O governador eleito do Espírito Santo, Lorenzo Pazolini (Republicanos), afirmou que vai manter diálogo aberto com o presidente Lula (PT), reeleito no domingo (25). Ele também adiantou que pretende buscar no Governo Federal investimentos, repasses e financiamentos para obras no Estado. A declaração veio em entrevista à CBN Vitória nesta segunda-feira (26), um dia após a eleição.
Questionado sobre como será a relação com o presidente, depois de apoiar Flávio Bolsonaro (PL) e ser o palanque do candidato no Espírito Santo, Pazolini foi direto: a eleição acabou, e agora o compromisso é com os capixabas.
Pazolini e Lula: “O povo votou, o povo escolheu”
Pazolini descreveu Lula como “um homem experiente, republicano” e disse que é dessa forma que o diálogo vai acontecer. “Não tem dificuldade nenhuma. O processo eleitoral terminou, agora é um novo período, é um novo tempo. O povo votou, o povo escolheu. O nosso papel é respeitar”, afirmou.
Na mesma linha, o governador eleito lembrou que quem ocupa cargo público não representa a si próprio, e sim a população. Por isso, segundo ele, o novo governo vai trabalhar pelos 78 municípios e pelos 4 milhões de capixabas, independentemente do voto de cada um. “Essa maturidade é fundamental”, resumiu.
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Postura difere de aliados do PL
O tom institucional de Pazolini contrasta com o de aliados da própria chapa. A vice-governadora eleita, Bispa Eliane Leal (PL), chegou à composição por indicação do PL, partido presidido no Estado pelo senador Magno Malta, principal liderança do bolsonarismo capixaba.
Assim como boa parte das lideranças bolsonaristas, Magno Malta não reconheceu a vitória de Lula. Em vídeo publicado nas redes, o senador chamou a reeleição do presidente de “golpe” e reforçou a posição de Flávio Bolsonaro, que não aceitou o resultado e anunciou que vai pedir a anulação da eleição.
Até agora, porém, ninguém apresentou provas de fraude. O TSE confirmou a reeleição de Lula com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% de Flávio, uma diferença de mais de 4,4 milhões de votos. Na entrevista, Pazolini não entrou nessa discussão e tratou o resultado das urnas como página virada.
Bancada federal também entra na articulação
Além do Planalto, Pazolini quer contar com os senadores e os deputados federais do Espírito Santo para atrair recursos. “Quanto mais recursos nós tivermos, mais obras, mais investimentos e mais prosperidade nós teremos. Isso é fundamental para o Espírito Santo”, declarou.
Por que a relação entre Pazolini e Lula importa para o ES
A sinalização de diálogo tem efeito prático. Boa parte das obras estruturantes dos estados depende de convênios federais e do aval da União para operações de crédito. Dessa forma, a boa relação entre o Palácio Anchieta e o Planalto influencia diretamente a capacidade de investimento do próximo governo.
Na Serra, cidade mais populosa do Estado, o recado interessa de perto. O governador eleito venceu no município no segundo turno, e obras de mobilidade, saneamento e segurança na cidade dependem, em boa parte, de recursos estaduais e federais.
Eleito com cerca de 52% dos votos válidos contra o governador Ricardo Ferraço (M