre política, economia, segurança pública, infraestrutura e meio ambiente, sempre com leitura crítica dos fatos e apoio em dados. Formado em Administração pela Ufes, é autor do livro Serra: a história de uma cidade (2024). Recebeu a Ordem do Mérito Domingos Martins e a Comenda Augusto Ruschi, da Assembleia Legislativa do ES, e a Comenda Nelson Mandela, da Câmara Municipal da Serra. Com leitura crítica dos fatos e uso de dados públicos, acompanha de perto a gestão municipal, as eleições e os temas que mexem com o dia a dia de quem vive na Serra. É autor do livro Serra: a história de uma cidade (2024), uma reconstituição jornalística da trajetória do município.

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