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Vereadores aprovam por unanimidade a criação do Dia dos Legendários na Serra

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Cinco integrantes do movimento, de camisa laranja, acompanham na Câmara a votação do Dia dos Legendários na Serra
Integrantes do movimento acompanharam da plateia a sessão que aprovou o Dia dos Legendários na Serra
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Com cinco integrantes do movimento na plateia, a Câmara da Serra aprovou nesta quarta-feira (14) o projeto que cria o Dia dos Legendários na Serra, a ser comemorado todo 29 de junho. A proposta, do vereador Pastor Dinho Souza (PL), recebeu 19 votos favoráveis e nenhum contrário. Agora, o texto segue para sanção ou veto do prefeito Weverson Meireles (PDT).

Pastor Dinho defende os Legendários na tribuna

Antes da votação, Pastor Dinho ocupou a tribuna e cumprimentou os integrantes do grupo presentes no plenário. Segundo o vereador, o movimento tem transformado a vida de muitos homens e funciona, além de um espaço voltado à masculinidade, como um caminho para o Evangelho.

O parlamentar também destacou o papel social dos Legendários. Ele citou a atuação voluntária de integrantes, conhecidos pelo uniforme laranja, em situações de catástrofes e tragédias. Ao final, pediu o apoio dos colegas à proposta.

Projeto inclui o Dia dos Legendários no calendário da Serra

O projeto tem apenas dois artigos. O primeiro inclui o Dia Municipal dos Legendários no Calendário Oficial de Eventos e Datas Comemorativas da Serra, criado pela Lei 4.950, de 2019. Já o segundo determina que a lei entra em vigor na data da publicação.

Pastor Dinho protocolou a proposta em outubro de 2025, um ano antes da votação. No sistema da Câmara, porém, o documento publicado aparece com a justificativa de outro projeto do vereador, sobre erotização nas escolas, aparentemente por erro na inserção do arquivo.

Como votaram os vereadores da Serra

O Projeto de Lei 946/2025 entrou em votação única e nominal na 63ª Sessão Ordinária. Segundo o relatório da Câmara, a votação durou cerca de dois minutos, sem votos contrários nem abstenções.

Votaram a favor: Agente Dias (Republicanos), Andréa Duarte (PP), Antonio Cea (Republicanos), Cabo Rodrigues (MDB), George Guanabara (Podemos), Henrique Lima (Podemos), Jefinho do Balneário (Podemos), Leandro Ferraço (PSDB), Marcelo Leal (MDB), Pastor Dinho Souza (PL), Paulinho do Churrasquinho (PDT), Pequeno do Gás (PSD), Prof. Renato Ribeiro (PDT), Rafael Estrela do Mar (PSDB), Raphaela Moraes (PP), Rodrigo Caldeira (Republicanos), Sergio Peixoto (PDT), Stefano Andrade (PV) e Wilian da Elétrica (PDT).

Por outro lado, Fred (PDT) e Prof. Rurdiney (PSB) aparecem no relatório como “não votou”. O presidente da Casa, Dr. William Miranda (União), também não registrou voto, já que pelo regimento só vota em caso de empate. Dr. Thiago Peixoto (PSOL), por sua vez, estava ausente.

O que é o movimento Legendários

O Legendários é um movimento cristão voltado para homens. Foi fundado em julho de 2015, na Guatemala, pelo pastor José “Chepe” Putzu, e chegou ao Brasil cerca de dois anos depois. Além disso, o grupo ficou conhecido por atividades com foco em fé, companheirismo e superação de desafios na natureza.

A criação de datas em homenagem ao movimento também virou tendência pelo país. Em Belo Horizonte, o prefeito sancionou em julho de 2025 a lei que transformou o 23 de julho em Dia Municipal dos Legendários, enquanto em São Paulo a lei estadual fixou a comemoração em 13 de abril.

O que dizem os críticos do movimento Legendários

O crescimento dos Legendários no Brasil também trouxe críticas, e elas vêm de lados diferentes. Parte dos questionamentos vem de teólogos ligados à esquerda, como Ed René Kivitz, para quem homens estariam chegando ao Evangelho pela lógica da masculinidade tóxica. Na mesma linha, uma série de reportagens da Revista Fórum sustentou que, ao tentar restaurar a masculinidade, o movimento pode reforçar estereótipos como agressividade, autoritarismo e submissão da mulher.

O preço dos retiros é outro alvo, inclusive entre conservadores. O pastor Silas Malafaia, por exemplo, ironizou os valores cobrados durante um culto, chamou o Legendários de nova moda no meio evangélico e questionou se os pobres ficariam sem aprender a ser homens.

Por outro lado, o fundador rebate as acusações. Em entrevista ao g1, Chepe Putzu negou que o grupo imponha um modelo ultrapassado de masculinidade e afirmou que o foco está no serviço e na responsabilidade. Ele também disse que o movimento oferece bolsas, já que as inscrições variam de R$ 450 a R$ 81 mil. Os defensores ainda destacam as ações sociais, como a entrega de 4,5 mil toneladas de alimentos no Rio Grande do Sul após as enchentes.

O que acontece agora com o Dia dos Legendários na Serra

Com a aprovação, o projeto segue para o prefeito Weverson Meireles, que pode sancionar ou vetar a nova data. Se virar lei, o 29 de junho passa a integrar o calendário oficial de comemorações da cidade.

Pastor Dinho deixa a Câmara da Serra em fevereiro

Integrantes dos Legendários acompanham votação de projeto de Pastor Dinho na Câmara da Serra
Integrantes do movimento acompanharam da plateia a aprovação do Dia dos Legendários na Serra, proposto por Pastor Dinho

A aprovação do Dia dos Legendários acontece na reta final do mandato de Pastor Dinho como vereador. Eleito para a Câmara da Serra em 2024 pelo PL, ele conquistou neste mês uma vaga na Assembleia Legislativa. Com 51.895 votos, foi o terceiro deputado estadual mais votado do Espírito Santo, atrás apenas de Camila Valadão (PSOL), com 61.501, e de Capitão Assumção (PL), com 60.097.

Os deputados eleitos tomam posse em 1º de fevereiro de 2027, na Assembleia Legislativa. Até lá, Pastor Dinho segue como vereador. Com a saída dele, Sargento Maurício (PL) deve assumir a vaga na Câmara da Serra.

Foto de Mari Nascimento

Mari Nascimento

Mari Nascimento é repórter do Tempo Novo há 24 anos. Atualmente, a jornalista escreve para diversas editorias do portal, principalmente para a de Política.

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